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O que o Leviatã, de Hobbes, ensina sobre o poder do Estado

Análise editorial do Leviatã, de Thomas Hobbes: a tese do contrato e do soberano, as quatro partes da obra, a edição da Martin Claret, as críticas e a nota.

Análise editorial da obra, da ficha da edição e de fontes públicas

Foto de Equipe Política DiáriaEquipe Política DiáriaPublicado em 7 min de leitura
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Capa do livro Leviatã: ou Matéria, forma e poder de um Estado eclesiástico e civil, de Thomas Hobbes, edição Martin Claret 2014

Resumo em 30 segundos

  • 01O Leviatã, publicado em 1651 durante a Guerra Civil Inglesa, defende que, sem um poder comum, a vida humana seria uma guerra de todos contra todos, e que as pessoas cedem direitos a um soberano em troca de segurança.
  • 02A edição brasileira da Martin Claret, registrada na Open Library com data de dezembro de 2014, traz o título completo, Leviatã, ou Matéria, forma e poder de um Estado eclesiástico e civil.
  • 03A nota 7,6 premia a profundidade e o rigor lógico de uma obra fundadora da teoria do Estado, e desconta a leitura: a prosa do século XVII e as quatro partes, com trechos teológicos longos, exigem esforço.
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Neste artigo

Quando se discute quanto poder o Estado deve ter em troca de segurança, a conversa costuma voltar a um livro de 1651. O Leviatã, do filósofo inglês Thomas Hobbes, é uma das obras mais citadas da teoria política e um dos textos de referência para entender o poder. Esta é uma análise editorial da obra, feita a partir da ficha da edição brasileira, de verbetes de enciclopédias e de fontes públicas citadas no texto.

Veredito da redação

É uma leitura exigente e compensadora para quem quer entender a lógica por trás da ideia de soberania. O ponto forte é o encadeamento do argumento: cada passo depende do anterior, e o leitor vê a política sendo construída a partir de premissas explícitas. O ponto fraco é a leitura, pelas frases longas do século XVII e pelas partes dedicadas à teologia.

A nota final é 7,6 em 10. A pontuação avalia a qualidade da obra (clareza, profundidade, rigor, atualidade e leitura), e não concordância com as ideias do autor. A resenha lista as críticas feitas ao livro para que o leitor decida por conta própria.

De que trata e qual é a tese central

Segundo o verbete da Wikipedia sobre a obra, o livro foi publicado na Inglaterra em abril de 1651, com revisão em latim em 1668. O título vem do monstro marinho do Livro de Jó. O autor escreveu durante a Guerra Civil Inglesa, entre 1642 e 1651, e o verbete diz que o conflito moldou a conclusão de que um governo forte e indiviso seria necessário para evitar a guerra civil.

A tese pode ser resumida em quatro movimentos. Primeiro, sem um poder comum que mantenha todos em respeito, a condição natural dos homens é de guerra de todos contra todos. Segundo, para escapar dela, as pessoas concordam em transferir o direito de se governar a um soberano. Terceiro, o poder desse soberano é indivisível. Quarto, o medo da morte violenta é o motivo mais forte para a ordem política. O verbete localiza a famosa descrição da vida no estado de natureza como solitária, pobre, sórdida, brutal e curta no capítulo XIII.

É uma tese que fundamenta o Estado na necessidade de segurança, e não em direito divino nem em tradição. Esse deslocamento explica a influência do livro: ele trata a autoridade como algo a ser justificado por razões que cada indivíduo poderia aceitar.

As quatro partes da obra

De acordo com o mesmo verbete, o livro tem quatro partes. A primeira, Do Homem, trata da natureza humana, da linguagem e das paixões, e apresenta o estado de natureza e as primeiras leis naturais. A segunda, Da República, descreve como o Estado se forma, os direitos do soberano, as três formas de governo (monarquia, aristocracia e democracia), a sucessão, a religião e os impostos.

A terceira parte, De uma República Cristã, argumenta que o soberano civil, e não a Igreja, tem a autoridade final sobre a interpretação das Escrituras e sobre o ensino religioso. A quarta, Do Reino das Trevas, ataca o que o autor via como ignorância espalhada por doutrinas falsas, entre elas leituras equivocadas das Escrituras e a filosofia aristotélica. Quem tem pouco tempo costuma concentrar-se nas partes um e dois, onde está o núcleo político.

Sobre o autor

Segundo a Stanford Encyclopedia of Philosophy, Hobbes nasceu em Malmesbury, em Wiltshire, em 5 de abril de 1588, estudou em Oxford e trabalhou grande parte da vida para a família Cavendish. Publicou uma tradução de Tucídides em 1629, viveu exilado em Paris entre o fim de 1640 e 1651 e morreu em 4 de dezembro de 1679, em Hardwick Hall.

A enciclopédia observa que o Leviatã começa por temas de filosofia da mente, como os sentidos, a imaginação, a linguagem, a razão e as paixões, e só depois chega à política. É uma pista de leitura: o autor quer derivar a vida política de uma descrição geral do ser humano.

O que o livro faz bem

Argumento encadeado. Poucos textos de teoria política mostram tão bem como uma conclusão decorre de premissas. Mesmo o leitor que rejeita a conclusão consegue apontar em que ponto discorda, e isso torna a obra uma boa escola de pensamento político.

Foco na ordem. O livro obriga a perguntar o que acontece quando o Estado falha, tema que reaparece em discussões sobre segurança pública, guerras civis e Estados frágeis. A relevância não se limita à filosofia: o verbete da Wikipedia registra que a teoria realista de relações internacionais de John Mearsheimer é em grande parte inspirada em Hobbes.

Separação entre autoridade civil e religiosa. A terceira parte discute o lugar da religião sob o poder civil, assunto central na Europa do século XVII e ainda presente em debates sobre Estado laico. Para ver o outro lado do raciocínio, vale ler Dois Tratados sobre o Governo, de John Locke, que também parte do contrato, mas defende um governo limitado, e Reflexões sobre a Revolução na França, de Edmund Burke, que valoriza a tradição e as instituições herdadas.

Limites e críticas feitas à obra

A crítica política mais citada é a da consequência autoritária. Segundo a Wikipedia, o historiador Hugh Trevor-Roper resumiu o livro com um axioma, o medo, um método, a lógica, e uma conclusão, o despotismo. Defensores respondem que Hobbes procura a paz depois de uma guerra civil e que o soberano deve proteger a vida dos súditos, mas o debate sobre os limites do poder soberano segue aberto.

A crítica filosófica veio ainda no século XVII. De acordo com a enciclopédia de Stanford, Descartes objetou ao materialismo de Hobbes, Leibniz o chamou de super-nominalista e Ralph Cudworth atacou o que via como materialismo e ateísmo. O verbete da Wikipedia acrescenta que contemporâneos como Brian Duppa e Alexander Ross elogiaram partes do livro e criticaram outras, e que a imagem de Hobbes como ateu veio em boa medida de seus opositores. A enciclopédia nota que a palavra ateu tinha outro sentido na época e que a questão da fé de Hobbes não está resolvida.

Há ainda a crítica de leitura. As partes três e quatro, longas e carregadas de referências bíblicas, cobram paciência de quem busca apenas a teoria do Estado. A edição brasileira da Martin Claret também não indica, na ficha consultada, se o texto é integral, por isso o leitor deve conferir esse ponto antes de comprar. E a visão pessimista da natureza humana é contestada por quem acha que as sociedades se ordenam também por cooperação, costumes e instituições intermediárias, tema de A Democracia na América, de Tocqueville.

A quem serve e a quem não serve

O livro serve a estudantes de direito, ciência política, filosofia e história, a jornalistas que cobrem segurança e instituições e a leitores que querem a fonte de ideias como soberania, monopólio da força e contrato social. Também ajuda a ler com mais repertório o noticiário sobre o poder, como a cobertura de Notícias sobre decisões de governo e tribunais.

Não serve a quem procura um guia prático de política contemporânea ou uma defesa da democracia liberal: o autor escreveu antes disso. Quem prefere começar por um clássico mais curto pode ler O Príncipe, de Maquiavel, e depois subir ao Leviatã. Quem busca a tradição conservadora moderna pode seguir para A Mentalidade Conservadora, de Russell Kirk.

Edição indicada e preço

A edição indicada é a da Martin Claret, com ISBN 978-85-440-0001-4 (ISBN-10 8544000010), registrada na Open Library com o título Leviatã, ou Matéria, forma e poder de um Estado eclesiástico e civil e data de dezembro de 2014. O número de páginas e o nome do tradutor não constam na ficha consultada e não foram verificados. A página da Amazon Brasil abriu e o título confere com o da ficha. O preço não foi verificado em 21/10/2026. A compra pelo link do site gera comissão, sem custo extra para o leitor.

Livros para ler depois

Depois de Hobbes, o caminho natural é o contraponto de Locke e a tradição do governo limitado. Para a política como ofício e técnica, há Maquiavel, e para a crítica conservadora à abstração, Burke e Scruton, na resenha de Como Ser um Conservador. Todas as análises estão na lista de resenhas.

Nota final e critérios

A nota é a média simples de cinco critérios, aplicados com a mesma régua a livros de todos os campos. Clareza, 6,5: o argumento é nítido, a prosa é antiga. Profundidade, 9,5: constrói uma teoria completa do Estado a partir da natureza humana.

Rigor e fontes, 8,5: lógica cerrada, com as limitações de uma obra do século XVII. Atualidade, 8,0: os temas de segurança e soberania seguem em debate. Leitura, 5,5: longa e densa, com trechos teológicos extensos. A média é 7,6.

Veredito final

Capa do livro Leviatã: ou Matéria, forma e poder de um Estado eclesiástico e civil, de Thomas Hobbes, edição Martin Claret 2014

Vale a leitura

Nota 7,6 de 10

Para quem é: Quem quer ler a origem da ideia de que a ordem política nasce do medo da violência e entender por que o debate sobre segurança e liberdade volta sempre a Hobbes.

Principal ressalva: A defesa de um soberano de poder indivisível é criticada por abrir caminho ao despotismo e dar pouca proteção ao indivíduo.

Ver o Leviatã na Amazon

Análise detalhada

Capa do livro Leviatã: ou Matéria, forma e poder de um Estado eclesiástico e civil, de Thomas Hobbes, edição Martin Claret 2014

Leviatã: ou Matéria, forma e poder de um Estado eclesiástico e civil

Thomas Hobbes

Autor
Thomas Hobbes
Editora
Martin Claret
Ano da edição
2014
ISBN-10 (ASIN)
8544000010

7.6/10

Clareza · peso 20%
6.5
Profundidade · peso 20%
9.5
Rigor e fontes · peso 20%
8.5
Atualidade · peso 20%
8.0
Leitura · peso 20%
5.5

Prós

  • Obra fundadora da teoria moderna do Estado, com um argumento encadeado do que é o ser humano até o que justifica a autoridade
  • Estrutura em quatro partes que permite ler a política separada da psicologia e da religião, se o leitor preferir
  • Segue influente em debates sobre segurança, ordem e limites da liberdade, inclusive em teorias de relações internacionais

Contras

  • A defesa de um soberano de poder indivisível é criticada por abrir caminho ao despotismo e dar pouca proteção ao indivíduo
  • A prosa do século XVII e as partes teológicas, longas, tornam a leitura mais lenta que a de ensaios políticos modernos
  • O pessimismo sobre a natureza humana é discutido: críticos acham que ele subestima a cooperação espontânea e as instituições intermediárias
Ideal para
Quem quer ler a origem da ideia de que a ordem política nasce do medo da violência e entender por que o debate sobre segurança e liberdade volta sempre a Hobbes.
Preço
Preço não verificado em 21/10/2026; confira o valor e se a edição é integral ou resumida na página da Amazon antes de comprar
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Resenha editorial baseada na obra, na ficha da edição e em fontes públicasPode conter links de afiliado

Método

Como avaliamos

A nota final é a média simples de cinco critérios, todos com o mesmo peso (20% cada), aplicada com a mesma régua a livros de todos os campos. A nota julga a qualidade da obra, nunca a posição política do autor. Veja a política editorial.

  • Clareza · peso 20%

    O texto se faz entender sem exigir leitura prévia do tema?

    6,5
  • Profundidade · peso 20%

    O livro vai além do óbvio e sustenta a tese com argumento?

    9,5
  • Rigor e fontes · peso 20%

    As afirmações têm base em documentos, dados e notas verificáveis?

    8,5
  • Atualidade · peso 20%

    O conteúdo continua útil para entender o debate de hoje?

    8,0
  • Leitura · peso 20%

    O ritmo, a edição e a tradução ajudam a chegar ao fim?

    5,5
  • Nota final (média)7,6 / 10
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Quem escreveu

Equipe Política Diária

Redação da Política Diária

A equipe da Política Diária escreve para quem quer entender a política brasileira e internacional sem torcida. Cada texto parte de fontes primárias (Diário Oficial, Câmara, Senado, STF, TSE, organismos internacionais e veículos de imprensa identificados) e é escrito em português claro, separando fato de opinião.

Perguntas frequentes

Vale para quem quer conhecer a origem da teoria moderna do Estado. O argumento é rigoroso e influente, mas a leitura é densa e as partes teológicas são longas. Convém ler primeiro as duas primeiras partes e consultar as críticas ao soberano de poder indivisível.

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