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Governo Central tem superávit de R$ 4,8 bilhões em setembro, diz Tesouro

Resultado primário de setembro superou a mediana do mercado (déficit de R$ 7,5 bi). No ano, déficit é de R$ 90,2 bilhões. Cancelamento de precatórios ajudou, diz o Tesouro.

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Governo Central tem superávit de R$ 4,8 bilhões em setembro, diz Tesouro
Foto: Agência Senado from Brasilia, Brazil (CC BY 2.0) / Wikimedia Commons

As contas do Governo Central (Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social) fecharam setembro de 2026 com superávit primário de R$ 4,839 bilhões, contra déficit de R$ 14,4 bilhões em setembro de 2025, em valores correntes. O número consta do Relatório do Tesouro Nacional divulgado em 29 de outubro e publicado no portal do Ministério da Fazenda.

Segundo o Tesouro, o resultado ficou acima da mediana das expectativas do Prisma Fiscal, pesquisa que reúne projeções do mercado e que apontava déficit de R$ 7,5 bilhões para o mês. Foi o maior superávit para um mês de setembro desde 2023. O secretário do Tesouro Nacional, Daniel Cardoso Leal, atribuiu parte do desempenho ao cancelamento, pelo Judiciário, de R$ 12,8 bilhões em precatórios de exercícios anteriores, valores que voltaram aos cofres como receitas não administradas.

Os números de setembro e do acumulado

A receita líquida do mês foi de R$ 204,947 bilhões, contra R$ 172,487 bilhões em setembro de 2025, uma alta real de 13,6%. As receitas administradas pela Receita Federal subiram 9,9% (R$ 14,2 bilhões a mais), e as não administradas pela Receita, 78,8% (R$ 17,4 bilhões a mais). A despesa total foi de R$ 200,1 bilhões, ante R$ 186,866 bilhões um ano antes, alta real de 2,4%.

Por componente, o Tesouro Nacional e o Banco Central tiveram superávit de R$ 31 bilhões em setembro, enquanto a Previdência Social (Regime Geral) teve déficit de R$ 26,2 bilhões. A diferença entre os dois dá o resultado do Governo Central. Na comparação com setembro de 2025, a receita líquida cresceu R$ 24,6 bilhões em termos reais e a despesa total, R$ 4,7 bilhões.

No acumulado de janeiro a setembro, o Governo Central tem déficit primário de R$ 90,2 bilhões, ante R$ 100,3 bilhões no mesmo período de 2025. As despesas totais somam R$ 1,965 trilhão (R$ 1,786 trilhão em 2025), alta real de 5,4%. A receita líquida soma R$ 1,874 trilhão (R$ 1,686 trilhão), alta real de 6,5%. Em 12 meses, até setembro, o déficit é de R$ 49,5 bilhões, equivalente a 0,38% do PIB, em linha com as expectativas do Tesouro.

Contexto: o que é o resultado primário

O resultado primário é a diferença entre o que o governo arrecada e o que gasta, sem contar o pagamento de juros da dívida. Superávit significa que a receita superou a despesa naquele recorte; déficit, o contrário. O Governo Central reúne as contas do Tesouro, da Previdência e do Banco Central, e não inclui estados e municípios, que têm seus próprios resultados.

Por isso o dado mensal é volátil. Receitas pontuais, como a devolução de precatórios cancelados, entram no mês em que ocorrem e podem melhorar o número sem indicar mudança permanente na trajetória das contas. O próprio Tesouro citou o efeito dos R$ 12,8 bilhões na explicação do resultado, o que ajuda a ler o superávit de setembro com cautela. A fonte não informa qual seria o resultado sem esse efeito, e esta nota não faz esse cálculo.

O resultado também precisa ser lido junto de outros indicadores já divulgados. A arrecadação federal de setembro foi de R$ 239,4 bilhões, com alta real de 5,62%, segundo a Receita. Já a dívida bruta ficou em 82,9% do PIB no mesmo mês, conforme o Banco Central. São medidas distintas: arrecadação olha a entrada de tributos, o resultado primário confronta receitas e despesas, e a dívida mostra o estoque acumulado.

Por que isso importa

O resultado primário é a principal referência para saber se o governo cumpre a meta fiscal do ano. O déficit acumulado de R$ 90,2 bilhões em nove meses ainda não equivale a um resultado anual, já que a meta é medida sobre o ano inteiro e o regime fiscal prevê regras próprias de apuração e exclusões. A fonte consultada não traz a conta da meta, e por isso esta nota não projeta se ela será cumprida.

O dado chega num momento em que a política fiscal está no centro do debate. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o governo vai mudar a lei ou a Constituição para buscar formalmente o centro da meta fiscal, e também afirmou que o governo deve manter o subsídio a combustíveis em 2027. Esses temas dependem de decisões do Executivo e do Congresso, e o resultado mensal é um dos números que alimentam essa discussão.

Para o contribuinte e para quem acompanha a economia, há dois pontos práticos. Primeiro, a despesa cresce em ritmo real (5,4% no acumulado) próximo ao da receita (6,5%), o que mantém a pressão sobre as regras de gasto. Segundo, o déficit da Previdência, de R$ 26,2 bilhões só em setembro, segue como o principal contrapeso ao superávit das demais contas no mês. Os números são do Tesouro, e a leitura política sobre eles varia conforme a posição de cada campo.

O que observar a seguir

O Tesouro divulga o resultado de outubro em novembro, e o mercado acompanhará se o desempenho se repete sem receitas extraordinárias. Também estão no radar a votação do orçamento de 2027 e a regulamentação da reforma tributária: o TCU aprovou o cálculo de 11,3% para a CBS em 2027 e enviou o texto ao Senado, que fixa a alíquota por resolução. A mudança na tributação do consumo afeta a receita nos próximos anos.

No campo político, o governo reeleito no segundo turno de 25 de outubro, resultado que pode ser consultado no painel Eleições 2026, terá de apresentar ao Congresso as propostas de ajuste da meta e o orçamento do próximo ano. A posse está marcada para 5 de janeiro de 2027. O relatório completo do Tesouro, com a série histórica e as tabelas, está no portal da Fazenda, e esta nota será atualizada se houver revisão dos números.

Vale lembrar que as comparações com 2025 no mês estão em valores correntes, e que as altas descritas como reais já descontam a inflação. Quem for comparar com outras fontes deve conferir se a metodologia é a mesma.

Fonte original

Ministério da Fazenda (Tesouro Nacional)

gov.br

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Perguntas frequentes

Segundo o Tesouro Nacional, o Governo Central teve superávit primário de R$ 4,839 bilhões em setembro de 2026, contra déficit de R$ 14,4 bilhões em setembro de 2025. A mediana do Prisma Fiscal apontava déficit de R$ 7,5 bilhões. O Tesouro citou o cancelamento de R$ 12,8 bilhões em precatórios como fator.
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