TSE faz balanço do 2º turno: 1.551 urnas trocadas e 2.265 processos
Kassio Nunes Marques citou abstenção de 19,21%, 1.551 urnas substituídas e 2.265 processos no TSE, e disse que a prorrogação da votação exigiu medidas extraordinárias.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, fez na noite de domingo (25) o balanço do segundo turno das eleições de 2026. Segundo a Agência Câmara de Notícias, ele informou que, das 499.248 urnas usadas, 1.551 (0,31%) precisaram ser substituídas, e que a abstenção ficou em 19,21%, abaixo dos 21,08% do primeiro turno.
O ministro também falou sobre a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou a votação até as 19h nas seções que ainda estavam abertas. Segundo a CartaCapital, Nunes Marques disse que a medida gerou dificuldades ao processo eleitoral e que não havia norma que autorizasse a prorrogação. A Agência Câmara registra que ele afirmou que a decisão foi cumprida integralmente e que a apuração não foi comprometida.
Os números citados pelo presidente do TSE
Os dados abaixo foram apresentados por Nunes Marques e reproduzidos pelas duas fontes citadas. Esta redação não os recalculou.
- Eleitorado: cerca de 158 milhões de brasileiros estavam aptos a votar; mais de 128 milhões compareceram.
- Abstenção: 19,21% no segundo turno, contra 21,08% no primeiro. Pelo arquivo de resultados do TSE, usado na nota sobre o resultado da totalização, o índice foi de 19,22%; a diferença é de um centésimo e vem do momento em que cada número foi consolidado.
- Urnas: 499.248 utilizadas e 1.551 trocadas (0,31%). Em balanço parcial feito durante a votação, a nota sobre as primeiras horas registrou 467 trocas, e uma cobertura regional citou 900 em balanço parcial. O total de 1.551 é o balanço final apresentado pelo presidente do TSE.
- Processos: 2.265 processos originários chegaram ao TSE ao longo das eleições de 2026, entre eles 827 representações.
- Papel: segundo a TV Senado, em balanço parcial, nenhuma seção precisou votar em cédula de papel.
Pelo relato da Agência Câmara, Nunes Marques ressaltou que a queda da abstenção é "especialmente importante" diante do debate sobre dificuldades de acesso ao voto. Ele lembrou que o STF definiu em 2022 parâmetros para o transporte coletivo gratuito nos dias de votação e que os tribunais regionais foram orientados a fiscalizar o serviço nos dois turnos.
O que a prorrogação exigiu, segundo o TSE
O ministro disse ter recebido o pedido de prorrogação por volta das 15h30 e que consultou o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia, prefeituras e equipes técnicas do TSE. Conforme a Agência Câmara, ele afirmou que não era possível, em poucas horas, "construir um juízo de certeza" de que a mudança não afetaria de forma significativa a apuração.
Para que servidores e integrantes do tribunal não vissem resultados enquanto havia gente votando, o TSE bloqueou temporariamente o recebimento dos boletins de urna de todo o país. Nunes Marques chamou isso de "contenção extraordinária nos boletins de urna". Depois das 19h, a equipe técnica retomou o recebimento dos pacotes e a divulgação, como descrito na nota sobre a retomada da totalização.
A decisão de Zanin atendeu a um pedido da campanha de Lula, motivado por relatos de dificuldade no transporte coletivo. A campanha de Flávio Bolsonaro também havia pedido ampliação do horário em municípios afetados por chuvas, segundo a Agência Câmara. Para ler o que foi decidido e quando, veja a nota sobre a prorrogação até as 19h.
Nunes Marques esclareceu, segundo a mesma agência, que suas declarações não eram uma crítica à decisão judicial, e sim uma resposta a questionamentos sobre a demora na análise do pedido. Na avaliação dele, prorrogar uma eleição é possível, mas exige planejamento e estrutura.
Contexto: quantas decisões a Justiça Eleitoral tomou
Os 2.265 processos originários contabilizados pelo TSE incluem 827 representações. Nunes Marques avaliou, conforme a Agência Câmara, que esse volume afeta o tempo de resposta do tribunal e defendeu que a celeridade, embora indispensável, não pode se sobrepor à adequada prestação jurisdicional. Exemplos recentes de decisões desse tipo estão nas notas sobre a ordem a plataformas em tratamento igual a Lula e Flávio e sobre o prazo dado ao Meta e ao X por vídeo removido.
Sobre a segurança do sistema, o ministro disse que observadores nacionais e internacionais acompanharam etapas do processo e que a missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) não identificou interferência externa. A CartaCapital acrescenta que ele citou auditorias independentes, entre elas uma da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), que teriam encontrado os sistemas íntegros. Esta redação não abriu os relatórios mencionados e atribui as conclusões a quem as apresentou.
Por que isso importa
O balanço fixa números oficiais de uma eleição em que a votação foi estendida por decisão de um ministro do STF e em que o candidato derrotado, Flávio Bolsonaro (PL), disse que pediria a anulação do pleito, como mostra a nota sobre o anúncio do pedido. Qualquer ação desse tipo será analisada pela Justiça Eleitoral com base em provas, e as informações do presidente do TSE sobre urnas, abstenção e bloqueio dos boletins passam a ser referência pública para essa discussão.
Há dois pontos distintos. O primeiro é operacional: a taxa de 0,31% de urnas trocadas e a ausência de seções com cédula de papel indicam como a logística funcionou, segundo o TSE. O segundo é jurídico: a divergência entre o presidente do TSE, para quem não havia norma que previsse a prorrogação, e a decisão de Zanin, tomada a pedido de uma das campanhas, será tema de manifestações formais se houver ação no tribunal. Até a publicação desta nota, esta redação não encontrou em duas fontes abertas a confirmação de que um pedido de anulação tenha sido protocolado.
Para o eleitor, o dado de comparecimento também conta: com 19,21% de abstenção, mais de 128 milhões de pessoas votaram no segundo turno, segundo o TSE.
O que observar a seguir
Os próximos passos previstos são a proclamação do resultado e a diplomação pelo TSE, a eventual entrada de ações contestando o pleito e o julgamento delas, além dos primeiros atos da transição de governo. A posse presidencial está marcada para 5 de janeiro de 2027, conforme a Emenda Constitucional 111/2021. A totalização, que é a soma dos votos, não se confunde com a diplomação, ato formal em que o tribunal entrega o diploma ao eleito.
O painel Eleições 2026 reúne os resultados e as datas, e novas informações de fonte oficial entram em nota própria.
Fonte original
Agência Câmara de Notícias
camara.leg.br
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Quem escreveu
Equipe Política Diária
Redação da Política Diária
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