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Economia da Argentina recua 1,74% em agosto, a 2ª queda anual seguida

Indec registrou queda de 1,74% na atividade frente a agosto de 2025, a segunda seguida. Vizinho é destino de exportações brasileiras que caíram 18,6% até julho.

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Economia da Argentina recua 1,74% em agosto, a 2ª queda anual seguida
Foto: Sombra Inquieta (CC BY-SA 4.0) / Wikimedia Commons

A atividade econômica da Argentina caiu 1,74% em agosto de 2026 na comparação com agosto de 2025, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) do país, por meio do indicador mensal EMAE. O dado foi publicado pela Agência Brasil na quinta-feira (22). Em relação a julho, houve alta de 0,1%.

É a segunda queda mensal seguida na comparação com o mesmo mês do ano anterior: em julho, a retração tinha sido de 2,8%. No acumulado de janeiro a agosto, a economia ainda cresce 1,2%, abaixo dos 1,7% registrados de janeiro a julho. Para o leitor brasileiro, o dado importa porque a Argentina é um dos principais destinos das exportações do Brasil.

O que mostram os números do Indec

De acordo com a reportagem, o indicador que retira efeitos sazonais, chamado de tendência-ciclo, ficou em 0% em agosto. O ministro da Economia argentino, Luis Caputo, afirmou que esse indicador está 6,6% acima do nível de dezembro de 2023, mês em que o presidente Javier Milei assumiu. A afirmação é do ministro, citada na fonte, e esta nota não a verificou de forma independente.

Por setores, na comparação anual, houve queda em pesca (15,7%), intermediação financeira (3,8%), comércio atacadista e varejista e reparações (3,5%), indústria (3,2%), transporte e comunicações (2,9%) e construção (2,5%). Subiram mineração e petróleo (11,1%), eletricidade, gás e água (4,3%) e hotéis e restaurantes (3,1%).

A leitura de uma economista

A reportagem ouviu Clara Brenck, do departamento de economia da UFMG e pesquisadora do Made, da USP. Ela afirmou que a Argentina "pode estar entrando em uma recessão econômica" e citou o aumento do desemprego como sinal. Segundo ela, os setores de petróleo, gás e mineração evitaram um resultado pior, mas dependem de preços externos.

Brenck relacionou a queda da indústria e do comércio, que empregam muita gente, aos cortes de gastos do governo Milei. Disse também que as reduções de impostos prometidas não geraram o investimento privado esperado, e que a inflação menor é o único ponto claramente positivo, embora dependa muito do comportamento do dólar. São avaliações da pesquisadora. O governo argentino defende o programa econômico e aponta a alta da tendência-ciclo desde dezembro de 2023, como indica a declaração de Caputo.

A reportagem usa a expressão recessão técnica no título interno, mas não define o termo. Em geral, ele se refere a dois trimestres seguidos de queda do PIB, critério diferente do usado aqui, que compara cada mês com o mesmo mês do ano anterior. Por isso, o dado de agosto indica desaceleração e risco, não uma recessão declarada.

Contexto: o comércio entre Brasil e Argentina

Os números mais recentes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior e reportados pelo Diário do Grande ABC em 6 de agosto, mostram que as exportações brasileiras para a Argentina somaram US$ 1,415 bilhão em julho, queda de 13,9%. As importações subiram 4,7%, para US$ 1,153 bilhão, e o Brasil teve superávit de US$ 262 milhões no mês.

De janeiro a julho, as vendas brasileiras ao vizinho caíram 18,6% e chegaram a US$ 8,763 bilhões, enquanto as compras cresceram 3,8% e atingiram US$ 7,546 bilhões. O saldo do período ficou em US$ 1,217 bilhão a favor do Brasil. Os dados de agosto e setembro ainda não estavam incluídos na reportagem consultada, e podem ter sido atualizados desde então.

Por que isso importa para o Brasil

Quando a economia argentina esfria, as empresas brasileiras que vendem para lá sentem primeiro. A Agência Brasil já registrou, em nota sobre a relação entre os dois países, que o Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina e que as economias são fortemente integradas, sobretudo nos setores automotivo e industrial. Menor demanda argentina por produtos brasileiros, como indica a queda das exportações até julho, afeta essas cadeias.

O efeito não é igual em todos os setores: o dado do Indec mostra que a indústria argentina encolheu 3,2% e a construção 2,5% na comparação anual, áreas que costumam consumir insumos e máquinas importados da região. Esta nota não tem dados setoriais do comércio bilateral para afirmar quais produtos brasileiros foram mais afetados, e a reportagem sobre o Indec não faz essa conexão.

O tema ganha peso em meio à crise diplomática entre os dois governos. O Itamaraty divulgou nota de repúdio a declarações de Milei sobre o processo eleitoral brasileiro, como mostra a notícia sobre o Itamaraty e a ingerência externa. Desde agosto o Brasil não tem embaixador em Buenos Aires, e a relação anterior entre o presidente argentino e o campo político de Flávio Bolsonaro foi tratada em nota sobre Milei e o Brasil.

O que observar a seguir

O primeiro ponto é o dado de setembro do Indec, que dirá se a queda anual se estende por um terceiro mês. O segundo é o comércio bilateral: o MDIC divulga a balança comercial todo mês, e a evolução das exportações brasileiras mostrará se a demanda argentina continua fraca. O terceiro é o ambiente político, porque o resultado do segundo turno brasileiro, no domingo (25), pode alterar o tom entre Brasília e Buenos Aires. A Argentina é parceira do Mercosul e a relação comercial não depende apenas de afinidade entre governos.

Os resultados da eleição brasileira, as pesquisas e os dados do segundo turno estão no painel Eleições 2026, com fonte e data de cada número. O governo argentino e o Indec têm espaço para esclarecer ou corrigir qualquer dado citado aqui, e esta nota será atualizada com data e fonte se houver novidade.

Fonte original

Agência Brasil

agenciabrasil.ebc.com.br

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Perguntas frequentes

O Indec registrou queda de 1,74% da atividade em agosto de 2026 frente a agosto de 2025, a segunda retração anual seguida, e alta de 0,1% sobre julho. No acumulado de janeiro a agosto, a economia cresce 1,2%, segundo a Agência Brasil.
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