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Trump diz que falará com Lula, mas não diz se reconhece a vitória

Presidente dos EUA afirmou que não tomou partido a pedido de Lula e chamou a eleição de vergonhosa, sem provas. O Planalto opta por pragmatismo e Vieira vai ao G20.

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Trump diz que falará com Lula, mas não diz se reconhece a vitória
Foto: Daniel Torok (Public domain) / Wikimedia Commons

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na quinta-feira (29) que vai falar com o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas não respondeu se reconhece a vitória do petista no segundo turno de 25 de outubro. Segundo o g1, ele voltou a chamar a eleição brasileira de "vergonhosa", sem apresentar provas, e afirmou que não tomou partido porque Lula lhe pediu isso.

A Veja registra a mesma fala, feita a jornalistas, e lembra que o governo americano ainda não reconheceu oficialmente a vitória de Lula. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proclamou o resultado, e o próprio PL, partido de Flávio Bolsonaro, reconheceu o resultado, conforme a cobertura do g1.

O que Trump disse

Perguntado se falaria com Lula, Trump respondeu, segundo a Veja: "Vou falar com ele, mas acho que a eleição foi uma vergonha no Brasil". Questionado sobre quem, na opinião dele, havia vencido, disse ao g1 que não queria comentar o assunto "agora". Nas duas reportagens, não há data para a conversa nem reconhecimento formal do resultado.

Sobre a própria postura, o presidente americano afirmou que acompanhou a eleição e "deixou as coisas seguirem seu curso". Disse ter sido orientado por Lula a não tomar partido e que cumpriu o pedido. Para justificar o adjetivo, citou o desempenho do mercado brasileiro, que teria "despencado". As reportagens não trazem dados que sustentem a afirmação. O painel de resultados oficiais fica na página Eleições 2026.

A declaração é a mais recente de uma sequência. Em 26 de outubro, um dia depois do segundo turno, Trump disse que a eleição "pareceu mais uma eleição fraudada" e criticou a prorrogação da votação, como mostra a notícia sobre a primeira fala de Trump sobre o pleito. Em 28 de outubro, segundo o g1, ele disse que aprovaria a ida de Flávio Bolsonaro aos EUA e, mais tarde, que não comentaria a carta do senador: "Nós demos a ele uma autorização para entrar no país. Mas não vou me envolver".

O que o Brasil informa sobre a eleição

O resultado oficial deu a Lula 51,79% dos votos válidos, com diferença de 4.430.191 votos para Flávio Bolsonaro (PL-RJ), conforme o arquivo do TSE. A notícia sobre Lula eleito no segundo turno detalha a proclamação. A prorrogação da votação até as 19h, determinada pelo ministro Cristiano Zanin, está explicada na notícia sobre a decisão de prorrogar a votação.

A cobertura dos votos da prorrogação mostra quantos eleitores votaram no período extra e compara o volume com a diferença entre os candidatos. Trump, nas falas reportadas, não apontou irregularidade específica.

Flávio Bolsonaro, que deixou o Brasil na terça-feira (27) rumo aos Estados Unidos, publicou uma carta em que acusa fraude. O senador é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) em inquérito sobre suspeita de lavagem de dinheiro, e investigado não é réu nem condenado. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse que "ninguém aprovou" a carta, como relata a notícia sobre a fala de Valdemar.

A resposta do Planalto: pragmatismo

Segundo outra reportagem do g1, o governo Lula não pretende reagir diplomaticamente e quer manter uma relação pragmática com Washington e Buenos Aires. A avaliação, atribuída a integrantes do governo, é que o episódio não cria constrangimento para o Brasil e que uma reação oficial só viria se surgissem fatos novos.

O g1 informa que o governo está convencido de que Estados Unidos e Argentina participaram da operação que permitiu a saída de Flávio do país. Trata-se de avaliação do governo brasileiro, reportada pelo veículo, e a mesma reportagem diz que a hipótese não foi confirmada pelo Departamento de Estado americano. Do lado argentino, a notícia sobre o relato do governo da Argentina traz a versão oficial de Buenos Aires sobre a travessia da fronteira.

A reportagem diz ainda que integrantes do governo suspeitam que o texto da carta de Flávio foi ajustado após contatos com autoridades americanas, o que explicaria a troca de "presidente eleito" por "líder". É uma suspeita, não um fato apurado, e o g1 ressalva que o Departamento de Estado não a confirmou.

Por que isso importa

O reconhecimento de um resultado eleitoral por outro governo é um gesto diplomático, não uma condição legal para a posse. Lula toma posse em 5 de janeiro de 2027, independentemente do que Washington diga. O que a posição americana afeta é o ambiente das negociações bilaterais, em especial comércio e tarifas, tema já tratado na audiência do Senado sobre tarifaço e terras raras.

Há também um efeito sobre o debate interno. Falas de um chefe de Estado estrangeiro que questionam o resultado, sem provas, são usadas por quem contesta a eleição e rebatidas por quem a defende. A régua é a mesma para os dois lados: contestação precisa de prova levada às instâncias competentes, como o TSE. Nesse ponto, a fala do senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio, de que não há provas, mostra que a discordância existe também dentro da oposição.

O terceiro ponto é a política americana. Segundo o g1, os Estados Unidos vão às urnas na terça-feira (3) para renovar a Câmara e parte do Senado, e o governo brasileiro entende que o resultado será um "divisor de águas" na relação entre os dois países. Trump, ainda de acordo com o g1, disse que respeitará o resultado das eleições americanas "se forem eleições honestas", e a reportagem aproxima isso do tom usado por ele sobre o Brasil.

O que observar a seguir

O primeiro marco é a conversa entre Trump e Lula, ainda sem data. O segundo é a reunião de chanceleres do G20 em Atlanta, nesta sexta-feira (30), para a qual viajou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. O g1 informa que o secretário de Estado, Marco Rubio, também estará no encontro, que não há reunião bilateral marcada entre os dois e que o governo brasileiro não descarta uma conversa se houver interesse de Rubio.

O terceiro é a Cúpula do G20, prevista para dezembro, na Flórida, onde a expectativa do governo, segundo o g1, é que Lula e Trump voltem a se encontrar. Até lá, ficam abertos o resultado das eleições americanas, a eventual manifestação formal do Departamento de Estado sobre o resultado brasileiro e a situação de Flávio Bolsonaro, cujo inquérito segue no STF sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, como mostra a notícia sobre a ordem de entrega dos passaportes.

Para quem acompanha o tema, a distinção prática é entre o que é ato formal e o que é declaração. Reconhecimento oficial, nota do Departamento de Estado ou telefonema entre os presidentes são atos verificáveis; frases a jornalistas são posições de quem as disse, atribuídas como tal. As atualizações sobre o resultado oficial ficam na página Eleições 2026, e o noticiário diário está em notícias.

Fonte original

g1

g1.globo.com

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Quem escreveu

Equipe Política Diária

Redação da Política Diária

A equipe da Política Diária escreve para quem quer entender a política brasileira e internacional sem torcida. Cada texto parte de fontes primárias (Diário Oficial, Câmara, Senado, STF, TSE, organismos internacionais e veículos de imprensa identificados) e é escrito em português claro, separando fato de opinião.

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