Ibovespa sobe 0,47% e dólar cai abaixo de R$ 5 antes do 2º turno
Bolsa fechou a 205 mil pontos e o dólar a R$ 4,993 na sexta (23), última sessão antes da votação. Analistas falam em cenário binário e citam fiscal e juros.
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou a sexta-feira (23) em alta de 0,47%, aos 205.083 pontos, e o dólar recuou cerca de 0,9%, para R$ 4,993, voltando a ficar abaixo de R$ 5. Foi a última sessão de negociação antes do segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25), entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Os números constam da cobertura do InvestNews sobre o pregão.
A bolsa abriu em leve alta, chegou a recuar e se recuperou ao longo do dia. Segundo o Times Brasil, que também acompanhou a sessão, o índice oscilou entre 203.428 e 205.757 pontos e movimentou R$ 30,7 bilhões. Na semana, o Ibovespa teve queda de 0,17% e o dólar, de 1,58%, de acordo com o mesmo veículo. As duas leituras coincidem no essencial: o mercado chegou à véspera da votação sem grandes sustos, mas com o humor atrelado ao resultado das urnas.
O que mexeu com os preços na sexta
Os juros futuros acompanharam o movimento de alívio, segundo o InvestNews. O contrato de depósito interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2028 caiu 0,07 ponto percentual, para 12,86%, e o de janeiro de 2031 recuou 0,06 ponto, para 12,66%. No Tesouro Direto, o prefixado 2032 passou de 12,96% para 12,89% ao ano, e o IPCA+ 2040 foi de 6,58% para 6,53%.
Do lado das empresas, o Times Brasil registra alta das ações da Petrobras no dia: a PETR4 subiu 1,42%, para R$ 58,65, e a PETR3, 0,79%, para R$ 65,24. A reportagem atribui o avanço ao petróleo mais caro e às expectativas políticas em torno das estatais. No exterior, o mesmo texto cita petróleo em alta, juros dos títulos do Tesouro americano em elevação e incertezas sobre a política do banco central dos Estados Unidos como fatores de pressão sobre os mercados globais.
O dia também teve um dado local de peso. Na quinta-feira (22), o IBGE divulgou o IPCA-15 de outubro, de 0,32%, abaixo dos 0,70% de setembro e das projeções, o que ajudou o humor dos investidores, como mostra a notícia sobre a prévia da inflação. Em 12 meses, a prévia acumula 4,62%, acima do teto de 4,5% da meta.
De onde o mercado vem: do pós-primeiro turno até a véspera
O InvestNews lembra que o Ibovespa tocou a mínima de 166.335 pontos em 17 de agosto e subiu de forma gradual enquanto as pesquisas mostravam a vantagem de Lula encolhendo. Fechou em 192.115 pontos em 2 de outubro e saltou para 206.912 em 5 de outubro, quase 8% a mais, depois do primeiro turno. O dólar, que valia R$ 5,22 em 2 de outubro, passou a operar perto de R$ 5, queda de 4,2% no período. Esse movimento foi detalhado na cobertura do mercado após o primeiro turno.
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro teve 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%, resultado que consta no painel de eleições do site. O PL elegeu a maior bancada da Câmara e do Senado, tema de outra notícia sobre a composição do Congresso em 2027. Desde então, os institutos de pesquisa passaram a registrar um quadro de equilíbrio: o Datafolha, que ouviu 2.520 pessoas entre 20 e 22 de outubro (registro BR-09709/2026), apontou 50% a 50% nos votos válidos, segundo a CNN Brasil. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O PoderData/Aya também havia encontrado empate.
Os cenários que os analistas descrevem
O InvestNews trata o momento como binário e reúne projeções de instituições para depois da votação. Num cenário de melhora fiscal, a Eleven Financial vê o Ibovespa entre 235 mil e 250 mil pontos até o fim de 2027. O Itaú BBA projeta até 246 mil pontos se reformas fiscais mais profundas forem consolidadas, e o Morgan Stanley fala em dólar a R$ 4,50 no primeiro trimestre de 2027 e Ibovespa a 250 mil, desde que um plano fiscal crível seja apresentado e o cenário global siga estável.
No cenário oposto, o texto afirma que Citi e Goldman Sachs esperam a reversão da alta registrada depois do primeiro turno, e o UBS Wealth Management enxerga o dólar a R$ 5,40. O InvestNews acrescenta que o Ibovespa poderia voltar a cerca de 160 mil pontos, nível em que começou 2026. O economista-chefe da Blue3 Investimentos, Roberto Simioni, avalia que uma vitória de Lula tende a ser lida de início pelo mercado como maior risco fiscal, o que pressionaria câmbio e bolsa.
O Times Brasil, por sua vez, ouviu Felipe Corleta, sócio da Brasil Wealth, que descreve as expectativas eleitorais como decisivas para os ativos na sexta e diz que parte dos investidores associa uma troca de governo a caminhos distintos para gastos e juros. Ele afirma que o desempenho depois da eleição dependerá dos sinais sobre a política econômica e dos nomes da futura equipe. Passada a fase de expectativa, o texto prevê que fatores externos, como petróleo, juros americanos e inflação, voltem a pesar mais.
Por que isso importa
Para quem não investe em bolsa, o câmbio e os juros chegam ao bolso por caminhos conhecidos. O dólar influencia o preço de combustíveis, trigo e eletrônicos importados, e os juros de longo prazo indicam quanto custa o crédito para o governo, as empresas e as famílias. Por isso o Banco Central, o Tesouro e o Ministério da Fazenda acompanham a reação dos mercados à eleição, e a transição entre governos costuma ser lida pelos operadores como sinal de rumo para as contas públicas.
Vale separar o que o mercado diz do que a política decide. Os preços de sexta refletem apostas, e analistas de bancos diferentes apresentam projeções opostas para o mesmo resultado. As projeções citadas acima são cenários de instituições privadas, não previsões oficiais, e nenhuma delas substitui o que o presidente eleito, a equipe econômica e o Congresso farão com o orçamento.
Há também temas já em andamento no governo que atravessam a mudança de comando. Entre eles estão o subsídio aos combustíveis, tratado na MP 1.395, que abriu crédito extraordinário e tramita no Congresso, e a posição do ministro da Fazenda, Dario Durigan, sobre manter a ajuda em 2027, noticiada em outra reportagem. Qualquer decisão sobre preços da Petrobras ou sobre o subsídio depois da posse terá efeito direto sobre a inflação e sobre o caixa da União.
O que observar a partir de domingo
A votação ocorre no domingo (25), com a apuração feita pelo Tribunal Superior Eleitoral. O mercado financeiro não opera aos fins de semana, de modo que a primeira reação em preços só vem na segunda-feira (26), quando o pregão for reaberto. Até lá, o que existe são as fotografias de sexta: Ibovespa em 205.083 pontos, dólar a R$ 4,993 e juros futuros em leve queda.
Os pontos de atenção, segundo os analistas ouvidos pelos veículos citados, são três. O primeiro é a sinalização sobre a política fiscal e o nome do futuro ministro da Fazenda. O segundo é o rumo dos juros, já que a Selic depende em parte do ambiente de contas públicas e de inflação. O terceiro é o cenário externo, com petróleo e juros americanos em alta, que pode amplificar ou atenuar o efeito do resultado. Os resultados oficiais do segundo turno serão acompanhados no painel de eleições, com fonte e horário de cada atualização.
Para o leitor que acompanha a economia, a recomendação é separar o ruído do primeiro dia da tendência dos seguintes. Movimentos fortes logo após uma eleição são comuns e nem sempre se mantêm, como o salto de quase 8% do Ibovespa em 5 de outubro, que o próprio InvestNews usa como referência.
Fonte original
InvestNews
investnews.com.br
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