Bulgária pede à Otan caças e defesa antidrone após ataques a navios
Sete cargueiros foram atingidos por drones no Mar Negro, com 25 mortos ou desaparecidos. A Polônia acionou caças durante ataques russos ao oeste da Ucrânia.

A Bulgária pediu formalmente à Otan o envio de aviões de combate e de sistemas contra drones depois de uma série de ataques a navios de carga no Mar Negro. A informação consta de reportagem da Al Jazeera, publicada nesta sexta-feira (16) com dados da AP e da Reuters. Segundo o texto, nas últimas semanas drones atingiram ao menos sete cargueiros ao largo da Romênia e da Bulgária, deixando 25 pessoas mortas ou desaparecidas.
No mesmo período, a Polônia acionou caças durante os ataques noturnos da Rússia ao oeste da Ucrânia, perto da fronteira polonesa. As Forças Armadas polonesas disseram que não houve violação do espaço aéreo do país. A reportagem registra preocupação crescente no flanco leste da Otan com o risco de a guerra se ampliar e com a possibilidade de a Rússia estar testando as defesas da região.
O que a Bulgária pediu e o que foi dito
Um navio comercial afundou na terça-feira (13) na costa búlgara, e Sófia convocou o embaixador russo. O primeiro-ministro, Rumen Radev, afirmou que as evidências apontam para a Rússia, mas que o governo não tem provas. O ministro da Defesa, Dimitar Stoyanov, disse que o pedido à Otan busca reforçar as capacidades do país com aviões de combate e sistemas antidrone. Até a publicação, a aliança não havia respondido, segundo a Reuters.
A Bulgária também propôs uma moratória de ataques a navios civis no Mar Negro e espera aderir, até o fim de outubro, a uma iniciativa antidrone da Otan. Stoyanov planeja se reunir com os colegas da Romênia e da Turquia para coordenar uma posição comum. O presidente romeno disse que o país solicitou equipamentos adicionais. A reportagem não traz a posição do governo russo sobre as acusações de autoria dos ataques aos navios.
O cenário militar na Ucrânia e na Rússia
Os ataques da madrugada atingiram várias regiões. Em Volyn, que faz fronteira com a Polônia, os bombardeios deixaram 370 mil pessoas sem energia, e o governador Roman Romaniuk informou dois feridos. Em Kharkiv, um ataque de drones matou três pessoas e feriu cinco, segundo o governador regional. Em Uman, no centro do país, a polícia relatou feridos em um prédio residencial, e a distribuidora privada DTEK anunciou cortes de emergência de energia em Kiev.
Do lado russo, o Ministério da Defesa disse ter derrubado 644 drones ucranianos durante a noite, 94 deles com destino a Moscou. Os quatro aeroportos da capital e o de Pulkovo, em São Petersburgo, suspenderam operações. Na região de Luhansk, controlada pela Rússia, o governador instalado por Moscou disse que ataques ucranianos mataram duas pessoas. Os números são das autoridades de cada lado e não foram verificados de forma independente nesta reportagem.
A Al Jazeera lembra que a Ucrânia tem tido sucesso em atingir a infraestrutura energética russa, sobretudo refinarias de petróleo, e que o presidente americano, Donald Trump, atribui a esses ataques parte da alta dos preços globais do petróleo. A afirmação é de Trump e a reportagem não a quantifica.
Contexto: a pressão sobre a Otan desde o verão
Romênia, Moldávia, Polônia e os países bálticos relatam, desde o verão no hemisfério norte, numerosas intrusões de drones em seu espaço aéreo e em suas águas. A Otan é uma aliança de defesa coletiva: o ataque a um membro pode levar a consultas entre todos. Por isso, incidentes em águas e céus de países da aliança são tratados com cautela, e a atribuição de autoria costuma exigir provas, ponto que o próprio premiê búlgaro reconhece ao dizer que não as tem.
O Mar Negro é rota de escoamento de grãos, fertilizantes e combustíveis, e os portos romenos e búlgaros recebem parte desse tráfego. Ataques a navios comerciais tendem a elevar o custo de seguro e de frete e tornam mais arriscada a navegação na região. A reportagem não apresenta estimativas de impacto sobre esses custos.
Por que isso importa
Para o leitor brasileiro, o efeito mais direto passa pelos preços de energia. O Brasil importa derivados de petróleo e fertilizantes e exporta alimentos, de modo que oscilações no petróleo e no frete internacional chegam à inflação, ao câmbio e às contas públicas. A cobertura do site sobre a reação do mercado ao primeiro turno já registrou a atenção dos investidores ao preço dos combustíveis, e o Congresso analisa a MP 1.395, que destina R$ 7,5 bilhões a subsídio de combustíveis.
O tema também aparece no debate político americano, que afeta o ambiente externo do país. O governo dos Estados Unidos já adotou medidas voltadas ao diesel, como mostra a notícia sobre a ordem executiva que adia o imposto federal sobre o combustível. Em tempos de guerra no Oriente Médio e na Europa, as decisões de segurança de um lado do Atlântico repercutem nas finanças do outro.
Do ponto de vista da segurança europeia, o pedido búlgaro testa a capacidade da Otan de responder a ameaças não convencionais, como enxames de drones baratos. A iniciativa antidrone citada pelo ministro e a coordenação com Romênia e Turquia, que controla os estreitos de acesso ao Mar Negro, indicam que a resposta tende a ser regional e gradual, e não uma mobilização imediata em larga escala.
O que observar a seguir
O primeiro ponto é a resposta da Otan ao pedido de aviões e sistemas antidrone. Em seguida, a reunião dos ministros da Defesa da Bulgária, da Romênia e da Turquia e a adesão búlgara à iniciativa antidrone, prevista para o fim de outubro. Também será relevante saber se a proposta de moratória de ataques a navios civis ganha apoio e se surgem provas sobre a autoria dos ataques, hoje sem comprovação pública, segundo o próprio governo búlgaro.
Para outras notícias internacionais, veja também a cobertura da tentativa de formar governo na Suécia e a página de notícias. Atribuições de autoria, balanços de vítimas e contagens de drones citados acima são das autoridades e dos veículos mencionados, e o site atualizará a cobertura se houver confirmação independente.
Fonte original
Al Jazeera (com AP e Reuters)
aljazeera.com
Perguntas frequentes
Quem escreveu
Equipe Política Diária
Redação da Política Diária
A equipe da Política Diária escreve para quem quer entender a política brasileira e internacional sem torcida. Cada texto parte de fontes primárias (Diário Oficial, Câmara, Senado, STF, TSE, organismos internacionais e veículos de imprensa identificados) e é escrito em português claro, separando fato de opinião.