Campanhas de Lula e Flávio fazem atos de rua em SP e no Rio
A uma semana do segundo turno, apoiadores de Flávio Bolsonaro se reuniram na Avenida Paulista e artistas fizeram ato pró-Lula em Copacabana, no domingo (18).

As campanhas dos dois candidatos à Presidência levaram apoiadores às ruas neste domingo (18), uma semana antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro. Segundo a Agência Brasil, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) realizou manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, e o candidato fez o discurso principal. A reportagem não informa quantas pessoas estiveram no local nem cita fonte de contagem.
No Rio de Janeiro, outro texto da Agência Brasil relata que um ato em defesa da democracia e da reeleição do presidente Lula (PT) reuniu "milhares" na orla de Copacabana, na tarde de domingo, com apresentações de artistas. Também nesse caso a reportagem não traz número exato nem a origem de uma estimativa. Os dois eventos ocorreram no mesmo dia do primeiro debate do segundo turno, na Band.
O que a Agência Brasil relata da Paulista
De acordo com a reportagem, Flávio Bolsonaro disse aos apoiadores que o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, estará na posse e colocará a faixa presidencial nele. A fala citada é: "Vocês verão Jair Messias Bolsonaro colocar a faixa de presidente da República no filho dele". A Agência Brasil interpreta a declaração como sinal de que o candidato pretende buscar anistia ao pai, que, segundo o texto, cumpre prisão domiciliar em Brasília. A interpretação é da reportagem; a frase do candidato, como transcrita, não menciona anistia.
O candidato afirmou ainda, segundo a mesma matéria, que pretende indicar quatro ministros do Supremo Tribunal Federal contrários ao aborto e às drogas, e que enfrentaria Lula no debate da noite, às 20h. A reportagem registra também depoimentos de dois apoiadores: uma técnica de enfermagem de 27 anos, que defende leis mais duras, e um aposentado de 84 anos, que diz querer mudança em relação ao governo do PT. São declarações individuais, e não retratam o conjunto de quem compareceu.
O que a Agência Brasil relata de Copacabana
O ato no Rio foi organizado pelo cantor Caetano Veloso e reuniu, entre outros, Djavan, Duda Beat e Marina Sena. Segundo a reportagem, Caetano disse que o objetivo era "apresentar uma defesa da democracia" e lembrou que foi preso durante a ditadura militar, junto com Gilberto Gil e outros músicos. Djavan afirmou que o Brasil deve defender também a soberania diante de interferência estrangeira.
A atriz Leticia Sabatella criticou a família do candidato adversário, dizendo que ela "exalta torturadores", e elogiou políticas sociais do governo. O diretor de comunicação da UNE, Alejandro Guerrero, descreveu o momento como uma "encruzilhada histórica" e opôs democracia a "entreguismo" e fascismo. São posições de quem falou no palco, atribuídas a eles, e não constatações do Política Diária. O texto ainda cita uma manifestação de estudantes e trabalhadores na Candelária, de manhã, também descrita como reunindo "milhares", em que participantes falaram de Bolsa Família e de verbas das universidades públicas.
Contexto: a reta final
Os atos acontecem dentro do calendário da campanha. Pelas datas reunidas na nota sobre a última semana do segundo turno, a propaganda gratuita no rádio e na TV vai até 23 de outubro, e o prazo para carreatas, alto-falantes e distribuição de material é 24 de outubro, com uma divergência entre fontes sobre os equipamentos de som, explicada naquele texto. Ou seja, os atos de rua ainda têm alguns dias de uso permitido, e é natural que as campanhas os concentrem agora.
A disputa é apertada nas pesquisas. A rodada PoderData/Aya divulgada na sexta-feira (16) registrou empate de 50% a 50% nos votos válidos, com margem de erro de 1,8 ponto percentual. Em 4 de outubro, no primeiro turno, Flávio Bolsonaro teve 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%, números que constam do painel Eleições 2026 e de outras notas do site. Um empate técnico nas pesquisas costuma levar as campanhas a priorizar mobilização de quem já apoia o candidato e a reduzir a abstenção entre esses eleitores.
No mesmo domingo, o debate da Band reuniu os dois candidatos em estúdio. As regras do confronto estão na nota sobre o formato do debate. Esta nota trata apenas dos atos de rua e não avalia o desempenho de nenhum candidato.
Por que isso importa
Atos presenciais são uma das formas legais de campanha, e a Agência Brasil mostra que os dois lados as usam na mesma semana, em cidades de peso eleitoral. São Paulo e Rio de Janeiro estão entre os estados com mais eleitores do país, e é por isso que costumam receber os eventos de maior visibilidade. Ainda assim, o número de pessoas num ato não mede intenção de voto: a imprensa registra as manifestações, mas a medida do eleitorado vem das urnas e, até lá, das pesquisas registradas no TSE.
Há também um efeito sobre o debate público. As falas de palco entram na campanha como declarações de quem as fez, e várias podem ser checadas. A afirmação de que uma pessoa específica entregará a faixa presidencial, por exemplo, depende de decisões futuras de terceiros, e a promessa de indicar ministros do STF depende, pela Constituição, de aprovação do Senado. Quando surgem boatos sobre os atos, como o vídeo ligado a um ato pró-Lula na Paulista em 11 de outubro, que a checagem do site classificou como fora de contexto, o caminho é a seção de checagem.
Por fim, grandes concentrações exigem trabalho de segurança e de organização dos governos locais. A reportagem da Agência Brasil não relata incidentes em nenhum dos dois atos, e este texto não afirma que tenha havido ou deixado de haver ocorrências além do que está nela.
O que observar a seguir
Até sábado (24), a expectativa é de mais agendas de rua, além da propaganda gratuita, que termina na quinta-feira (23). Entre os próximos fatos verificáveis estão novas pesquisas registradas no TSE, as decisões da Justiça Eleitoral sobre propaganda e o balanço que os próprios candidatos farão do debate. O painel Eleições 2026 será atualizado quando houver dado novo com fonte, e o dia da votação, 25 de outubro, segue com apuração a partir das 17h, conforme o calendário eleitoral.
Duas limitações valem para este texto. A primeira é que não há contagem independente de público para nenhum dos atos: "milhares", no Rio, é a expressão da fonte, e a reportagem sobre a Paulista não traz número. A segunda é que as frases atribuídas a Flávio Bolsonaro, a artistas e a dirigentes estudantis vêm da Agência Brasil e não foram confirmadas em gravação própria. O Política Diária trata ambos os campos pela mesma régua: registra o que foi dito, quem disse e o que não pôde ser confirmado.
Fonte original
Agência Brasil
agenciabrasil.ebc.com.br
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Quem escreveu
Equipe Política Diária
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