Lula critica ida de Flávio aos EUA; chegada é relatada por fontes
Lula chamou a viagem de ato vergonhoso. A chegada do senador aos EUA é relatada por fontes americanas; as reportagens não trazem fala dele nem da defesa.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no domingo (25), criticou nesta terça-feira (27) a ida do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos depois da derrota no segundo turno. Em discurso na comemoração dos seus 81 anos, no Palácio da Alvorada, Lula disse que "quem não deve, não teme", segundo a CNN Brasil, e chamou a viagem de "ato vergonhoso", de acordo com o InfoMoney.
A saída do senador não foi confirmada por ato oficial brasileiro até o fechamento desta notícia. A informação vem de reportagens: a Reuters, segundo o InfoMoney, relatou que ele deixou o país e que uma fonte do governo americano e um aliado próximo confirmaram a viagem. A CNN Brasil diz, citando fontes ligadas ao governo dos Estados Unidos, que ele chegou ao país com a mulher e as filhas. Flávio e seus advogados não haviam se manifestado nas reportagens consultadas.
O que Lula disse
Segundo a CNN Brasil, Lula contrastou a própria conduta com a do senador. Lembrou que ficou no Brasil depois de perder eleições presidenciais em 1989, 1994 e 1998 e que permaneceu no país durante a Operação Lava Jato. "Quando pediram meu passaporte, eu entreguei. E ele deveria ter entregado", afirmou, de acordo com a reportagem. Também disse que fica imaginando "o que tem na consciência" de quem perde uma eleição e deixa o país.
O presidente afirmou ainda, segundo a mesma reportagem, que "o Brasil não é quintal de ninguém" e que o Brasil seria a "segunda pátria" da família Bolsonaro, atrás da "devoção aos Estados Unidos". São declarações de Lula, atribuídas a ele. A família Bolsonaro e o PL não foram ouvidos nessa reportagem sobre esses trechos.
A cronologia até a viagem
Na segunda-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou Flávio entregar os passaportes comum e diplomático à Polícia Federal (PF) em 24 horas e o proibiu de deixar o país, no inquérito que apura suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz. A decisão está detalhada na notícia sobre a ordem de Moraes. Flávio e Tomaz negam irregularidades.
Ainda na segunda, segundo a Reuters citada pelo InfoMoney, o senador disse a jornalistas que não sairia do Brasil e que entregaria os passaportes. O prazo terminou na manhã desta terça sem a entrega, e a PF cancelou os documentos, conforme relatou a Agência Brasil. Mais cedo, a PF havia acionado autoridades argentinas para checar um relato do site Infobae, como mostra a notícia sobre a checagem da PF; o governo argentino negou a entrada do senador no país naquele momento. Se ele passou ou não pela Argentina segue sem confirmação oficial.
A CNN Brasil informa que, em reunião na segunda com integrantes da campanha, aliados aconselharam Flávio a não deixar o país. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, disse à emissora estar surpreso e não ter sido avisado: "Nós não tivemos notícia ainda por parte do Flávio e advogados do que de fato aconteceu". Marinho contou ter recebido uma mensagem de Flávio dizendo que daria um tempo e conversaria com a equipe depois, e disse que a decisão de Moraes é "uma coincidência que precisa ser analisada pela sociedade". Marinho tem página no site em Congresso por dentro.
As reações no Congresso
No plenário da Câmara, segundo a CNN Brasil, a oposição e a base do governo divergiram. O deputado Junio Amaral (PL-MG) disse que Flávio "fez certo" ao sair e atribuiu a decisão à intenção de evitar perseguição do Judiciário. O líder da oposição, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), escreveu na rede X que o cancelamento dos passaportes foi perseguição e que o senador tem apoio total da bancada.
Do lado governista, o deputado Bohn Gass (PT-RS) afirmou que Flávio "foge e confessa que tem culpa", e a deputada Tabata Amaral (PSB-SP) criticou o senador em vídeo. Parlamentares do governo, segundo a reportagem, atribuíram a saída ao medo das investigações. São posições de cada lado, reproduzidas como foram ditas, e nenhuma delas é conclusão de investigação ou decisão judicial.
O que muda na situação jurídica
Segundo a CNN Brasil, Flávio é alvo de três inquéritos no STF: um por calúnia contra Lula, que a PF concluiu em junho e seguiu para a Procuradoria-Geral da República (PGR); outro sobre o financiamento do filme Dark Horse, sob relatoria do ministro André Mendonça; e o que corre sob Moraes, sobre Willer Tomaz. Investigado é investigado: não há denúncia aceita nem condenação, e a presunção de inocência vale para ele como para qualquer pessoa.
O mandato de senador termina em fevereiro de 2027, e com ele o foro por prerrogativa de função. A reportagem ouviu juristas que afirmam que os casos podem continuar no STF se os fatos investigados tiverem relação com o exercício do mandato, conforme o entendimento atual da Corte. O que fazer diante do descumprimento da ordem de entrega dos passaportes cabe ao relator, Moraes, e à PGR. Até aqui, as reportagens não registram nova decisão sobre o tema.
A CNN Brasil também relatou que uma ala do STF critica a atuação da PF, sem citar nomes, por já ter ocorrido de investigados ou condenados deixarem o país. É uma avaliação atribuída a fontes não identificadas; quando um veículo sério reporta isso sem nome, vale tratá-la como relato, não como posição formal da Corte.
Por que isso importa
O primeiro efeito é jurídico. A proibição de viajar é uma medida cautelar para manter o investigado disponível à apuração. A saída do país, se comprovada em ato oficial, pode levar o relator a avaliar novas medidas, mas só ele decide, e o assunto depende do que PF e PGR informarem ao Supremo.
O segundo efeito é político. Pelo que a CNN Brasil apurou com assessores do Planalto, o governo admite que a viagem pode pressionar a relação com Washington, mas avalia que o episódio não justifica rompimento. A pauta bilateral citada é o comércio, que depende de um acordo sobre as tarifas americanas a produtos brasileiros, e a segurança pública, ligada a medidas recentes da Casa Branca contra o crime organizado transnacional. O governo não comentou oficialmente a declaração do presidente Donald Trump de que a eleição brasileira teria parecido fraudada, sem provas, que o site tratou na notícia sobre a fala de Trump.
O terceiro efeito é sobre o próximo governo e a oposição. Lula foi declarado eleito pelo Tribunal Superior Eleitoral, como mostra a notícia sobre o resultado do segundo turno, e toma posse em 5 de janeiro, conforme a data definida pelo TSE. A CNN Brasil publicou que aliados veem o governador paulista Tarcísio de Freitas como principal voz da oposição a Lula a Lula depois do episódio, o que é avaliação de aliados e não fato. O PL, que reconheceu a vitória de Lula na segunda, mantém a maior bancada do Congresso. Os resultados oficiais do pleito estão no painel Eleições 2026.
O que observar a seguir
Quatro pontos devem esclarecer o caso: uma manifestação oficial de Flávio ou da defesa, informação formal da PF a Moraes sobre o descumprimento, eventual decisão do ministro ou parecer da PGR, e a posição do governo americano sobre a permanência do senador. A Política Diária atualiza o tema quando houver ato oficial ou nova declaração verificável.
Como em todos os casos, a regra aqui é a mesma para qualquer parlamentar ou campo político: o que é declaração de político é atribuído a quem a fez, o que é relato de imprensa fica como relato, e acusação só entra com decisão judicial.
Fonte original
CNN Brasil
cnnbrasil.com.br
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Quem escreveu
Equipe Política Diária
Redação da Política Diária
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