Ataque russo a centro de ajuda na Ucrânia deixa ao menos 37 mortos
Bombas atingiram uma escola usada como abrigo e ponto de ajuda em Komyshuvakha, em Zaporizhzhia. Moscou diz ter mirado tropas; Kiev fala em 59 desaparecidos.

Um bombardeio russo contra a vila de Komyshuvakha, na região de Zaporizhzhia, no sul da Ucrânia, matou pelo menos 37 pessoas, segundo autoridades ucranianas citadas pela Agência Brasil, em texto da Reuters publicado na quarta-feira (4). O ataque ocorreu na segunda-feira (2), em uma antiga escola que servia de abrigo e de ponto de distribuição de ajuda humanitária. Segundo o texto, o número de mortos subiu ao longo dos dias.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que as forças russas lançaram primeiro bombas aéreas sobre o prédio, quando as pessoas chegavam para receber a ajuda, e depois atingiram o abrigo com mais bombas. Ivan Fedorov, codiretor do Conselho Regional de Defesa de Zaporizhzhia, escreveu no Telegram que 59 pessoas estavam desaparecidas. O Ministério da Defesa da Rússia disse que o alvo eram unidades militares ucranianas nos arredores de Komyshuvakha e de duas outras vilas, e afirmou que até 25 soldados ucranianos morreram.
O que se sabe sobre o ataque
De acordo com a Reuters, a escola havia suspendido as aulas há bastante tempo por causa da proximidade da linha de frente, mas continuava abrigando moradores e distribuindo ajuda toda segunda-feira. Entre os mortos estão dois integrantes de uma equipe de resgate e quatro policiais, segundo os serviços de emergência. Na quarta-feira, o chefe interino da Administração Militar Regional, Mykhailo Semikin, informou que os socorristas ainda procuravam sobreviventes entre os escombros. O texto não informa o número de feridos.
O portal ucraniano Kyiv Independent registrou balanços anteriores e mais detalhes do ataque. Segundo o veículo, Zelensky chamou a ação de "exceptionally horrific strike" (um ataque excepcionalmente horrível) e disse que nove bombas aéreas atingiram o abrigo depois do primeiro golpe. O serviço estatal de emergências da Ucrânia afirmou que socorristas e policiais já estavam no local, protegidos, quando novos ataques atingiram o mesmo ponto. O veículo cita ainda que Komyshuvakha fica a cerca de 20 quilômetros da linha de frente, distância ao alcance das bombas guiadas que a Rússia costuma usar, que podem percorrer dezenas de quilômetros e permitem lançar de fora do alcance da defesa antiaérea.
Os números mudaram a cada divulgação: as primeiras contagens falavam em 18 mortos, e os balanços posteriores subiram. As cifras vêm de autoridades ucranianas, e a Política Diária não tem como confirmá-las de forma independente. A versão russa, de que o alvo era militar, também é uma declaração de uma das partes do conflito, sem verificação por terceiros nas fontes consultadas.
O contexto: trégua curta e conversas anunciadas
Segundo a Reuters, o ataque veio um dia depois do fim de uma trégua de seis dias, mediada pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, que permitiu a saída de cerca de 800 pessoas de Oleshky, cidade do sul da Ucrânia ocupada pela Rússia. Zelensky concedeu a ela uma honraria de Estado pelo papel na mediação, de acordo com o mesmo texto. A trégua, portanto, tinha objetivo humanitário e localizado, e não era um cessar-fogo geral.
O enviado americano Steve Witkoff afirmou, conforme o texto, que os Estados Unidos receberão delegações da Ucrânia e da Rússia em Abu Dhabi nos dias 10 e 11 de novembro, para tratar do fim do conflito, de arranjos de segurança no pós-guerra e da redução de tensões. A capital dos Emirados Árabes Unidos já sediou conversas entre os três países neste ano: a Al Jazeera registrou que a rodada de janeiro terminou sem acordo, embora os dois lados tenham dito estar abertos a novo diálogo.
Ataques a locais de ajuda humanitária entram no debate sobre o direito internacional humanitário, que protege civis e instalações civis e exige distinção entre alvos militares e não militares. A avaliação jurídica de cada caso cabe a órgãos competentes e depende de investigação. Nas fontes consultadas não consta, até o momento, manifestação de organismos da ONU sobre esse episódio específico, e por isso a Política Diária não atribui nenhuma conclusão a eles.
Por que isso importa
O episódio chega a poucos dias de uma rodada diplomática anunciada, e eventos desse tipo costumam pesar no clima das conversas. É um fato a observar, não uma previsão: as fontes não indicam que a reunião de Abu Dhabi esteja ameaçada, e cada lado atribui ao outro a responsabilidade pelo agravamento do conflito. Para o leitor, o que se sabe com segurança é o que as autoridades de cada país afirmaram e o que as agências de notícias puderam apurar.
Do ponto de vista humanitário, a região de Zaporizhzhia é uma das mais próximas da linha de frente, e vilas como Komyshuvakha dependem de pontos de distribuição para alimentos e itens básicos. Quando um desses pontos é atingido, o efeito vai além das vítimas diretas: a distribuição de ajuda tende a ser suspensa ou deslocada, e os moradores que ficam precisam de novos locais seguros, o que é difícil em áreas expostas a bombas guiadas.
Para o Brasil, a guerra na Ucrânia aparece sobretudo em três frentes: a diplomacia (o país é membro do Brics, bloco do qual a Rússia também faz parte, e já defendeu soluções negociadas para o conflito), o comércio de fertilizantes e de combustíveis, e o debate sobre a posição brasileira em fóruns multilaterais. A Política Diária não encontrou, nas fontes consultadas, manifestação do governo brasileiro sobre o ataque de Komyshuvakha, e por isso não atribui posição ao Itamaraty. O tema da segurança no Leste Europeu e seus reflexos já foi tratado em outras matérias, como a do pedido da Bulgária à Otan por caças e defesa antidrone.
Os Estados Unidos no centro da mediação
O papel dos Estados Unidos aparece em duas pontas desta história: a trégua mediada pela primeira-dama e a rodada anunciada por Witkoff. Ao mesmo tempo, a política interna americana mudou de patamar nesta semana, com a vitória dos democratas na eleição de meio de mandato, conforme a cobertura da AP registrada em Democratas ganham Câmara e Senado nos EUA. Segundo a Reuters, a insatisfação do eleitorado americano com a guerra contra o Irã e com o custo de vida estava entre as causas apontadas para o resultado. Como isso se traduzirá na condução das negociações sobre a Ucrânia, as fontes não dizem, e a Política Diária não especula.
Para acompanhar a relação entre Washington e Brasília no mesmo período, vale ler a notícia sobre a reunião entre o chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado Marco Rubio no G20, que mostra como a agenda externa brasileira e a americana se cruzam em fóruns multilaterais.
O que observar a seguir
Os próximos pontos são: a atualização do número de mortos e desaparecidos pelas autoridades regionais de Zaporizhzhia; eventuais manifestações de organismos internacionais sobre o ataque; a confirmação das datas e da composição das delegações em Abu Dhabi nos dias 10 e 11 de novembro; e a reação dos governos europeus e do Brasil. A Política Diária atualiza a cobertura quando houver fonte aberta e conferida, mantendo a distinção entre o que é balanço oficial de cada lado e o que foi verificado de forma independente.
Como o placar de vítimas ainda muda e o resgate segue em andamento, o número de 37 mortos deve ser lido como o balanço divulgado até a publicação do texto da Reuters na Agência Brasil, e não como cifra final. A conferência definitiva dependerá dos serviços de emergência ucranianos, e relatos posteriores de outros veículos podem trazer cifras maiores.
Fonte original
Agência Brasil (com Reuters)
agenciabrasil.ebc.com.br
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Quem escreveu
Equipe Política Diária
Redação da Política Diária
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