Lula tem a maior votação absoluta já obtida por um presidenciável
Com 64.256.232 votos, Lula superou o próprio recorde de 2022, mas o percentual de 51,79% dos válidos fica longe dos 61,27% de 2002, segundo a Agência Brasil.

A votação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno de 25 de outubro de 2026 é a maior já recebida por um candidato à Presidência no país em número absoluto de votos, segundo reportagem da Agência Brasil publicada na segunda-feira (26). Lula somou 64.256.232 votos, contra 60.345.999 que obteve em 2022, quando venceu Jair Bolsonaro no segundo turno. A diferença entre as duas eleições é de 3.910.233 votos, conta feita a partir dos dois números.
O recorde, porém, é de volume, não de proporção. Os 51,79% dos votos válidos de 2026 ficam abaixo dos 61,27% que o próprio Lula teve em 2002 contra José Serra (PSDB), a maior fatia da série histórica listada pela agência. A reportagem explica a diferença pelo tamanho do eleitorado: em 1989 eram pouco mais de 82 milhões de eleitores, e hoje são mais de 158 milhões. Os números de 2026 já haviam sido registrados no arquivo oficial do TSE, e o painel Eleições 2026 traz o resultado completo com fonte e data.
Os maiores totais de votos de um vencedor
A Agência Brasil lista os votos obtidos pelo vencedor de cada eleição presidencial desde 1989. Em ordem decrescente de votos, a tabela publicada pela agência é esta:
| Ano | Vencedor (partido) | Votos |
|---|---|---|
| 2026 | Lula (PT) | 64.256.232 |
| 2022 | Lula (PT) | 60.345.999 |
| 2006 | Lula (PT) | 58.295.042 |
| 2018 | Jair Bolsonaro (PSL) | 57.797.847 |
| 2010 | Dilma Rousseff (PT) | 55.752.529 |
| 2014 | Dilma Rousseff (PT) | 54.501.118 |
| 2002 | Lula (PT) | 52.793.364 |
| 1998 | Fernando Henrique Cardoso (PSDB) | 35.936.916 |
| 1989 | Fernando Collor (PRN) | 35.090.206 |
| 1994 | Fernando Henrique Cardoso (PSDB) | 34.377.829 |
Na outra régua, a do percentual dos votos válidos, a ordem muda. Segundo a mesma reportagem, o topo é ocupado por Lula em 2002 (61,27%), Lula em 2006 (60,83%), Dilma Rousseff em 2010 (56,05%) e Jair Bolsonaro em 2018 (55,13%). Lula em 2026 aparece em oitavo lugar, com 51,79%, à frente apenas de Dilma Rousseff em 2014 (51,64%) e do próprio Lula em 2022 (50,90%).
Por que o recorde de votos não é recorde de percentual
O número absoluto de votos cresce com o eleitorado. Em 1989, primeira eleição direta para presidente depois do regime militar, havia pouco mais de 82 milhões de eleitores aptos. Em 2026, o TSE contabilizou 158.745.502 aptos, quase o dobro. Por isso, um candidato pode bater recorde de votos com uma fatia relativamente apertada do total, que é o caso de 2026.
A margem entre os dois candidatos também precisa ser lida junto. Pelo arquivo do TSE, Flávio Bolsonaro (PL) teve 59.826.041 votos, ou 48,21% dos válidos, uma diferença de 4.430.191 votos para o vencedor. O segundo colocado, portanto, também teve uma votação expressiva em números absolutos, o que ajuda a explicar a divisão do eleitorado que os dois campos descrevem de formas diferentes.
De onde vieram os votos a mais
Em outra reportagem, a Agência Brasil compara o primeiro e o segundo turnos. Lula passou de quase 53,9 milhões de votos em 4 de outubro para 64,3 milhões no segundo turno, ganho de cerca de 10,3 milhões segundo a agência, e cresceu em todos os 26 estados e no Distrito Federal.
O maior acréscimo foi em São Paulo, com 2,6 milhões de votos a mais. Em Minas Gerais, ele subiu de 5,1 milhões para 6,3 milhões, e no Rio de Janeiro ganhou mais de 872 mil. Os menores ganhos foram em Roraima (pouco mais de 9 mil), no Acre (9,7 mil) e no Amapá (10,4 mil).
Flávio Bolsonaro também ampliou o número de votos na maioria dos estados, mas em escala menor, segundo a reportagem. Ele perdeu votos em seis: Maranhão, Acre, Amapá, Roraima, Amazonas e Tocantins. Minas Gerais foi o único estado em que o primeiro colocado mudou: Flávio liderava no primeiro turno, com 5,7 milhões, e Lula passou à frente no segundo, 6,3 milhões a 6,2 milhões. A agência não informa a fonte dos dados por estado, e o painel do TSE é a referência oficial para conferir cada número.
Por que isso importa
O primeiro efeito é de leitura do resultado. Votação recorde em número absoluto e vitória por 51,79% dos válidos são fatos compatíveis, e cada campo político tende a enfatizar um deles. Quem destaca o recorde aponta a base de votos reunida pelo presidente eleito. Quem destaca o percentual lembra que a eleição foi decidida por margem estreita, e que quase metade do eleitorado válido votou no outro candidato. As duas leituras partem de números que constam da mesma fonte.
O segundo efeito é político-institucional. O presidente eleito chegará à posse, marcada para 5 de janeiro de 2027, com uma votação histórica, mas com um Congresso em que o PL formará a maior bancada nas duas Casas. A força eleitoral do presidente não se converte automaticamente em votos no Legislativo, onde a base precisa ser negociada projeto a projeto, como mostra a movimentação para votar pautas antes da posse.
O terceiro é o ambiente pós-eleição. O candidato derrotado pediu a cassação da chapa vencedora, e a prorrogação da votação em 25 de outubro é tema de disputa, com análises sobre quantos votos foram dados nas horas extras, como no levantamento sobre os votos da prorrogação. Os números do recorde, por si, não respondem a essas questões, que dependem de decisão da Justiça Eleitoral.
O que observar a seguir
Os próximos passos formais são a diplomação do presidente eleito pelo TSE e a posse em 5 de janeiro. Até lá, o tribunal pode analisar eventuais pedidos apresentados contra o resultado. Também vale acompanhar a recomposição das bancadas na Câmara e no Senado, a partir de 1º de fevereiro, que definirá o tamanho da base com que o governo contará.
Para quem quer entender como o voto e as instituições se relacionam depois de uma eleição apertada, a resenha de Como as democracias morrem e a de A democracia na América, de Tocqueville, oferecem referências de leitura sobre o tema.
Ressalva de método: os totais históricos e os dados por estado vêm da Agência Brasil, que não nomeia a instituição que apurou os votos nas reportagens consultadas. Os números de 2026 para Lula e Flávio coincidem com o arquivo oficial do TSE já publicado neste site. Os de eleições anteriores não foram reconferidos um a um no portal do tribunal.
Fonte original
Agência Brasil
agenciabrasil.ebc.com.br
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Quem escreveu
Equipe Política Diária
Redação da Política Diária
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