Rubio nega que EUA tenham ajudado Flávio a sair do Brasil
Secretário de Estado diz que Trump autorizou a entrada de Flávio Bolsonaro, que já tinha visto, mas nega envolvimento nos arranjos de saída. A PF apura a fuga.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, negou neste sábado (31) que o governo americano tenha ajudado o senador Flávio Bolsonaro (PL) a deixar o Brasil. Segundo reportagem do Metrópoles, que registrou a fala em vídeo, Rubio afirmou: "Mas não estávamos envolvidos em nenhum dos arranjos para ele sair do país". Ele disse também que o presidente Donald Trump decidiu permitir a entrada de Flávio nos EUA.
De acordo com o jornal O Tempo, que reproduziu a conversa de Rubio com a imprensa, o secretário disse: "Nós não facilitamos nada. Soubemos que ele chegou aos EUA, ele já tinha um visto garantido". Os veículos consultados não informam onde nem em que evento Rubio falou, e ele não detalhou quem organizou a viagem.
O que Rubio disse e o que ficou sem resposta
Pela reportagem do Metrópoles, Rubio afirmou que o presidente deixou claro que Flávio receberia uma permissão de entrada, chamada de "parole" no direito migratório americano, ao chegar a um posto de fronteira. Em outras palavras, o governo dos EUA admite ter autorizado o ingresso do senador, mas nega ter participado da logística da saída do Brasil.
A fala deixa perguntas em aberto. Rubio não disse quem pagou ou organizou o deslocamento, nem se autoridades americanas tiveram contato com representantes de Flávio antes da chegada. A reportagem também observa que a ressalva "diretamente", usada pelo secretário ao dizer que o governo não esteve envolvido nos movimentos para tirá-lo do Brasil, não esclarece se houve algum apoio indireto. Esse ponto não foi confirmado por nenhuma fonte oficial.
Como foi a saída de Flávio, segundo as reportagens
Flávio foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, no domingo (25). Segundo o Metrópoles, na segunda-feira (26) ele visitou o pai, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, e depois foi informado por agentes da Polícia Federal da ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar os passaportes, o pessoal e o diplomático. A decisão foi tomada a pedido da PF, que apontou indícios de possível saída do país, como o site noticiou em Moraes proíbe viagem de Flávio e manda recolher passaportes.
Pelo relato do Metrópoles, ele cruzou a fronteira por Foz do Iguaçu, embarcou em um jato particular em Puerto Iguazú, na Argentina, fez escala em Guayaquil, no Equador, e chegou a Miami na manhã de quarta-feira (28). O trajeto coincide com o descrito pelo O Tempo. A Polícia Federal informou que não encontrou registro de saída dele em postos de controle migratório brasileiros e apura como a ordem judicial foi descumprida, conforme a nota sobre a checagem da PF.
Flávio é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, entre outros temas, e nega irregularidades. Investigado não é réu nem condenado. O Metrópoles lembra ainda que a proibição de viajar, por si só, não transforma alguém em foragido, e a defesa dele questiona as decisões de Moraes, como mostra a notícia sobre os três pedidos feitos ao STF.
Quem organizou o voo: versões que ainda divergem
O Metrópoles afirma que o assessor da Casa Branca Jason Miller admitiu ter organizado o jato particular. Outros veículos, ouvidos pela Agência Brasil em reportagem anterior, haviam descrito o voo como uma aeronave fretada pelo governo americano, versão tratada em Itamaraty convoca representante argentina por fuga de Flávio. As duas descrições não são idênticas, e Rubio não comentou nenhuma delas na fala registrada pelos jornais. Até aqui, quem organizou e financiou o deslocamento aparece em relatos de imprensa, sem documento oficial divulgado.
Do lado argentino, a Direção Nacional de Migrações disse que Flávio e a família entraram no país na terça-feira (27) e seguiram para o Equador, como relatado em Argentina diz que Flávio entrou e voou para o Equador. O Itamaraty convocou a encarregada de negócios argentina para pedir explicações, segundo a Reuters, enquanto o chanceler Pablo Quirno disse que o Brasil não pediu esclarecimentos.
Contexto: a reação nos Estados Unidos e no Brasil
A concessão de visto à família de Flávio já tinha provocado críticas nos EUA. Parlamentares democratas da comissão de Relações Exteriores da Câmara americana e o deputado Joaquin Castro cobraram explicações do governo Trump, como mostra a notícia sobre as críticas democratas ao visto. Esses parlamentares falam como oposição ao presidente americano, e não como autoridade que decide sobre o caso.
No Brasil, o presidente Lula comentou a chegada de Flávio aos EUA, conforme a notícia Lula critica Flávio após relato de chegada aos EUA. Aliados do senador sustentam que ele é alvo de perseguição política, tese apresentada em live recente, enquanto o governo defende que decisões do Supremo sejam cumpridas. São leituras distintas do mesmo episódio, e cada campo atribui ao outro a responsabilidade pelo desfecho.
Por que isso importa
Primeiro, pelo aspecto jurídico. A negativa de Rubio não encerra a apuração brasileira. A Polícia Federal investiga como a ordem de Moraes foi descumprida e se houve participação de terceiros. Se agentes ou aliados de governos estrangeiros colaboraram na saída, a discussão passa por cooperação internacional e por eventual responsabilidade de quem ajudou, o que só pode ser definido com provas e decisão judicial.
Segundo, pelo aspecto diplomático. A fala de Rubio separa duas coisas: autorizar a entrada de uma pessoa com visto válido, ato que o secretário atribui a Trump, e participar de arranjos para a saída do país de origem, que ele nega. Para o Itamaraty, a distinção importa porque o governo brasileiro já cobra explicações de Buenos Aires e pode ter de decidir se pede esclarecimentos também a Washington. Até aqui, não há pedido formal ao governo americano registrado nas fontes consultadas.
Terceiro, pelo ambiente pós-eleitoral. O resultado oficial do segundo turno está no painel de Eleições 2026, e a disputa política agora se desloca para o desdobramento judicial e diplomático da saída do senador. A mesma régua vale para todos: investigado é investigado, e as versões de cada lado devem ser medidas pelo que for documentado.
O que observar a seguir
O primeiro ponto é o inquérito da PF sobre o descumprimento da ordem de Moraes e se o ministro adotará novas medidas, como as defesas de Flávio pedem o afastamento do relator. O segundo é se o governo americano detalhará a base legal da autorização de entrada, já que Rubio citou apenas o visto e a decisão de Trump. O terceiro é a eventual resposta do Itamaraty e de Brasília a Washington, além de novas informações sobre quem organizou o voo. As atualizações ficam na página de notícias.
Vale registrar o limite do que se sabe: as falas de Rubio chegam por reportagens que não indicam o local nem o evento da declaração, e os detalhes do voo vêm de relatos de imprensa. A defesa de Flávio e a Casa Branca podem apresentar suas versões, que serão incorporadas quando forem divulgadas.
Fonte original
Metrópoles
metropoles.com
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Equipe Política Diária
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