O material é real, mas foi apresentado com data, local ou sentido diferentes dos originais.
Vídeo de mulher com suposta droga não foi gravado em ato pró-Lula na Avenida Paulista
O vídeo já circulava um dia antes do ato de 11/10 e não é do protesto. Aos Fatos e Lupa checaram, e o TSE mandou remover posts que o ligavam à manifestação.
Em 20 segundos
Fora de contexto. O vídeo é real, mas já circulava em 10/10, um dia antes do ato, e não foi gravado na manifestação. A origem exata não foi confirmada. O TSE mandou remover as publicações que o apresentavam como registro do ato.
A alegação
“Vídeo mostra uma manifestante do PT usando droga durante o ato pró-Lula na Avenida Paulista, em 11 de outubro.”
Publicações no X, Instagram, Facebook e TikTok e em um canal de WhatsApp, a partir de domingo (11/10/2026), com legendas que associavam o vídeo ao ato. Primeira circulação registrada: . Não linkamos o boato para não ampliá-lo.
O que é verdade e o que não é
É verdade
O ato pró-Lula aconteceu em 11/10/2026, na Avenida Paulista, em São Paulo.
É verdade
O vídeo existe: mostra uma mulher de cabelo vermelho levando ao nariz uma suposta substância ilícita. As checagens não identificaram a pessoa nem a substância.
Não é verdade
O vídeo não foi gravado no ato. A mesma gravação foi publicada em espanhol no X em 10/10, um dia antes da manifestação (Aos Fatos e Lupa).
Atenção
A origem real do vídeo não foi confirmada. A campanha de Lula diz que foi gravado no Chile, e um perfil em espanhol falou em marcha pela Palestina no Chile. Nem o Aos Fatos nem a Lupa verificaram essas versões.
Atenção
As checagens não afirmam que ninguém usou drogas no ato. Afirmam que este vídeo não é do ato. O ministro do TSE disse o mesmo: a questão é se um vídeo gravado antes foi apresentado como registro da manifestação.
O que as checagens encontraram
O Aos Fatos e a Agência Lupa chegaram à mesma conclusão de forma independente. A Lupa, por busca reversa, e o Aos Fatos encontraram a gravação já publicada no X em 10 de outubro, em espanhol, um dia antes do ato. Segundo o Aos Fatos, contas de outros países, incluindo uma chilena, também tinham divulgado o registro antes do evento. Um vídeo que existia antes da manifestação não pode ter sido gravado nela.
O Aos Fatos registra o que não conseguiu confirmar: a origem da gravação, a identidade da mulher, a substância que aparece nas imagens e onde e quando o vídeo foi feito. Uma publicação em espanhol disse que a mulher esteve em uma marcha pela Palestina no Chile, e a campanha de Lula afirma que a gravação foi feita no Chile. Nenhuma das duas agências verificou essas versões, e por isso elas aparecem aqui como informação não confirmada.
Quem compartilhou e o que o TSE decidiu
Segundo o Aos Fatos, um canal de WhatsApp com mais de 1 milhão de inscritos, ligado a Flávio Bolsonaro, publicou a alegação no domingo e a apagou até segunda-feira. O perfil oficial de Flávio no Instagram republicou no domingo um vídeo do deputado eleito Rony Gabriel com acusações semelhantes. O perfil oficial do governador Tarcísio de Freitas compartilhou na segunda-feira um vídeo com a mesma mulher, que às 19h45 seguia no ar, sem correção. Os nomes citados são de quem publicou, e as checagens não afirmam que sabiam da origem do vídeo.
A coligação de Lula acionou o TSE. Em liminar de 12 de outubro, o ministro Marco Aurélio Bellizze determinou a remoção, em 24 horas, das publicações nos perfis de Flávio Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, Pablo Marçal e Rony Gabriel, e mandou a Meta tornar indisponível o vídeo de uma página caso o responsável não o apague, segundo a Agência Brasil. Não houve multa, e o caso ainda será analisado pelo plenário. Segundo a Gazeta da Amazônia, o ministro falou em “manipulação por descontextualização” e disse que a questão não é se houve consumo de drogas no ato, mas se um vídeo gravado antes foi apresentado como registro da manifestação. O pedido contra o PL, Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato não resultou em ordem de remoção, porque eles usaram apenas imagens reais do ato.
Por que o veredito é Fora de contexto
As agências de checagem usam rótulos diferentes para o caso: a Lupa o classifica como falso, e o Aos Fatos diz que o conteúdo é falsamente atribuído ao ato. A Política Diária adota Fora de contexto porque o vídeo é uma gravação real, e o que é falso é a legenda que o liga à manifestação. A distinção importa: não há evidência de que o vídeo tenha sido montado ou alterado, e sim de que foi reaproveitado em outro contexto.
Conteúdo antigo ou de outro país apresentado como registro de um fato novo é um padrão conhecido de desinformação. A mesma régua vale para vídeos atribuídos a atos de qualquer candidato. Leia também a checagem sobre o boato envolvendo Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida, que atingiu o campo oposto.
Checado em 5 fontes
Todos os links foram abertos e conferidos antes da publicação. Ordem: fontes primárias primeiro, depois agências de checagem, imprensa e referências.
Agência de checagemAos Fatos
Vídeo de mulher com suposta substância ilícita não é de ato pró-Lula na Paulista (abre em nova aba)Encontrou o vídeo circulando no X em 10/10, antes do ato, em perfis de outros países. Lista quem compartilhou a alegação e o que não foi confirmado (origem, pessoa, substância, local).
Agência de checagemAgência Lupa
Vídeo de mulher com suposta droga não é de ato pró-Lula em SP (abre em nova aba)Busca reversa levou a uma publicação em espanhol de 10/10 com a mesma gravação. Ressalta que isso descarta a ligação com o ato, mas não define data nem local originais.
ImprensaAgência Brasil
TSE ordena remoção de post falso sobre uso de droga em ato pró-Lula (abre em nova aba)Decisão do ministro Marco Aurélio Bellizze em 12/10: remoção em 24 horas, sem multa, e análise posterior no plenário. Informa que a origem no Chile é afirmação da campanha de Lula.
ImprensaGazeta da Amazônia
TSE manda Flávio apagar vídeo falso sobre ato pró-Lula (abre em nova aba)Fundamento da liminar (descontextualização), perfis atingidos e quem não foi atingido por ter usado apenas imagens reais do ato.
ImprensaDiário Carioca
TSE dá 24 horas para Flávio apagar vídeo falso sobre ato de Lula (abre em nova aba)Confirma a liminar, o autor do pedido (coligação de Lula) e o prazo de 24 horas.
Linha do tempo
Um perfil argentino no X publica, em espanhol, a mesma gravação, um dia antes do ato.
Ato pró-Lula na Avenida Paulista. O vídeo passa a circular com legendas que o ligam ao ato. Um canal de WhatsApp ligado a Flávio Bolsonaro e o Instagram oficial dele republicam conteúdo com a alegação.
Aos Fatos e Lupa publicam as checagens. O Instagram oficial de Tarcísio de Freitas compartilha vídeo com a mesma mulher. A coligação de Lula aciona o TSE, e o ministro Marco Aurélio Bellizze manda remover as publicações em 24 horas.
A Agência Brasil informa que o caso ainda será analisado pelo plenário do TSE.
Checagem publicada em 13 de outubro de 2026. Se você tiver uma fonte que mude este veredito, escreva para contato@politicadiaria.com.br. Aplicamos a mesma régua a qualquer campo político.
Quem escreveu
Equipe Política Diária
Redação da Política Diária
A equipe da Política Diária escreve para quem quer entender a política brasileira e internacional sem torcida. Cada texto parte de fontes primárias (Diário Oficial, Câmara, Senado, STF, TSE, organismos internacionais e veículos de imprensa identificados) e é escrito em português claro, separando fato de opinião.