Alcolumbre diz a aliados ter 48 votos para seguir no Senado em 2027
Segundo a CNN Brasil, o presidente do Senado afirma ter 48 votos para a reeleição em fevereiro; o PL, maior bancada, lançará Rogério Marinho. A conta ainda não foi testada.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), disse a interlocutores que tem ao menos 48 votos para continuar no comando da Casa a partir de fevereiro de 2027. A informação foi publicada na madrugada desta segunda-feira (26) pelo blog de Caio Junqueira, na CNN Brasil, e foi reproduzida em seguida por outros veículos, como a Revista Fórum. Trata-se de uma contagem atribuída ao próprio senador e a quem conversou com ele, não de um levantamento independente.
Segundo a CNN Brasil, Alcolumbre afirmou ser possível "bater chapa" contra qualquer candidato do PL, sobretudo depois da vitória de Lula no segundo turno. A reportagem registra ainda que ele não pretende pautar pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal, em especial contra Alexandre de Moraes, de quem é próximo. A votação para a presidência do Senado é feita pelos 81 senadores, e a vitória exige 41 votos.
Quem disputa e quais são os números
O PL deve ter a maior bancada do Senado a partir de fevereiro. A CNN Brasil fala em 29 senadores; outras reportagens publicadas nos dias anteriores, como a do ND Mais, citam 28. A diferença de contagem aparece nos veículos e deve ser resolvida com a diplomação e a posse dos eleitos, de modo que este texto trata a bancada como de 28 ou 29 cadeiras. Em ambos os casos, o partido fica longe dos 41 votos e precisa de apoio de outras legendas. A cobertura da nova composição do Congresso mostra que nenhuma sigla terá maioria própria no Senado.
O candidato do PL é o senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Em 5 de outubro, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse à CNN Brasil que o partido não apoiará a reeleição de Alcolumbre e que Marinho será o candidato. Valdemar declarou, na ocasião, que Alcolumbre estaria alinhado ao governo Lula. A reportagem do ND Mais, de 20 de outubro, cita ainda os nomes de Arthur Lira (PP-AL), que chamou a hipótese de "pura especulação", e de Tereza Cristina (PP-MS), apontada como cotada.
Para vencer, Marinho precisaria de votos fora do PL. O ND Mais calculou, naquela data, que ele teria de somar ao menos 13 votos de outras bancadas. Interlocutores de Alcolumbre ouvidos pelo mesmo veículo estimavam entre 44 e 49 votos para o atual presidente, faixa em que os 48 votos agora divulgados se encaixam. Como a votação é secreta, nenhuma dessas contas está comprovada, e promessas de apoio costumam variar até o dia da eleição.
O histórico recente da disputa
Alcolumbre foi eleito em fevereiro de 2025 com 73 votos para o biênio 2025-2027, segundo a Revista Fórum e o ND Mais. Em 2023, Marinho disputou a presidência e foi derrotado por Rodrigo Pacheco, com 49 votos a 32, conforme o ND Mais. A CNN Brasil também registra que Marinho obteve naquele ano o apoio de 32 senadores.
A relação entre Alcolumbre e o Palácio do Planalto também faz parte da conta. A CNN Brasil informou em 5 de outubro que ele teve atritos com o governo, com ápice na rejeição de Jorge Messias para o Supremo, e que se reconciliou com Lula em agosto. Na noite de domingo (25), Alcolumbre e o presidente da Câmara, Hugo Motta, reconheceram o resultado das urnas e pediram pacificação. O perfil do senador está na página Davi Alcolumbre no Congresso por dentro.
Impeachment de ministros do STF
O tema do impeachment de ministros do Supremo volta à pauta porque setores da oposição defendem abrir processos contra integrantes da Corte, segundo a CNN Brasil, e porque a competência para isso é do Senado. A Constituição atribui ao Senado processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade, e cabe ao presidente da Casa dar andamento às denúncias. Em 1º de setembro, a Gazeta do Povo registrou que Alcolumbre disse a jornalistas existirem 109 pedidos de impeachment contra os dez ministros do STF e afirmou: "Isso não é normal". Naquele dia, ele sinalizou que não daria andamento ao processo contra Moraes nos dias seguintes.
A posição de Alcolumbre tem portanto continuidade com o que ele declarou em setembro. Em 1º de setembro, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, havia cobrado o início imediato do processo contra Moraes, segundo a mesma reportagem. A decisão sobre o rito cabe ao presidente da Casa, conforme a Constituição e o regimento.
Por que isso importa
O presidente do Senado controla a pauta do plenário, a distribuição de propostas às comissões e o andamento de pedidos de impeachment e de indicações, como as de ministros do Supremo. A CNN Brasil informa que Alcolumbre pretende defender ainda neste ano a indicação de Rodrigo Pacheco, hoje no Tribunal de Contas da União, para o STF; a notícia, até aqui, vem de uma única reportagem e não foi confirmada pelo Planalto. A vaga de Luís Roberto Barroso segue em aberto, e o Senado precisa aprovar o nome indicado pelo presidente da República.
Quem ocupar a cadeira em 2027 também influenciará a relação do Senado com o governo Lula, que terá de negociar com um Congresso sem maioria própria de nenhum lado. O resultado da disputa entre Alcolumbre e Marinho dependerá de como PP, União Brasil, MDB, PSD e as demais bancadas se posicionarem. A CNN Brasil informa que os partidos do centrão querem limitar o poder do PL e já apoiam a reeleição de Motta na Câmara, o que indica uma articulação conjunta das duas Casas.
O que observar a seguir
O primeiro marco é a diplomação dos eleitos, que oficializa o tamanho de cada bancada. A posse dos novos senadores e a eleição da Mesa ocorrem no início da nova legislatura, em fevereiro de 2027, conforme a Constituição e o regimento; a Revista Fórum cita o dia 1º. Até lá, cabe acompanhar declarações públicas de líderes de partidos, eventuais candidaturas adicionais, como as de Lira e de Tereza Cristina, e a posição da federação PP-União Brasil, que o ND Mais descreve como possível retirada de apoio a Alcolumbre.
O leitor também pode consultar os dados oficiais dos parlamentares no painel do Congresso por dentro, com votos, presenças e gastos, e o painel de Eleições 2026 para a composição do Legislativo e o resultado das urnas. A posse do presidente eleito está prevista para 5 de janeiro de 2027, antes da eleição das Mesas.
Enquanto isso, a contagem de 48 votos deve ser lida como o que é: uma estimativa do grupo do presidente do Senado. Outros interlocutores trabalham com números diferentes, e o PL afirma ter candidatura competitiva. O voto secreto e a recomposição das bancadas tornam a disputa aberta até fevereiro.
Fonte original
CNN Brasil
cnnbrasil.com.br
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Equipe Política Diária
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