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O fato central da alegação é contrariado por fontes primárias ou por fontes independentes.

É falso que Flávio Bolsonaro queira tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira

O projeto de 2007 citado nas redes é de outro deputado e está arquivado desde 2008. Flávio nega e o TSE mandou remover posts que apresentam o boato como fato.

Foto de Equipe Política DiáriaEquipe Política DiáriaChecado em 9 fontes

Em 20 segundos

Falso. Não há projeto de Flávio Bolsonaro para tirar o título de padroeira. O PL 2.623/2007, citado nas redes, é de outro deputado, foi rejeitado pela Comissão de Educação e arquivado em 22/08/2008. Flávio nega a intenção.

A alegação

“Flávio Bolsonaro (PL) pretende retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil, para agradar a grupos evangélicos.”

Redes sociais, a partir da noite de quinta-feira (24/09/2026), com referência a um projeto de lei de 2007, a trechos de um comentário de TV e a um vídeo do candidato. Primeira circulação registrada: . Não linkamos o boato para não ampliá-lo.

O que é verdade e o que não é

  • É verdade

    Existiu um projeto de lei sobre o tema: o PL 2.623/2007, apresentado em 12/12/2007 pelo então deputado Professor Victorio Galli (PMDB-MT), com a ementa “Altera a redação da Lei nº 6.802, de 30 de junho de 1980”, a lei do feriado de 12 de outubro.

  • É verdade

    Segundo o Aos Fatos, Galli foi assessor especial da Presidência no governo de Jair Bolsonaro e disputa em 2026 uma vaga de deputado federal pelo PP.

  • É verdade

    Flávio Bolsonaro disse em vídeo de campanha que, se eleito, um de seus primeiros atos seria decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo (Aos Fatos). A CNN Brasil informa que as publicações usaram um vídeo de agosto, fora de contexto.

  • Não é verdade

    O projeto não é de Flávio Bolsonaro. A ficha da Câmara registra um único autor, Victorio Galli.

  • Não é verdade

    O projeto não está em tramitação. A Comissão de Educação e Cultura o rejeitou por unanimidade em 09/07/2008 e a Mesa o arquivou em 22/08/2008, sem recurso.

  • Atenção

    Flávio atribuiu o boato ao PT e disse haver “ajuda de gente de dentro” da CNBB. As reportagens consultadas não trazem prova dessa acusação, e a CNBB, em nota, negou participação.

  • Atenção

    O TSE manteve a remoção de publicações que apresentam o vínculo como fato, mas o caso teve decisões divergentes no STF. A decisão trata de conteúdo e não impede críticas a Flávio por outros motivos.

O que os registros oficiais mostram

A ficha de tramitação da Câmara dos Deputados confirma a existência do PL 2.623/2007. Ele foi apresentado em 12 de dezembro de 2007 e tem um único autor, o então deputado Professor Victorio Galli (PMDB-MT). A ementa diz apenas “Altera a redação da Lei nº 6.802, de 30 de junho de 1980”. O relator na Comissão de Educação e Cultura, Átila Lira (PSB-PI), deu parecer pela rejeição, aprovado por unanimidade em 9 de julho de 2008. Sem recurso, a Mesa arquivou o projeto em 22 de agosto de 2008.

A Lei 6.802, de 30 de junho de 1980, publicada no Diário Oficial de 1º de julho, declara feriado nacional o dia 12 de outubro, em honra de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil. Segundo o Aos Fatos e o Brasil de Fato, o projeto de 2007 trocava, nessa lei, a expressão “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.

O título religioso tem outra origem. A Wikipédia, que cita documento da Santa Sé, registra que um decreto do papa Pio XI de 16 de julho de 1930 proclamou Nossa Senhora Aparecida padroeira principal do Brasil, e o Diário de Pernambuco também data de 1930 a proclamação. A lei de 1980 é o ato civil que cria o feriado.

Como o boato chegou às redes

Segundo o Aos Fatos, a alegação começou a circular na noite de quinta-feira (24 de setembro). Trechos de uma fala da jornalista Maria Cristina Fernandes na GloboNews, que não citou Flávio, passaram a circular associados ao candidato. Conforme o Brasil de Fato, a emissora publicou depois uma correção em que reconhece que o projeto era de 2007 e não tinha relação com a candidatura.

A CNN Brasil informa que as publicações também usaram um vídeo de agosto, em que Flávio dizia que, como presidente, decretaria que o Brasil “é do Senhor Jesus Cristo”. O Aos Fatos lembra que narrativas parecidas circularam contra Jair Bolsonaro em 2018 e 2022. O autor do projeto, Victorio Galli, foi assessor especial da Presidência no governo Bolsonaro, segundo o Aos Fatos. A ficha da Câmara não lista Flávio entre os autores.

O que Flávio, a CNBB e a Justiça Eleitoral disseram

Flávio Bolsonaro, que é senador e candidato do PL à Presidência, afirmou em vídeos que não tem nenhum projeto para alterar o título da padroeira e classificou as acusações como falsas, segundo o Brasil de Fato. Ele atribuiu a criação do conteúdo ao PT e disse que houve “ajuda de gente de dentro” da CNBB. As reportagens consultadas não trazem prova dessa acusação. A CNBB, em nota oficial, negou participação, afirmou que não integra estruturas partidárias e disse que “a mentira não se combate com outra mentira”.

Na Justiça Eleitoral, o ministro André Mendonça, vice-presidente do TSE, atendeu em 25 de setembro a um pedido da campanha de Flávio e mandou remover mais de mil publicações, com multa de R$ 50 mil para plataformas que descumprissem, segundo a CNN Brasil. O ministro Flávio Dino, do STF, suspendeu a decisão em 27 de setembro, a pedido do humorista Antonio Tabet. De acordo com o Congresso em Foco, o ministro Luiz Fux restabeleceu a ordem do TSE no dia seguinte, e o presidente do STF, Edson Fachin, tirou o caso da pauta do plenário para que a Justiça Eleitoral se pronunciasse primeiro.

Em sessão virtual de 30 de setembro, o TSE manteve a remoção das publicações que apresentam como fato que Flávio, ou sua família, propôs, apoiou ou articulou a retirada do título. A CNN Brasil relata que os sete ministros concordaram nesse ponto. A postagem de Tabet, que não citava Flávio, foi liberada. Mendonça afirmou que as determinações “não configuram censura prévia” e que a decisão não impede críticas a Flávio, manifestações religiosas nem debates sobre o título, conforme o Congresso em Foco.

Por que o veredito é Falso

A alegação tem uma base factual verificável: a ligação entre Flávio e o projeto de lei. Essa ligação não se sustenta. Os registros da Câmara mostram que o projeto é de outro deputado, foi rejeitado e arquivado há mais de 18 anos, e as checagens do Aos Fatos e do Brasil de Fato não apontam proposta do candidato sobre o tema. Flávio nega a intenção. Intenção futura não se prova nem se desmente por registro, mas quem faz a acusação precisa apresentar algo que a sustente, e nenhuma das fontes consultadas traz isso.

O veredito vale para a alegação como circulou, e não impede o debate público sobre a relação entre política e religião nas campanhas. Críticas a posições de qualquer candidato seguem livres. O que esta checagem descarta é a afirmação de que Flávio Bolsonaro propôs, apoia ou articula a retirada do título de Nossa Senhora Aparecida. Para entender o cenário em que o boato se espalhou, veja a cobertura do resultado do primeiro turno, que levou Flávio e Lula ao segundo turno, em 25 de outubro.

Checado em 9 fontes

Todos os links foram abertos e conferidos antes da publicação. Ordem: fontes primárias primeiro, depois agências de checagem, imprensa e referências.

  1. Fonte primáriaCâmara dos Deputados

    PL 2623/2007: ficha de tramitação (abre em nova aba)

    Autor único Victorio Galli, apresentação em 12/12/2007, parecer pela rejeição aprovado por unanimidade em 09/07/2008 e arquivamento em 22/08/2008. Os mesmos dados constam na API de dados abertos da Câmara.

  2. Fonte primáriaCâmara dos Deputados (legislação)

    Lei nº 6.802, de 30 de junho de 1980 (abre em nova aba)

    Declara feriado nacional o dia 12 de outubro, em honra de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil. Publicada no Diário Oficial da União de 01/07/1980, página 13050.

  3. Agência de checagemAos Fatos

    Boatos sobre Nossa Senhora Aparecida e Flávio repaginam narrativas falsas de 2018 e 2022 (abre em nova aba)

    Checagem do boato: início da circulação, PL 2623/2007, arquivamento, decisões do TSE e do STF e a negativa de Flávio.

  4. ImprensaBrasil de Fato

    Caso Nossa Senhora Aparecida: entenda polêmica com Flávio Bolsonaro e projeto de lei (abre em nova aba)

    Texto do projeto de 2007, rejeição na Comissão de Educação, correção da GloboNews, nota da CNBB e a sequência de decisões no TSE e no STF.

  5. ImprensaCNN Brasil

    TSE proíbe posts que vinculam Flávio a fake news de Nossa Senhora (abre em nova aba)

    Julgamento do TSE em 30/09/2026: os sete ministros concordaram em remover posts que afirmam, como fato, que Flávio propôs, apoiou ou articulou a retirada do título. Liminar de 25/09 e multa de R$ 50 mil às plataformas.

  6. ImprensaCongresso em Foco

    TSE mantém remoção de posts que relacionam Flávio a caso Nossa Senhora (abre em nova aba)

    Placar e ressalvas do voto do relator (não é censura prévia, críticas seguem livres) e o vaivém no STF entre os ministros Dino e Fux, com o caso retirado da pauta por Fachin.

  7. ImprensaCNN Brasil

    Fake news de Nossa Senhora Aparecida foi como facada em mim, diz Flávio (abre em nova aba)

    Declaração de Flávio em podcast e o uso de um vídeo de agosto fora de contexto. A matéria data o arquivamento do projeto em 2022; a ficha oficial da Câmara registra 2008, data adotada aqui.

  8. ImprensaDiário de Pernambuco

    Entenda como Nossa Senhora Aparecida se tornou a padroeira do Brasil (abre em nova aba)

    Informa que o papa Pio XI proclamou Nossa Senhora Aparecida padroeira do Brasil em 1930.

  9. ReferênciaWikipédia

    Nossa Senhora Aparecida (abre em nova aba)

    Enciclopédia aberta que cita documento da Santa Sé: em 16/07/1930, decreto do papa Pio XI proclamou a santa padroeira principal do Brasil. Usada só para o contexto histórico.

Linha do tempo

  1. Lei 6.802 declara feriado nacional o dia 12 de outubro, em honra de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil.

  2. O deputado Victorio Galli apresenta o PL 2.623/2007, que altera a redação da Lei 6.802/1980.

  3. A Comissão de Educação e Cultura aprova por unanimidade o parecer pela rejeição do projeto.

  4. A Mesa da Câmara arquiva o projeto, sem recurso.

  5. À noite, o boato associando Flávio Bolsonaro ao projeto começa a circular nas redes (Aos Fatos).

  6. O ministro André Mendonça, do TSE, determina em liminar a remoção de mais de mil publicações, a pedido da campanha de Flávio.

  7. O ministro Flávio Dino, do STF, suspende a decisão após pedido do humorista Antonio Tabet. Flávio nega ter qualquer projeto sobre o tema.

  8. A CNBB nega, em nota, participação na produção ou na divulgação de conteúdo falso. Flávio compara o boato à facada de 2018 em podcast.

  9. O plenário do TSE, em sessão virtual, mantém a remoção das publicações que apresentam o vínculo como fato e libera a postagem de Tabet.

Checagem publicada em 13 de outubro de 2026. Se você tiver uma fonte que mude este veredito, escreva para contato@politicadiaria.com.br. Aplicamos a mesma régua a qualquer campo político.

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Quem escreveu

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A equipe da Política Diária escreve para quem quer entender a política brasileira e internacional sem torcida. Cada texto parte de fontes primárias (Diário Oficial, Câmara, Senado, STF, TSE, organismos internacionais e veículos de imprensa identificados) e é escrito em português claro, separando fato de opinião.

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