Dívida bruta fica em 82,9% do PIB em setembro, diz Banco Central
O BC informou nesta quinta (29) que a dívida bruta do governo geral somou R$ 11,1 trilhões, igual a agosto em % do PIB, e a líquida subiu a 70,0%.

A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) chegou a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em setembro de 2026, o que equivale a R$ 11,1 trilhões. O número está na nota para a imprensa sobre estatísticas fiscais que o Banco Central divulgou nesta quinta-feira (29). O percentual é o mesmo de agosto. A DBGG reúne as dívidas do Governo Federal, do INSS e dos governos estaduais e municipais.
No mesmo documento, o Banco Central informa que a Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) atingiu 70,0% do PIB, ou R$ 9,4 trilhões, em setembro. Foi uma alta de 0,7 ponto percentual do PIB em relação ao mês anterior. Em setembro de 2025, segundo a série publicada no texto do Banco Central, a DBGG estava em 78,0% do PIB e a DLSP em 64,3%.
O que explica o número do mês
Segundo o Banco Central, a trajetória da DBGG em setembro decorreu principalmente de três fatores: os juros nominais apropriados à dívida (alta de 0,8 ponto percentual do PIB), os resgates líquidos de dívida (queda de 0,4 ponto) e o efeito da variação do PIB nominal (queda de 0,4 ponto). Em outras palavras, os juros empurraram a dívida para cima, enquanto os resgates de títulos e o crescimento da economia em valores correntes puxaram para baixo, e o saldo ficou em zero.
No acumulado de 2026, a DBGG subiu 4,3 pontos percentuais do PIB. O Banco Central atribui o avanço, em especial, à incorporação de juros nominais (7,2 pontos), às emissões líquidas de dívida (1,1 ponto), ao crescimento do PIB nominal (que reduziu a relação em 3,9 pontos) e ao efeito da valorização cambial (que reduziu em 0,2 ponto). A dívida líquida, por sua vez, cresceu 4,7 pontos no ano, com 6,6 pontos vindos dos juros nominais e 0,7 ponto do déficit primário acumulado.
Resultado primário e juros no mês
O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 5,5 bilhões em setembro, contra déficit de R$ 17,5 bilhões em setembro de 2025. O resultado primário é a diferença entre receitas e despesas antes do pagamento de juros. Por esfera, o Governo Central (Tesouro, Previdência e Banco Central) teve superávit de R$ 3,5 bilhões no mês, enquanto os governos regionais tiveram déficit de R$ 5,6 bilhões e as empresas estatais, de R$ 3,4 bilhões. Em 12 meses, o déficit primário do setor público consolidado é de R$ 70,1 bilhões, ou 0,52% do PIB, 0,09 ponto percentual menor que o acumulado até agosto.
Os juros nominais apropriados somaram R$ 107,5 bilhões em setembro, ante R$ 84,7 bilhões um ano antes. O Banco Central cita como causas o resultado menos favorável das operações de swap cambial (ganho de R$ 13,4 bilhões em setembro de 2025 e de R$ 2,8 bilhões em setembro de 2026), o crescimento do estoque da dívida e o IPCA. Em 12 meses, os juros chegam a R$ 1.205,0 bilhões, ou 8,99% do PIB, contra R$ 984,8 bilhões (7,86% do PIB) nos 12 meses até setembro de 2025. O resultado nominal, que soma primário e juros, foi deficitário em R$ 113,0 bilhões no mês e em R$ 1.275,1 bilhões (9,51% do PIB) em 12 meses.
Dívida bruta e dívida líquida: qual é a diferença
As duas medidas respondem a perguntas diferentes. A dívida bruta soma o que os governos devem, sem descontar o que têm a receber, e é a referência mais usada em comparações internacionais e por agências de classificação de risco. A dívida líquida desconta ativos do setor público, como as reservas internacionais, e considera o setor público de forma mais ampla. Por isso os dois indicadores têm níveis diferentes e nem sempre se movem juntos: em setembro, a bruta ficou estável em % do PIB e a líquida subiu.
O Banco Central também publica, na mesma nota, a sensibilidade das dívidas a variações de câmbio, juros e preços. Segundo a tabela de elasticidades de setembro, uma redução de 1 ponto percentual na taxa Selic, mantida por 12 meses, diminuiria a DBGG em R$ 64,9 bilhões, ou 0,48 ponto do PIB. Uma desvalorização de 1% do câmbio aumentaria a DBGG em R$ 9,7 bilhões, ou 0,07 ponto do PIB. A leitura é mecânica e não indica previsão de que a Selic ou o câmbio vão se mover.
Por que isso importa
A relação entre dívida e PIB é um dos termômetros mais observados da política econômica porque define quanto do Orçamento vai para o pagamento de juros e quanto sobra para saúde, educação, investimento e programas sociais. Quando a dívida cresce acima do PIB, o governo precisa de mais superávit primário no futuro para estabilizá-la, ou de juros menores. Os dados do Banco Central mostram que, em 2026, o peso dos juros foi maior que o do déficit primário: 7,2 pontos percentuais do PIB na bruta, contra emissões líquidas de 1,1 ponto.
O dado chega em um momento de transição. O Tribunal Superior Eleitoral registrou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno, como mostra a notícia sobre a totalização dos votos, e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo vai mudar a lei ou a Constituição para buscar o centro da meta fiscal. O resultado primário em 12 meses (déficit de 0,52% do PIB) é um dos números que serão comparados à meta nessa discussão. As projeções para juros e inflação aparecem no boletim Focus e entram nessa conta, já que a Selic pesa sobre o custo da dívida.
Os números do Banco Central mostram dois caminhos para segurar a relação: resultados primários melhores e juros menores, além do próprio crescimento do PIB nominal, que em 2026 reduziu a relação em 3,9 pontos na bruta. Qual combinação adotar é uma decisão do governo e do Congresso, e não está definida nos dados.
O que observar nas próximas semanas
O primeiro ponto é a próxima divulgação do Banco Central, que traz os números de outubro. O segundo é o texto que o governo pretende enviar ao Congresso sobre a meta fiscal, que ainda não tem forma nem calendário públicos, segundo as reportagens já publicadas. O terceiro é a proposta de Orçamento de 2027 e os ajustes de despesas, como os créditos que tramitam na Comissão Mista de Orçamento, que mostram como o Congresso mexe nas dotações ainda em 2026. Para acompanhar o contexto político do período, o leitor pode consultar o painel de Eleições 2026.
Os dados completos, em texto e em tabelas, estão no PDF das estatísticas fiscais de outubro de 2026, publicado pelo Banco Central.
Fonte original
Banco Central do Brasil
bcb.gov.br
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Quem escreveu
Equipe Política Diária
Redação da Política Diária
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