A Marcha da Insensatez: resenha e nota do livro de Tuchman
Análise editorial de A Marcha da Insensatez, de Barbara Tuchman: os quatro casos, as críticas feitas à obra, a edição de bolso da Best Seller e a nota final.
Análise editorial da obra, da ficha da edição e de fontes públicas
Resumo em 30 segundos
- 01A Marcha da Insensatez examina quatro casos em que governos seguiram políticas contrárias ao próprio interesse: o cavalo de Troia, os papas da Renascença, a Grã-Bretanha diante das colônias americanas e os Estados Unidos no Vietnã.
- 02A edição de bolso da Best Seller (2012, 560 páginas) mantém a narrativa de fôlego da autora, com mais da metade do espaço dedicada ao Vietnã, segundo a descrição pública da obra.
- 03A nota 7,7 premia a leitura fluida e a pergunta central, e desconta a base de fontes secundárias, o risco de ler o desfecho como inevitável e as críticas de superficialidade feitas por resenhistas.
Neste artigo
Todo eleitor já viu um governo insistir numa política que parecia fadada ao fracasso. Em A Marcha da Insensatez, a historiadora americana Barbara Tuchman tenta explicar esse fenômeno com exemplos que vão da Antiguidade ao século XX. Esta é uma análise editorial da obra, feita a partir da ficha da edição brasileira, da descrição pública do livro e de resenhas citadas no texto.
Veredito da redação
É uma leitura envolvente e uma boa porta de entrada para pensar o erro político em perspectiva histórica. A pergunta é boa, os casos são bem escolhidos e o texto flui. Os limites estão na profundidade desigual dos capítulos, na ausência de pesquisa de arquivo nova e no risco de explicar o passado como se o resultado fosse previsível.
A nota final é 7,7 em 10. A pontuação mede a qualidade da obra, e não a simpatia do leitor pelos governos ou pelas causas que ela examina. A resenha lista as críticas feitas ao livro para que cada um tire as próprias conclusões.
De que trata e qual é a tese central
Segundo a Wikipedia, o livro, lançado nos Estados Unidos em 1984 pela Knopf, trata de um paradoxo da história: governos que adotam políticas contrárias ao próprio interesse. Tuchman reúne quatro casos. O primeiro é a decisão dos troianos de levar o cavalo grego para dentro da cidade. O segundo é a incapacidade dos papas da Renascença de enfrentar os fatores que levaram à Reforma Protestante.
O terceiro é a política britânica em relação às colônias americanas no reinado de Jorge III. O quarto é o envolvimento dos Estados Unidos no Vietnã, que ocupa mais da metade do livro, de acordo com a mesma descrição pública. Os três primeiros capítulos servem de contraste e dão ao leitor uma régua para avaliar o último.
Pelo que o livro apresenta em sua introdução, a autora separa a insensatez do simples erro. Para entrar na lista, a política precisa ter sido vista como prejudicial já na própria época, e não só com a ajuda do tempo. Também precisa haver alternativas viáveis à mão, e a decisão deve ser de um grupo e se prolongar por mais de uma gestão. A definição evita o julgamento fácil com base no resultado, embora a aplicação dela seja discutida.
Sobre a autora e a edição brasileira
Barbara Tuchman nasceu em 30 de janeiro de 1912 e morreu em 6 de fevereiro de 1989, segundo a Wikipedia. Ganhou o Prêmio Pulitzer duas vezes: por Canhões de Agosto, sobre o início da Primeira Guerra Mundial, e por uma biografia do general Joseph Stilwell na China. Escrevia história narrativa para o público geral, sem formação acadêmica avançada na área.
A edição indicada nesta resenha é a de bolso da Best Seller, com tradução de Carlos de Oliveira Gomes, lançada em março de 2012, com 560 páginas e ISBN 978-85-7799-238-6, conforme a ficha da Amazon Brasil. O subtítulo da edição brasileira é De Troia ao Vietnã. Existe também uma edição da José Olympio, que não é a tratada aqui.
O que o livro faz bem
A pergunta. Poucos livros de história política perguntam por que decisões ruins persistem mesmo diante de avisos claros. Tuchman mostra, em cada caso, conselheiros que alertaram contra o caminho escolhido e foram ignorados. Isso dá ao leitor um modelo de análise que pode ser levado a outros contextos, como uma votação no Congresso ou uma política econômica.
A narrativa. A reputação da autora vem do texto claro e do domínio do ritmo. A recepção registrada inclui elogios da Foreign Affairs, que o descreveu como legível, e da New York Review of Books, que destacou a abordagem de deixar os fatos falarem. Para quem tem pouco hábito de ler história, é um ponto forte.
A comparação entre épocas. Ao colocar Troia, Roma papal, Londres e Washington lado a lado, o livro sugere que certos vícios de governo se repetem: a fixação em prestígio, a recusa em rever planos e a pressão contra quem traz más notícias. Cada leitor decidirá até que ponto essa leitura vale para o presente.
Limites e críticas feitas à obra
A crítica mais citada é a superficialidade. Segundo a compilação da Wikipedia, o crítico Christopher Lehmann-Haupt, do New York Times, considerou o livro insatisfatório e disse que havia obras melhores sobre cada um dos assuntos. O historiador Ronald Hutton, na History Today, também registrou a impressão de superficialidade. Quem conhece bem a Reforma ou a Guerra de Independência dos Estados Unidos pode ter a mesma sensação.
A segunda crítica é a leitura retrospectiva. Paul Johnson, na New Criterion, criticou a seção sobre o Vietnã por tratar o desfecho como inevitável. Para a Kirkus Reviews, rotular essas políticas como insensatez as coloca além de explicação racional. As duas objeções tocam o mesmo ponto: a dificuldade de julgar decisões sem usar o que se soube depois.
Há ainda uma ressalva de método. Tuchman era uma historiadora para o público geral, e o livro se apoia em fontes secundárias e publicadas, sem pesquisa de arquivo nova. Isso não invalida a obra, mas o leitor que busca descoberta documental não vai encontrá-la. Por fim, a obra é de 1984 e não cobre as décadas seguintes, o que exige do leitor o esforço de aplicar a pergunta a casos mais recentes.
O que a autora entende por insensatez, na prática
O conceito merece cuidado porque é fácil de usar mal. Insensatez, no livro, não é sinônimo de política malsucedida. Uma decisão que deu errado por azar, por informação falha ou por circunstância imprevisível não entra na conta. O que interessa à autora é o caso em que havia aviso, havia saída e o grupo decisório seguiu adiante mesmo assim.
Essa distinção torna o livro mais exigente do que parece. Ela obriga o leitor a procurar, em cada caso, quem alertou contra o caminho adotado e quais alternativas estavam disponíveis. Também explica por que a seção sobre o Vietnã é a mais longa: por ser mais recente, tem mais documentação sobre conselheiros que discordaram, e o contraste entre o que se sabia e o que se fez é mais fácil de montar.
Ao mesmo tempo, o critério deixa espaço para discordância. Dois leitores podem olhar o mesmo episódio e divergir sobre se a alternativa era realmente viável ou se o aviso era claro na época. Os críticos citados acima partem justamente desse ponto. Para o leitor, a recomendação é tratar o livro como um roteiro de perguntas e conferir os fatos de cada caso em obras especializadas.
Como usar o livro na leitura do noticiário
Uma forma proveitosa de ler a obra é transformar os critérios da autora em perguntas. A política em debate já é vista como prejudicial por especialistas e por parte do próprio governo? Existem alternativas viáveis em discussão? Quem decide é um grupo, e a política vai atravessar mais de uma gestão? As respostas raramente são simples, e é aí que o exercício rende.
O exercício serve para a cobertura de política do site e para o acompanhamento de decisões do Congresso, em que votos e emendas costumam ter efeitos de longo prazo. Convém separar sempre o que é fato documentado, como placar e texto aprovado, do que é interpretação sobre o acerto da decisão. O livro ajuda na segunda tarefa, mas não substitui a primeira.
Quem quiser um contraponto sobre decisões de Estado pode ler a análise de O Príncipe, que trata do poder como cálculo, e a de Reflexões sobre a Revolução na França, em que Burke defende mudança prudente e gradual.
A quem serve, edição e preço
O livro serve a estudantes de história e de ciência política, a jornalistas e a leitores curiosos que querem exemplos concretos de decisão pública. Serve também a quem prefere narrativa a teoria. Não serve a quem busca um tratado de análise de políticas públicas nem um estudo especializado de qualquer dos quatro casos.
A edição indicada é a de bolso da Best Seller, de 2012, com 560 páginas. O preço consultado na Amazon Brasil em 30/10/2026 foi de R$ 90, e varia por loja e formato. A compra pelo botão acima gera comissão ao site, sem custo extra para o leitor.
Para continuar, a resenha de Stalin: Paradoxos do Poder mostra um caso de poder concentrado, e a de Como as Democracias Morrem trata de instituições em crise. Todas estão na lista de resenhas.
Nota final e critérios
A nota é a média simples de cinco critérios, com a mesma régua usada para livros de todos os campos. Clareza, 8,5: tese e casos bem organizados. Profundidade, 7,0: desigual, com críticas de superficialidade.
Rigor e fontes, 7,0: boa base de fontes publicadas, sem pesquisa de arquivo nova. Atualidade, 7,0: a pergunta é permanente, mas o livro é de 1984. Leitura, 9,0: texto envolvente. A média é 7,7.
Veredito final

Vale a leitura
Nota 7,7 de 10
Para quem é: Leitores que querem entender como governos tomam decisões ruins e que gostam de história narrativa, sem jargão acadêmico.
Principal ressalva: Resenhistas apontam superficialidade em alguns casos, que ganhariam mais com livros dedicados a cada tema.
Ver A Marcha da Insensatez na AmazonAnálise detalhada
- Autor
- Barbara W. Tuchman
- Editora
- Best Seller
- Ano da edição
- 2012
- Páginas
- 560
- ISBN-10 (ASIN)
- 8577992381
7.7/10
- Clareza · peso 20%
- 8.5
- Profundidade · peso 20%
- 7.0
- Rigor e fontes · peso 20%
- 7.0
- Atualidade · peso 20%
- 7.0
- Leitura · peso 20%
- 9.0
Prós
- Pergunta central útil para qualquer época: por que governos insistem em políticas que prejudicam o próprio interesse
- Narrativa envolvente, que torna episódios distantes legíveis para o leitor não especialista
- Quatro casos de épocas diferentes permitem comparar padrões, e não apenas contar um episódio
Contras
- Resenhistas apontam superficialidade em alguns casos, que ganhariam mais com livros dedicados a cada tema
- Há crítica de que o caso do Vietnã trata o desfecho como inevitável, o que é um risco de leitura retrospectiva
- A autora é uma historiadora para o público geral, e o livro não traz novas fontes de arquivo
- Ideal para
- Leitores que querem entender como governos tomam decisões ruins e que gostam de história narrativa, sem jargão acadêmico.
- Preço
- R$ 90, verificado em 30/10/2026 (varia por loja)
Resenha editorial baseada na obra, na ficha da edição e em fontes públicasPode conter links de afiliado
Método
Como avaliamos
A nota final é a média simples de cinco critérios, todos com o mesmo peso (20% cada), aplicada com a mesma régua a livros de todos os campos. A nota julga a qualidade da obra, nunca a posição política do autor. Veja a política editorial.
- 8,5
Clareza · peso 20%
O texto se faz entender sem exigir leitura prévia do tema?
- 7,0
Profundidade · peso 20%
O livro vai além do óbvio e sustenta a tese com argumento?
- 7,0
Rigor e fontes · peso 20%
As afirmações têm base em documentos, dados e notas verificáveis?
- 7,0
Atualidade · peso 20%
O conteúdo continua útil para entender o debate de hoje?
- 9,0
Leitura · peso 20%
O ritmo, a edição e a tradução ajudam a chegar ao fim?
- Nota final (média)7,7 / 10
Quem escreveu
Equipe Política Diária
Redação da Política Diária
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