Debate da Globo: blocos, direitos de resposta e embates de Lula e Flávio
Último debate do 2º turno teve quatro blocos, trocas sobre economia, segurança e o caso Banco Master, pedido de desculpas e direitos de resposta para os dois.
Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) fizeram na noite de sexta-feira (23) o último debate do segundo turno, na TV Globo, com mediação de César Tralli. Segundo a Gazeta do Povo, o encontro durou cerca de duas horas, em quatro blocos mais considerações finais, e o último bloco teve tema livre. A votação do segundo turno é neste domingo (25).
A cobertura em tempo real do jornal O Tempo registra que o debate começou às 21h39 e que a ordem das perguntas e a posição dos púlpitos foram definidas por sorteio. Esta nota relata o que os dois veículos publicaram, com a fala atribuída a quem a disse. Afirmações de fato feitas pelos candidatos não foram verificadas aqui e podem seguir para a seção de checagem.
Como foi o formato
De acordo com O Tempo, o primeiro bloco teve seis rodadas, sobre as cinco regiões do país e um tema nacional. Nos blocos 2 e 3, os candidatos escolheram os temas em um telão, e cada rodada tinha três minutos, divididos entre pergunta e réplica ou entre resposta e tréplica. No bloco 4, cada candidato dispunha de oito minutos, sem limite de intervenções. Tralli interveio três vezes por causa de tempo, segundo o jornal.
As regras haviam sido assinadas pelas duas campanhas, como a Política Diária relatou na nota sobre o formato do debate. O primeiro confronto direto do segundo turno foi o da Band, em 18 de outubro, tema da nota sobre as regras daquele debate.
Os temas, bloco a bloco
Segundo a Gazeta do Povo, o primeiro bloco tratou de economia e infraestrutura. Flávio questionou a conclusão de obras e a capacidade do governo de entregá-las, e Lula citou o PAC. Os dois discutiram salário mínimo, aposentadorias, agronegócio e Plano Safra. Flávio perguntou: "Hoje é dia 23 de outubro, o mês ainda não acabou. O seu salário já acabou?" Lula comparou propostas de Flávio às do presidente argentino Javier Milei, de acordo com o veículo.
Ainda no começo, Flávio afirmou que o PT votou contra o marco legal do saneamento e prometeu universalizar o serviço até 2033, segundo a Gazeta do Povo. Lula citou investimentos em saúde, estradas, portos e aeroportos. Flávio também criticou governos estaduais do Nordeste administrados pelo PT e seus aliados, por causa do avanço do crime organizado.
No segundo bloco, as políticas sociais: licença-maternidade, Bolsa Família, população em situação de rua e violência contra mulheres. A Gazeta do Povo diz que Flávio reconheceu ter mudado de posição sobre a licença-maternidade. Houve também troca de acusações sobre a pandemia de Covid-19 e o SUS. No terceiro, endividamento das famílias e segurança. Flávio atribuiu a Lula o agravamento do endividamento, e Lula defendeu o programa Desenrola e o combate às bets. Flávio levantou temas como as saidinhas de presos e a classificação de PCC e CV como organizações terroristas.
Pedido de desculpas e direitos de resposta
Os dois veículos relatam um atrito em torno da expressão "nove dedos", usada por Flávio para se referir a Lula. Lula reagiu e cobrou desculpas, dizendo, segundo O Tempo, que perdeu um dedo trabalhando. Aqui os relatos diferem no detalhe. A Gazeta do Povo diz que Flávio pediu desculpas e admitiu o erro, com a frase "Eu estava errado". O Tempo diz que o pedido foi condicional, feito "caso" o termo tivesse ofendido Lula, e que Flávio perguntou em seguida se Lula pediria desculpas a pessoas em situação de rua e a beneficiários do Bolsa Família.
Sobre direitos de resposta, O Tempo informa que Lula pediu um no intervalo antes do segundo bloco e que ambos receberam resposta pelos termos "nove dedos" e "miliciano". Segundo o jornal, Lula usou o seu para dizer que sempre foi trabalhador, e Flávio disse que o adversário parecia preso ao passado. O jornal registra ainda que outros pedidos de Flávio foram negados ao fim dos blocos 2 e 3 e que um dos três foi concedido no bloco 4, usado para apresentar propostas sobre violência contra a mulher. Já a Gazeta do Povo registra um direito de resposta a Flávio depois da fala final de Lula, no qual ele disse: "Eu nunca fui investigado por relação com milícia." A Política Diária não encontrou, nas duas fontes, pedido formal à Justiça Eleitoral ligado ao debate.
O caso Ana Clara e o bloco livre
Segundo O Tempo, a campanha de Lula levou à plateia a mãe de Ana Clara, menina de 5 anos morta por um tiro de fuzil. O jornal diz que o suspeito é um policial militar cujos advogados incluíram Flávio. Lula perguntou, nas palavras do jornal, "Que segurança é essa? Que território é esse?". Flávio expressou solidariedade à mãe, disse que o disparo ocorreu em comunidade dominada pelo tráfico e, conforme a Gazeta do Povo, afirmou confiar que o policial acusado não foi o autor do disparo. A condição do policial é a de acusado, e não há, nas fontes, decisão judicial citada.
No bloco livre, os dois trocaram acusações sobre o banqueiro Daniel Vorcaro e o caso Banco Master, um uísque e uma disputa por uma ilha em Angra dos Reis ligada ao jogador Richarlison. Flávio disse que "a ilha nunca foi do Richarlison" e que a Justiça já julgou a disputa. Flávio também afirmou que a Polícia Federal concluiu não ter havido uso de dinheiro público no filme Dark Horse. A Gazeta do Povo observa que se trata de afirmação dele, não verificada no texto. Ao fim, segundo a Gazeta do Povo, Lula pediu desculpas pelo tom elevado do confronto.
Por que isso importa
Debates televisionados a dois dias da votação são uma das últimas oportunidades de os dois candidatos apresentarem propostas ao mesmo público, e as falas costumam gerar checagens e pedidos à Justiça Eleitoral nos dias seguintes. Pelo que as fontes publicaram, os temas centrais foram economia e custo de vida, segurança pública, saúde, saneamento e acusações pessoais, o que indica os assuntos que as campanhas decidiram priorizar.
Também é importante separar o que foi dito do que foi comprovado. Números, como o de beneficiários do Desenrola citado por Lula, e afirmações como a da Polícia Federal sobre o filme citado por Flávio são declarações dos candidatos. Cada uma pode ser checada em fonte primária, e a Política Diária trata o tema na seção de checagem, inclusive na cobertura de checagem ao vivo do debate feita por entidades de jornalismo.
O que vem agora
O calendário eleitoral segue até o domingo (25), dia da votação. Os resultados apurados, as pesquisas e o ranking de acerto dos institutos ficam no painel Eleições 2026, com fonte e data de cada número. Para o eleitor, o calendário da última semana do segundo turno reúne as datas e regras do TSE. Se houver decisão da Justiça Eleitoral sobre direitos de resposta ou conteúdo do debate, ela será noticiada a partir da fonte oficial.
Limites desta nota
O texto se baseia em duas reportagens de veículos identificados, a Gazeta do Povo (publicada às 22h33 de sexta e atualizada à 1h21 de sábado) e a cobertura ao vivo de O Tempo, e não em transcrição oficial da emissora. Onde os relatos divergem, como no pedido de desculpas e nos direitos de resposta, as duas versões estão registradas. As citações são as reproduzidas pelos veículos. Não há aqui avaliação de desempenho nem indicação de vencedor: a Política Diária não declara vencedor de debate.
Fonte original
Gazeta do Povo
gazetadopovo.com.br
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Quem escreveu
Equipe Política Diária
Redação da Política Diária
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