ONU aprova resolução contra embargo a Cuba, com 130 votos e Brasil a favor
Foram 130 votos a favor, 17 contra e 25 abstenções, o menor apoio desde 1995. Argentina e Paraguai votaram contra; Brasil, Uruguai e México, a favor.
A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou nesta quarta-feira (28) a resolução que pede o fim do embargo econômico, comercial e financeiro dos Estados Unidos a Cuba. Segundo a ONU News, o placar foi de 130 votos a favor, 17 contra e 25 abstenções. Em 2025, a mesma resolução havia reunido 165 votos a favor, 7 contra e 12 abstenções.
O jornal O Tempo registra que o apoio de 130 países é o menor desde 1995. O Brasil votou a favor do texto, junto com México, Uruguai, Nicarágua e Panamá, conforme levantamento do Jornal do Comércio. A resolução não é vinculante: expressa a posição da maioria dos Estados-membros, mas não obriga os Estados Unidos a mudar a política.
Como votaram os países da América Latina
De acordo com o Jornal do Comércio, na região votaram contra a resolução Argentina, Colômbia, Paraguai, Equador e Costa Rica. Abstiveram-se Chile, República Dominicana, Honduras e Peru. Bolívia, Guatemala, El Salvador e Venezuela não votaram. A reportagem afirma que os países que votaram contra são aliados do governo de Donald Trump; a ONU News não detalha, no texto consultado, a lista de países por posição.
A votação ocorreu em meio a uma campanha dos Estados Unidos na ONU contra o texto. Esse é o pano de fundo de uma votação com mais votos contrários e mais abstenções do que nos últimos anos, segundo as reportagens consultadas.
A ONU News informa ainda que todos os países de língua portuguesa votaram pelo fim do embargo. O Brasil, portanto, esteve ao lado de Portugal, Angola, Moçambique e dos demais membros da comunidade lusófona.
O que disseram Estados Unidos e Cuba
Na terça-feira (27), durante o debate, o embaixador americano Mike Waltz rejeitou a premissa da discussão e negou que exista um bloqueio. Segundo a ONU News, ele argumentou que a crise na ilha é responsabilidade do governo cubano e citou exportações de Estados Unidos, Canadá, Espanha, México, China, Rússia, União Europeia e agências da ONU para Cuba. De acordo com O Tempo, Waltz disse que os Estados Unidos venderam US$ 875 milhões em bens ao setor privado cubano entre janeiro e agosto, incluindo combustível.
O chanceler Bruno Rodríguez disse que o embargo prejudica a população cubana de forma silenciosa e com intensidade sem precedentes, e chamou Waltz de mentiroso. A ONU News relata que Rodríguez interrompeu a fala do embaixador com uma questão de ordem, o que gerou uma discussão acalorada e levou a presidência a suspender brevemente a sessão. Após a votação, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou na rede X que a maioria dos países voltou a se posicionar contra o embargo apesar da pressão americana.
O coordenador da ONU em Cuba, Francisco Pichon, afirmou que o embargo, reforçado no governo Trump, levou a uma crise energética e a um possível colapso humanitário. A Organização Mundial da Saúde alertou para o efeito da falta de energia na saúde, e a ONU informou em maio que mais de 100 mil cirurgias haviam sido adiadas no país. Altos-comissários e peritos da organização condenaram o embargo e outras sanções unilaterais, por ameaçarem direitos como saúde, vida e alimentação. Segundo a ONU News, Trump também levantou a possibilidade de intervenção militar em Cuba este ano.
O que a resolução diz e o histórico das votações
O texto reafirma a igualdade soberana dos Estados, a não intervenção e a não ingerência em assuntos internos, além da liberdade de comércio e de navegação internacionais. Manifesta preocupação com a Lei Helms-Burton, promulgada pelos Estados Unidos em 12 de março de 1996, cujos efeitos extraterritoriais afetariam a soberania de outros países, e pede que os Estados que aplicam medidas desse tipo as revoguem. O Tempo observa que a versão deste ano menciona os efeitos das restrições americanas ao fornecimento de combustível à ilha, impostas desde janeiro.
A ONU News lembra que a primeira votação, em 1992, teve 59 votos a favor, 3 contra, 71 abstenções e 46 ausências. O pico de apoio foi de 191 votos em 2015, 2016 e 2017, durante a aproximação entre Washington e Havana no governo de Barack Obama. Os Estados Unidos, com o apoio de Israel, votaram contra quase todos os anos. A queda de 165 para 130 votos em um ano é, portanto, a mudança de comportamento mais relevante desta rodada.
Por que isso importa para o Brasil
O voto brasileiro é um ato de política externa e vem num momento em que a relação com Washington aparece em outras frentes. Nos últimos dias, o assunto surgiu, por exemplo, na crítica de democratas americanos ao visto a Flávio Bolsonaro e a reação de líderes estrangeiros ao resultado do segundo turno. O resultado oficial da disputa está no painel de Eleições 2026.
A votação também mostra a divisão na vizinhança. Argentina, Paraguai, Colômbia e Equador votaram contra o texto, enquanto Brasil, México e Uruguai o apoiaram. O episódio dialoga com as tensões já registradas entre Brasília e Buenos Aires, como no caso em que o Itamaraty repudiou declarações do presidente Javier Milei sobre a eleição brasileira e no episódio em que Milei comemorou o primeiro turno de Flávio Bolsonaro. São posições de governos diferentes sobre o mesmo texto, e o registro aqui é apenas o do voto de cada país.
Para o leitor, vale separar o que a resolução faz e o que não faz. Ela não derruba o embargo, que depende de leis americanas, e não cria sanção a quem vota contra ou a favor. O efeito é político e diplomático: mede, uma vez por ano, quantos governos aceitam publicamente o argumento cubano ou o americano. Neste ano, o saldo foi de maioria a favor, mas a menor em três décadas.
Próximos passos
A resolução não altera, por si, a política de sanções americana. A questão volta à pauta da Assembleia Geral no ano que vem, quando será possível comparar se a queda de apoio se confirma ou se foi efeito da campanha americana deste ano.
Fonte original
ONU News
news.un.org
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Equipe Política Diária
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