Política Diária

Digite para buscar em todos os artigos e notícias.

Política Diária
Notícia

Senado marca para quarta a votação em 1º turno do fim da escala 6x1

PEC 221/2019 reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte de salário. A votação em primeiro turno está marcada para 14 de outubro e exige 49 votos.

Foto de Equipe Política DiáriaEquipe Política Diáriavia Política Diária
Senado marca para quarta a votação em 1º turno do fim da escala 6x1
Foto: Wikimedia Commons (CC BY 3.0 br) / Wikimedia Commons

O Plenário do Senado Federal deve votar na quarta-feira (14) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que acaba com a escala 6x1, em que o trabalhador atua seis dias e descansa um. Segundo a Agência Brasil, o texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados em maio de 2026, chegou ao Senado em agosto e passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no início de setembro. Agora está em fase de discussão em Plenário.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), marcou a primeira votação depois de cumprir cinco sessões de discussão, etapa exigida antes do primeiro turno. De acordo com a Rádio Senado, três dessas sessões já tinham sido feitas até 8 de outubro. Para ser aprovada, a PEC precisa de pelo menos três quintos dos votos, ou 49 dos 81 senadores, em cada um dos dois turnos.

O que a PEC propõe

Hoje a Constituição fixa a jornada máxima em 44 horas semanais. A PEC reduz esse limite para 40 horas, sem redução de salário, e garante dois dias de descanso remunerado por semana. Na prática, isso significa adotar a escala 5x2: cinco dias de trabalho e dois de folga.

A mudança não seria imediata. Conforme a Agência Brasil, 60 dias depois da promulgação as empresas deveriam garantir a escala 5x2 e uma semana de, no máximo, 42 horas. Doze meses após essa primeira redução, o limite cairia para 40 horas. A transição total, portanto, pode levar até 14 meses. Trabalhadores terceirizados da administração pública teriam uma regra de transição diferente.

O texto também traz uma exceção. Trabalhadores com diploma de ensino superior e remuneração de pelo menos R$ 21.188,87 poderiam ter a jornada definida por negociação direta com o empregador, desde que a escala 5x2 seja mantida. Acordos e convenções coletivas continuam permitidos para situações e categorias específicas, com regimes diferenciados.

Como foi a tramitação até aqui

A PEC foi aprovada pela Câmara em dois turnos, em maio de 2026, e seguiu para o Senado. A Agência Brasil informa que a base do governo tentou marcar a análise no Senado, mas Alcolumbre manteve o texto parado. Em agosto, ele o enviou à CCJ, que aprovou o fim da escala 6x1 no início de setembro. Mesmo assim, o presidente do Senado não levou a proposta ao Plenário e disse que a votação aconteceria depois das eleições.

Em 6 de outubro, segundo a Agência Senado, Alcolumbre disse que a PEC seria discutida no Plenário naquela semana e poderia ser votada em primeiro turno na seguinte. Ele afirmou que o Senado vai "cumprir integralmente o rito constitucional" e falou em reduzir a escala de trabalho de "quase 40 milhões de brasileiros que vivem na escala 6x1 há décadas". O número é uma declaração do presidente do Senado, não um dado oficial apurado pela reportagem.

No dia 9, a Agência Brasil registrou que Alcolumbre marcou a votação para a quarta-feira (14), dizendo que cumpre o compromisso de pôr o tema em pauta "com responsabilidade, diálogo e respeito ao rito regimental".

O que são as sessões de discussão e o calendário especial

Uma PEC tem um trâmite mais longo que o de um projeto de lei comum. No Senado, ela passa por sessões de discussão em Plenário antes de cada votação. Pelo que informa a Agência Senado, são cinco sessões antes do primeiro turno e outras três antes do segundo. Sem nenhum atalho, o segundo turno só poderia ocorrer depois dessas três sessões adicionais.

É aqui que entra o chamado calendário especial. A Rádio Senado informou que a liderança do governo no Senado preparava um requerimento para encurtar os prazos e permitir que os dois turnos ocorram na mesma semana. A líder do governo no Senado, senadora Teresa Leitão (PT-PE), combinou com Alcolumbre o envio do pedido, e o presidente disse que o submeteria ao Plenário assim que o recebesse. O requerimento também precisa ser aprovado em votação.

Se o Senado aprovar o texto sem mudanças, a PEC segue para promulgação pelas Mesas da Câmara e do Senado. Se os senadores alterarem o conteúdo, a proposta volta para os deputados, que precisam votar de novo.

As posições registradas

Entre as manifestações reunidas nas reportagens, o senador Paulo Paim (PT-RS) defendeu que o Senado aprove o texto por unanimidade. Segundo ele, nenhum parlamentar vai querer registrar voto contra a redução da jornada. Ele disse: "Chegou a hora da mudança." As reportagens consultadas não detalham as posições de partidos de oposição, de entidades empresariais ou de centrais sindicais, e este texto não atribui a elas nenhuma fala que não esteja nas fontes.

Por que isso importa

A escala de trabalho define a rotina de milhões de pessoas e o custo de organizar turnos nas empresas. Uma mudança constitucional altera o piso de direitos para todos, ao contrário de uma convenção coletiva, que vale para uma categoria.

Para o trabalhador, o efeito direto seria um dia a mais de descanso por semana e uma jornada formal menor, sem perda de salário. Para as empresas, a transição de 60 dias até 14 meses define o prazo para reorganizar turnos e contratações. A exceção para quem ganha acima de R$ 21.188,87 mostra que o texto tenta separar o regime geral de situações em que há negociação individual.

Do ponto de vista político, a votação testa a capacidade do Senado de reunir 49 votos em duas rodadas em pouco tempo. A reportagem sobre as maiores bancadas do Congresso ajuda a entender quem tem mais peso na Casa. Você também pode conferir cada senador na seção Congresso por dentro, com votos e presença em votações nominais.

O que observar a seguir

Na quarta-feira, o que importa é o placar do primeiro turno: se houver 49 votos ou mais, o texto avança. Em seguida, será preciso saber se o calendário especial será aprovado, o que permitiria votar o segundo turno ainda nesta semana, ou se o rito normal será seguido, com mais três sessões de discussão antes da segunda votação. Se algum trecho for alterado no Senado, a Câmara voltará a analisar a PEC.

Depois da promulgação, começa a contagem dos 60 dias para a primeira etapa da transição. O texto promulgado definirá quando cada regra passa a valer.

Fonte original

Agência Brasil

agenciabrasil.ebc.com.br

Ler na fonte original

Perguntas frequentes

A escala 6x1 prevê seis dias de trabalho e um de descanso. A PEC 221/2019 reduz a jornada semanal máxima de 44 para 40 horas, sem corte de salário, e garante dois dias de descanso remunerado por semana, o que na prática leva à escala 5x2.
Foto de Equipe Política Diária

Quem escreveu

Equipe Política Diária

Redação da Política Diária

A equipe da Política Diária escreve para quem quer entender a política brasileira e internacional sem torcida. Cada texto parte de fontes primárias (Diário Oficial, Câmara, Senado, STF, TSE, organismos internacionais e veículos de imprensa identificados) e é escrito em português claro, separando fato de opinião.

Últimas

Mais notícias

Todas as notícias →