Câmara aprova projeto que criminaliza voo de drones sobre presídios
Plenário aprovou o PL 5902/23, de Kim Kataguiri: pena de 1 a 5 anos de reclusão e multa por sobrevoo não autorizado perto de presídios. Texto segue para o Senado.

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (4) o Projeto de Lei 5902/23, que torna crime o sobrevoo não autorizado de drones sobre o espaço aéreo de presídios. A proposta prevê pena de 1 a 5 anos de reclusão, mais multa, segundo a Agência Câmara. A reportagem não informa o placar da votação.
O texto é de autoria do deputado Kim Kataguiri (Missão-SP) e teve como relator o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Como foi aprovado na Câmara, o projeto segue agora para análise do Senado. Para virar lei, precisa ser aprovado também pelos senadores e sancionado pelo presidente da República.
O que o projeto prevê
De acordo com a Agência Câmara, o projeto define como crime o voo de drone sem autorização sobre presídios, conduta ligada ao uso desses aparelhos para levar objetos a presos. A pena-base é de reclusão de 1 a 5 anos, com multa. Há um agravante: a pena aumenta em um terço quando o ato resultar em risco para a segurança interna da unidade prisional ou para a população.
Na justificativa, Kataguiri afirma que drones vêm sendo usados para levar celulares, drogas e até armas para dentro de presídios. O autor cita mais de 700 ocorrências em 20 estados desde 2018, número que consta na reportagem da Câmara. O Política Diária não encontrou, nas fontes consultadas, uma base oficial nacional que confirme o total.
Durante a votação houve um debate sobre a intenção de quem pilota o aparelho. O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) perguntou se alguém poderia ser punido por um erro de manuseio, sem intenção de ajudar criminosos, e lembrou que a versão anterior do texto permitia prestação de serviços à comunidade nesses casos. Nikolas Ferreira respondeu que, se a conduta não for dolosa, a pessoa não responde por crime, porque o crime não se configura.
Como o tema chegou ao Plenário
O sobrevoo de drones em presídios é assunto recorrente no Congresso. Em novembro de 2025, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou outro texto, o PL 3835/2024, do deputado Sargento Portugal (Pode-RJ), que trata do uso de drones por organizações criminosas. Pela Agência Câmara, aquele projeto prevê reclusão de 2 a 6 anos para a organização criminosa que possuir aeronave remotamente pilotada destinada a planejar ou executar crimes, e de 5 a 12 anos para quem disparar arma de fogo ou lançar explosivo a partir de um drone.
Naquela ocasião, o relator, deputado Carlos Jordy (PL-RJ), afirmou haver "uma lacuna na legislação penal brasileira" diante do aumento de casos de drones usados para entrega de armas, drogas e celulares em presídios. Os dois projetos são distintos: o PL 3835/2024 foca em facções e em ataques, e o PL 5902/23, aprovado hoje, foca no sobrevoo não autorizado sobre a unidade prisional.
Por que isso importa
A entrada de celulares, drogas e outros itens em presídios é um dos problemas da segurança pública que os governos estaduais descrevem há anos. O drone é uma das vias usadas, porque permite que o objeto seja lançado por cima dos muros sem passar pelas revistas de entrada. A proposta tenta criar um tipo penal específico para o sobrevoo, e não apenas para o objeto que chega ao preso.
Para quem opera drones de forma legal, o ponto de atenção é o limite da lei. O debate no Plenário mostrou a preocupação de que um piloto que cometa falha sem intenção seja tratado como criminoso. A resposta do relator foi que o crime exige a conduta dolosa, mas a redação final do texto, que ainda passa pelo Senado, é que vai definir como a regra será aplicada na prática pelos juízes.
Há ainda um efeito sobre a divisão de tarefas entre Estados e União. A segurança dos presídios estaduais cabe, no dia a dia, aos governos dos estados, enquanto a definição de crimes e penas é matéria do Congresso. Uma pena específica para o sobrevoo, se for aprovada, daria às autoridades uma base legal para agir contra quem pilota o aparelho, e não apenas contra o objeto lançado.
O tema também se conecta à agenda de segurança do Congresso nesta semana. O Senado aprovou em duas votações a PEC da Segurança Pública, que aguarda promulgação, e uma comissão da Câmara aprovou o projeto que muda regras de posse e porte de armas. São frentes diferentes, mas todas dentro do mesmo debate sobre como reforçar o combate ao crime organizado.
O que observar a seguir
O próximo passo é a chegada do PL 5902/23 ao Senado, onde será despachado para as comissões e, em seguida, para o Plenário, se for o caso. Se os senadores alterarem o texto, ele volta à Câmara para nova votação das mudanças. Se aprovarem sem alterações, o texto vai à sanção presidencial, quando o presidente pode sancionar ou vetar.
O Congresso também tem uma agenda cheia até o fim do ano, com a votação do orçamento de 2027 até 17 de dezembro. Isso pode afetar o ritmo de análise de projetos de segurança no Senado. Não há data marcada para a votação do PL 5902/23 na Casa vizinha, e a Agência Câmara não informa prazo.
Quem quiser acompanhar pode consultar a tramitação do projeto no site da Câmara. As páginas dos parlamentares citados reúnem votos e dados públicos na seção Congresso por dentro, e as notícias mais recentes sobre a Câmara estão em Notícias.
Outros temas votados hoje no Congresso incluem o PL 1.822/2024 sobre internação de adolescentes dependentes de drogas, aprovado na Comissão de Direitos Humanos do Senado.
Fonte original
Agência Câmara
camara.leg.br
Perguntas frequentes
Quem escreveu
Equipe Política Diária
Redação da Política Diária
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