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PF checa se Flávio saiu do país após relato argentino; Argentina nega

A PF apura se o senador deixou o Brasil, após relato do Infobae. O governo argentino nega a entrada, a campanha diz que ele não saiu e nada foi confirmado.

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PF checa se Flávio saiu do país após relato argentino; Argentina nega
Foto: Agência Brasília from Brasília, Brasil (CC BY 2.0) / Wikimedia Commons

A Polícia Federal (PF) verifica se o senador Flávio Bolsonaro (PL) deixou o Brasil, depois de o site argentino Infobae publicar, na madrugada desta terça-feira (27), que ele teria cruzado a fronteira e embarcado em um jato particular rumo aos Estados Unidos. Segundo o Metrópoles, a PF acionou autoridades argentinas na manhã de hoje para checar a informação. Até a última atualização das reportagens consultadas, nenhuma autoridade brasileira ou argentina havia confirmado a saída do senador.

O governo argentino nega. De acordo com o Brasil de Fato, o porta-voz da Presidência argentina, Fabián Fernández, disse à agência Bloomberg que Flávio nunca entrou no país e que nenhuma aeronave com as características descritas decolou rumo aos EUA. Aliados do senador também negam a viagem, mas relatam dificuldade para falar com ele. Esta notícia trata de uma apuração em andamento e será atualizada se houver confirmação oficial.

O que o Infobae afirma e o que já foi checado

Segundo o relato do Infobae, reproduzido pelo Metrópoles, Flávio teria embarcado na noite de segunda-feira (26) em um voo particular rumo à Argentina, de onde seguiria para os Estados Unidos. A aeronave seria um Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, da empresa Baires Fly S.A. O site diz que ele teria entrado no país vizinho apenas com a carteira de identidade, documento aceito entre os países do Mercosul, e que a decolagem estava prevista para as 2h, em Puerto Iguazú.

Alguns pontos foram checados por veículos brasileiros. A Terra, citando a Folha de S.Paulo, informa que o jato saiu de Buenos Aires às 22h14 de segunda-feira e pousou em Puerto Iguazú às 23h45, e depois deixou de aparecer nos sistemas de rastreamento acompanhados pelo jornal. O Brasil de Fato cita colunas da Folha e de O Globo segundo as quais Flávio não passou por nenhum ponto regular de migração brasileiro. Isso não prova onde o senador está, e nenhum dos veículos tem confirmação sobre o paradeiro dele.

Duas fontes ligadas ao senador deram versões opostas, segundo a imprensa. O coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), disse ao Metrópoles: "Não saiu". Dois interlocutores que falaram com a segurança de Flávio na manhã de hoje disseram ao colunista Lauro Jardim, de O Globo, que ele estava em casa. Já dois aliados ouvidos pelo SBT News, conforme o Brasil de Fato, afirmaram que ele atravessou a fronteira. Cada versão é atribuída aqui a quem a deu; nenhuma foi confirmada por documento oficial.

A decisão que antecede o episódio

A checagem da PF ocorre um dia depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandar cancelar os passaportes de Flávio, proibi-lo de deixar o país e de se comunicar com o advogado Willer Tomaz, como mostra a notícia sobre a decisão de Moraes. A PF deu 24 horas para a entrega dos passaportes comum e diplomático, prazo que vence hoje. O Metrópoles lembra que Moraes é relator do processo em que Flávio e Tomaz são investigados por suspeita de lavagem de dinheiro, o que o senador nega. A decisão está sob sigilo, e o material enviado pela PF ao Supremo foi tema da notícia sobre a relatoria do caso.

Em vídeo nas redes sociais, segundo o Metrópoles, Flávio afirmou: "Nunca pensei em sair do país", disse que entregaria os passaportes e chamou a medida de "uma clara tentativa de me intimidar". Ele relacionou a decisão a uma fala do irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que em 23 de outubro teria dito que o senador deveria deixar o país se perdesse a eleição. Flávio disse: "Eu nunca falei isso". Ao ser questionado pela imprensa sobre o relato argentino, o ex-deputado ironizou, segundo o Brasil de Fato: "É o Elon Musk que está mandando um foguete". A assessoria do senador não havia se manifestado até a última atualização das reportagens.

Por que isso importa

Primeiro, pelo efeito jurídico. A proibição de deixar o país é uma medida cautelar: busca garantir que o investigado permaneça disponível para a apuração e não equivale a condenação. Se o descumprimento fosse comprovado, caberia ao relator avaliar as consequências, o que só ele pode decidir. Enquanto não houver confirmação, o episódio é uma suspeita de descumprimento levantada por um veículo estrangeiro, e não um fato apurado.

Segundo, pelo tratamento da informação. O relato nasceu em uma única fonte, o Infobae, e foi contestado pelo governo argentino, pela campanha do senador e por interlocutores dele, enquanto outros aliados o confirmaram a veículos brasileiros. Nesse cenário, o que se pode afirmar com segurança é que a PF está checando, que Moraes determinou restrições no dia anterior e que as versões divergem. O resto aguarda documento ou manifestação oficial da PF, do STF ou da defesa.

Terceiro, pelo contexto político. O caso corre dois dias depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) marcar Lula como eleito, conforme a notícia sobre o resultado do segundo turno, e no mesmo dia em que o ministro Flávio Dino tratou do inquérito da PF sobre suposta interferência estrangeira nas eleições, assunto da notícia sobre a decisão de Flávio Dino. São frentes distintas, em instâncias diferentes: a eleição está na Justiça Eleitoral, e a investigação de Flávio, no STF. A mesma régua vale para qualquer parlamentar ou campo político: investigado é investigado, e nenhuma suspeita vira fato sem decisão judicial.

O que acompanhar

Os próximos passos são a entrega, ou não, dos passaportes à PF dentro do prazo, uma nota oficial da PF ou do STF sobre a checagem, a resposta das autoridades argentinas e a manifestação formal da defesa. Também está em aberto se Moraes adotará nova medida no processo. Os resultados oficiais do pleito seguem no painel Eleições 2026. A página do senador no Congresso por dentro, em Flávio Bolsonaro, reúne votos, gastos da cota e presença em votações nominais, a partir dos dados abertos do Senado.

Fonte original

Metrópoles

metropoles.com

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Equipe Política Diária

Redação da Política Diária

A equipe da Política Diária escreve para quem quer entender a política brasileira e internacional sem torcida. Cada texto parte de fontes primárias (Diário Oficial, Câmara, Senado, STF, TSE, organismos internacionais e veículos de imprensa identificados) e é escrito em português claro, separando fato de opinião.

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