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O fato central da alegação é contrariado por fontes primárias ou por fontes independentes.

É falso que a prorrogação da votação na Venezuela em 2015 tenha dado vitória a Maduro

Em 2015 a Venezuela elegeu a Assembleia Nacional e a oposição ao governo Maduro venceu, segundo g1 e Estadão Verifica. Maduro já era presidente, e não estava na urna.

Foto de Equipe Política DiáriaEquipe Política DiáriaChecado em 4 fontes

Em 20 segundos

Falso. Em 6/12/2015 a Venezuela elegeu deputados, não presidente, e a oposição ao governo Maduro conquistou a maioria da Assembleia Nacional, segundo g1/AFP e Estadão Verifica. Maduro já governava e reconheceu a derrota. Aqui, a prorrogação foi pedida pelas campanhas de Flávio e de Lula, segundo a Agência Brasil.

A alegação

“A votação na Venezuela em 2015 teria sido prorrogada até as 19 horas e, com isso, Nicolás Maduro teria ganhado a eleição, o que serviria de paralelo para a prorrogação até as 19h no 2º turno brasileiro.”

Fala do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em entrevista antes da definição do resultado do 2º turno e postagens no Facebook e no Instagram com a mesma comparação, segundo o Estadão Verifica, que também cita uma captura de conversa com um chatbot publicada pelo deputado. Não linkamos o boato para não ampliá-lo.

O que é verdade e o que não é

  • Não é verdade

    Maduro não “ganhou” a eleição de 2015. A votação foi de 6 de dezembro de 2015 e elegeu os 167 deputados da Assembleia Nacional. Segundo g1 e AFP, a coalizão de oposição MUD conquistou 110 cadeiras, contra 55 do chavismo (duas ainda indefinidas à época), o que acabou com 16 anos de hegemonia chavista no Parlamento.

  • É verdade

    Maduro já era presidente. Segundo o g1, ele assumiu em abril de 2013. Não estava em disputa na urna em 2015. Segundo o g1, ele aceitou a derrota e a chamou de “bofetada”.

  • É verdade

    Houve uma extensão do horário na Venezuela. Segundo o Estadão Verifica, o Conselho Nacional Eleitoral estendeu em uma hora o fechamento dos centros, que seria às 18h, para quem já estava na fila, e a oposição criticou a medida. O resultado, porém, foi favorável à oposição.

  • É verdade

    No Brasil, a prorrogação de 17h para 19h valeu só para as seções ainda abertas, por liminar do STF. Segundo a Agência Brasil, o ministro Cristiano Zanin atendeu a pedido das campanhas do PL e do PT.

  • Atenção

    O vídeo da entrevista e a captura da conversa com o chatbot não foram abertos por esta checagem; a frase do deputado é citada como o Estadão Verifica a registrou. Os sistemas eleitorais de Brasil e Venezuela também são diferentes, e a checagem se limita ao que a comparação afirma.

O que as fontes dizem

Depois da prorrogação da votação no segundo turno, circulou a comparação com a Venezuela de 2015. Segundo o Estadão Verifica, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou em entrevista, antes do resultado: “O que aconteceu na Venezuela em 2015? Foi prorrogada a eleição para as 19 horas. Quem ganhou? Nicolás Maduro”. O mesmo veículo encontrou postagens no Facebook e no Instagram que ligam as duas prorrogações a fraude.

A premissa da comparação não se sustenta. A eleição de 6 de dezembro de 2015 não escolheu o presidente: elegeu a Assembleia Nacional. Segundo o g1, com informações da France Presse, a coalizão de oposição Mesa da Unidade Democrática conquistou 110 das 167 cadeiras, contra 55 do chavismo, e acabou com 16 anos de hegemonia governista no Parlamento. O Estadão Verifica cita 112 cadeiras da oposição e aponta que o número do partido governista ficou em 55. As fontes divergem no total, mas não no resultado.

O que de fato aconteceu na Venezuela

Maduro não estava na urna. Segundo o g1, ele havia assumido a Presidência em abril de 2013 e, após a derrota do governo, aceitou o resultado e o descreveu como uma “bofetada”. Segundo o Estadão Verifica, houve uma extensão de uma hora no fechamento dos centros de votação, de 18h para 19h, para que quem estava na fila pudesse votar, e a oposição criticou a decisão naquele dia. O Estadão Verifica cita ainda a avaliação da professora Carolina Pedroso, da Unifesp, de que a comparação entre os dois casos é “desproporcionada”.

O que aconteceu no Brasil

Segundo o TSE, uma liminar do STF prorrogou de 17h para 19h a votação nas seções que ainda estavam abertas. A Agência Brasil registra que o ministro Cristiano Zanin atendeu a pedido das campanhas do PL e do PT. O Estadão Verifica relata que a campanha de Flávio Bolsonaro pediu a ampliação ao TSE para cidades atingidas por chuvas em SP, PR, SC, MG e RS, enquanto o PT pediu ao STF e ao TSE após problemas no transporte coletivo em Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro. Segundo o mesmo veículo, foram registrados 34,7 mil votos nas urnas depois das 17h, cerca de 0,8% da diferença de 4,4 milhões entre os candidatos. O resultado oficial do TSE é de 64.256.232 votos para Lula e 59.826.041 para Flávio Bolsonaro.

Por que o veredito é Falso

A alegação central é que a prorrogação na Venezuela de 2015 teria dado a vitória a Maduro. Fontes independentes mostram o contrário: era uma eleição legislativa, a oposição ao governo venceu e Maduro, que já governava, reconheceu a derrota. A comparação ignora ainda que, no Brasil, a extensão foi pedida pelas duas campanhas, segundo a Agência Brasil. Esta checagem não avalia o mérito da decisão do STF, e sim o que a comparação afirma. A régua é a mesma para qualquer campo: veja também a checagem em que o PL também pediu mais tempo de votação e a sobre os votos depois das 17h. O painel de Eleições 2026 reúne os resultados oficiais.

Checado em 4 fontes

Todos os links foram abertos e conferidos antes da publicação. Ordem: fontes primárias primeiro, depois agências de checagem, imprensa e referências.

  1. Fonte primáriaTribunal Superior Eleitoral

    Presidente do TSE anuncia reeleição de Lula e faz balanço do 2º turno das Eleições 2026 (abre em nova aba)

    O presidente do TSE descreve a liminar do STF que prorrogou de 17h para 19h a votação nas seções ainda abertas e o resultado oficial: Lula com 64.256.232 votos (51,79%) e Flávio com 59.826.041 (48,21%).

  2. Agência de checagemEstadão Verifica

    Votação de 2015 na Venezuela foi para eleger Assembleia Nacional e teve vitória da oposição a Maduro (abre em nova aba)

    Registra a fala atribuída a Nikolas Ferreira, explica que a eleição de 2015 era legislativa e que a oposição venceu, e que as campanhas de Flávio Bolsonaro e de Lula pediram a prorrogação no Brasil. Cita 34,7 mil votos registrados após as 17h no 2º turno, o equivalente a 0,8% da diferença de 4,4 milhões.

  3. Imprensag1 (France Presse)

    Oposição conquista três quintos do Parlamento na Venezuela (abre em nova aba)

    Registra que a MUD elegeu 110 deputados contra 55 do chavismo numa Assembleia de 167 cadeiras (duas indefinidas), que Maduro assumiu em abril de 2013 e que aceitou a derrota. O Estadão Verifica cita 112 cadeiras da oposição; as duas fontes concordam que a oposição venceu.

  4. ImprensaAgência Brasil

    Trump diz que não vai se “envolver”, após carta de Flávio Bolsonaro (abre em nova aba)

    Registra, em 28/10/2026, que o ministro Cristiano Zanin estendeu o prazo de votação até as 19h e que atendeu a pedido das campanhas do PL e do PT.

Linha do tempo

  1. A Venezuela elege a Assembleia Nacional. O horário de fechamento, previsto para as 18h, é estendido em uma hora, segundo o Estadão Verifica.

  2. Segundo g1 e AFP, a oposição (MUD) conquista 110 das 167 cadeiras; Maduro reconhece a derrota.

  3. No 2º turno brasileiro, liminar do STF prorroga a votação das 17h para as 19h nas seções ainda abertas. O TSE anuncia a reeleição de Lula.

  4. O Estadão Verifica publica a checagem sobre a comparação com a Venezuela.

Checagem publicada em 30 de outubro de 2026. Se você tiver uma fonte que mude este veredito, escreva para contato@politicadiaria.com.br. Aplicamos a mesma régua a qualquer campo político.

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Quem escreveu

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Redação da Política Diária

A equipe da Política Diária escreve para quem quer entender a política brasileira e internacional sem torcida. Cada texto parte de fontes primárias (Diário Oficial, Câmara, Senado, STF, TSE, organismos internacionais e veículos de imprensa identificados) e é escrito em português claro, separando fato de opinião.

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