Política Diária

Digite para buscar em todos os artigos e notícias.

Política Diária

O fato central da alegação é contrariado por fontes primárias ou por fontes independentes.

É falso que mesários votem no lugar de eleitores ausentes após as 17h

Vídeo diz que mesários votam por quem faltou depois das 17h. O TSE e o TRE-RS dizem que a urna exige identificação e que a fila só vale para quem já chegou.

Foto de Equipe Política DiáriaEquipe Política DiáriaChecado em 5 fontes

Em 20 segundos

Falso. Segundo o TSE, o voto só é registrado depois que o eleitor é identificado, e a votação depois das 17h atende apenas quem já estava na fila. Quem não comparece fica marcado como “não comparecimento” no Caderno de Votação. A queda da abstenção entre turnos, citada no vídeo, não prova voto por ausentes.

A alegação

“Depois das 17h, mesários usariam a urna para votar no lugar de eleitores mortos ou ausentes, no que a publicação chama de “voto espírita”, e a queda da abstenção no 2º turno de 2022 seria a prova.”

Vídeo e publicações em redes sociais, que voltaram a circular na semana de 12 a 15 de outubro de 2026, a pouco mais de uma semana do 2º turno. O TSE já havia respondido a versões da mesma alegação em agosto de 2026. Não linkamos o boato para não ampliá-lo.

O que é verdade e o que não é

  • É verdade

    A votação não termina às 17h para todos: segundo o TSE, quem já está na fila nesse horário continua votando até o último eleitor, e mesários também votam, mas só por si mesmos.

  • Não é verdade

    Segundo o TSE, o voto só é registrado depois que o eleitor é identificado e habilitado, com documento e conferência dos dados e da foto no terminal do mesário, além da biometria quando há cadastro.

  • Não é verdade

    Quem não compareceu é registrado como “não comparecimento” no Caderno de Votação, de acordo com o TSE. Mesários não têm como votar “em nome” de outra pessoa sem que isso deixe registro.

  • Atenção

    A abstenção em 2022 foi de 20,93% no 1º turno e de 20,57% no 2º, segundo a checagem do TNH1. A variação de 0,36 ponto percentual indica comparecimento um pouco maior, e não voto atribuído a ausentes.

  • Atenção

    As páginas do TSE e do TRE-RS retornaram erro de acesso (403) na nossa conferência. O que descrevemos do TSE vem de veículos que reproduzem a explicação do tribunal, e a nota do TRE-RS vem de reprodução em site de notícias.

O que as fontes dizem

A alegação que voltou a circular em outubro de 2026 afirma que, depois das 17h, mesários usariam a urna para votar no lugar de eleitores mortos ou ausentes, o chamado “voto espírita”. Segundo o TNH1, o vídeo se apoia na habilitação sem biometria, na suposta falta de conferência e na queda da abstenção em 2022.

De acordo com o texto da Agência Cenarium, que reproduz a resposta do TSE, o voto só é registrado depois que o eleitor é identificado e habilitado: ele apresenta documento, o mesário confere os dados e a foto cadastrada no terminal, e a biometria entra como etapa adicional. A votação depois das 17h, diz o tribunal, acontece apenas para quem já estava na fila. Mesários podem votar, mas não por terceiros. Quem não compareceu é registrado como “não comparecimento” no Caderno de Votação. As regras constam, segundo o veículo, da Resolução TSE nº 23.751/2026.

O Expressão Brasiliense relata a mesma explicação e a frase atribuída ao TSE de que “não existe qualquer brecha para que uma pessoa vote em nome de outra”. A Fast Company Brasil resume a checagem da Justiça Eleitoral e acrescenta que mudanças na abstenção entre os turnos não provam que alguém votou por outra pessoa.

Identificação, biometria e o que acontece sem ela

O TNH1 descreve o caso de eleitor cuja biometria não é reconhecida: a habilitação passa a exigir o ano de nascimento e a assinatura no Caderno de Votação, a digital do mesário responsável é registrada e o log da urna identifica quem liberou o voto. Para falecidos, a checagem informa que os cartórios comunicam os óbitos pelo Infodip e os nomes saem das folhas de votação. Representantes partidários podem acompanhar os trabalhos, e as ocorrências vão para a ata.

Segundo reprodução da nota do TRE-RS publicada pelo site Claudemir Pereira, o tribunal gaúcho divulgou em 14 de outubro um desmentido à publicação que repetia a alegação, dizendo que a urna tem camadas de segurança para impedir voto por outra pessoa. O site informa que a publicação teve 21,4 mil compartilhamentos até as 20h50 daquele dia. Não conseguimos abrir a página oficial do TRE-RS, e por isso tratamos a nota como informada pelo site.

Por que o veredito é Falso

O fato central da alegação, que mesários votam por ausentes, é contrariado pela descrição do procedimento feita pelo TSE e por registros que podem ser conferidos depois: o Caderno de Votação, o log da urna, a Zerésima impressa antes da votação e o Boletim de Urna afixado na seção. O argumento da abstenção também não sustenta a conclusão: de acordo com o TNH1, ela foi de 20,93% no 1º turno de 2022 e de 20,57% no 2º, uma variação de 0,36 ponto percentual que indica comparecimento um pouco maior, e não voto atribuído a ausentes.

Fica uma ressalva honesta: as páginas oficiais do TSE e do TRE-RS não abriram para nós, e o veredito se apoia em quatro veículos que reproduzem as explicações dos tribunais. O leitor pode conferir os documentos da seção no dia do voto. O boletim de urna de cada seção traz um QR Code para conferência. Para os dados oficiais do 2º turno, veja o painel de Eleições 2026. A mesma régua vale para alegações de fraude ou de manipulação atribuídas a qualquer campo político.

Checado em 5 fontes

Todos os links foram abertos e conferidos antes da publicação. Ordem: fontes primárias primeiro, depois agências de checagem, imprensa e referências.

  1. ImprensaAgência Cenarium

    É falso: TSE nega que mesários possam votar por eleitores ausentes (abre em nova aba)

    Reproduz a resposta do TSE: o voto só é registrado após identificação, a votação após as 17h vale só para quem está na fila e a regra consta da Resolução TSE nº 23.751/2026.

  2. ImprensaExpressão Brasiliense

    TSE reforça alerta sobre informação falsa de que mesários podem votar por eleitores ausentes após as 17h (abre em nova aba)

    Segundo o TSE, não existe brecha para que uma pessoa vote em nome de outra, e a Zerésima e o Boletim de Urna permitem a fiscalização.

  3. ImprensaTNH1

    “Voto espírita”: é falso que mesários votaram no lugar de eleitores mortos ou ausentes após as 17h (abre em nova aba)

    Descreve o vídeo, o procedimento de identificação sem biometria (ano de nascimento, assinatura e log da urna), o Infodip para óbitos e os números de abstenção de 2022.

  4. ImprensaFast Company Brasil

    Eleições 2026: o que é verdade e o que é mentira sobre o 2º turno (abre em nova aba)

    Resume a checagem “Fato ou Boato” da Justiça Eleitoral sobre o “voto espírita”: a votação segue após as 17h só para quem está na fila, e a mudança da abstenção entre turnos não prova voto por outra pessoa.

  5. ImprensaClaudemir Pereira

    TRE-RS desmente Mauricio Marcon e diz que mesários não votam por eleitores ausentes (abre em nova aba)

    Informa que o TRE-RS divulgou nota em 14/10/2026 dizendo que a urna tem camadas de segurança contra voto por outra pessoa; o site não traz a fala literal do autor da publicação, e a página oficial do TRE-RS não abriu na nossa conferência.

Linha do tempo

  1. A Agência Cenarium publica a resposta do TSE à alegação de que mesários votam por ausentes após as 17h.

  2. O Expressão Brasiliense publica que o TSE reforça o alerta sobre a informação falsa.

  3. Segundo reprodução da nota, o TRE-RS rebate publicação que repetia a alegação nas redes.

  4. TNH1 e Fast Company Brasil publicam checagens sobre o “voto espírita” a dez dias do 2º turno.

Checagem publicada em 18 de outubro de 2026. Se você tiver uma fonte que mude este veredito, escreva para contato@politicadiaria.com.br. Aplicamos a mesma régua a qualquer campo político.

CompartilharWhatsAppXLinkedIn
Foto de Equipe Política Diária

Quem escreveu

Equipe Política Diária

Redação da Política Diária

A equipe da Política Diária escreve para quem quer entender a política brasileira e internacional sem torcida. Cada texto parte de fontes primárias (Diário Oficial, Câmara, Senado, STF, TSE, organismos internacionais e veículos de imprensa identificados) e é escrito em português claro, separando fato de opinião.

Checagem

Mais checagens

Todas as checagens →