TSE lacra sistemas e emite zerésima na véspera do segundo turno
Em cerimônia em Brasília, o TSE verificou os sistemas de totalização e emitiu a zerésima para Lula e Flávio Bolsonaro. Entenda o que foi feito e o que vem a seguir.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realizou neste sábado (24), em Brasília, a cerimônia de verificação dos sistemas eleitorais e de emissão da zerésima da totalização, na véspera do segundo turno das eleições de 2026. Segundo a Gazeta do Povo, o procedimento confirmou que os programas instalados no tribunal são os mesmos que foram inspecionados pelas entidades fiscalizadoras, receberam assinatura digital e tiveram os códigos lacrados.
A zerésima da totalização é o documento que atesta a ausência de votos previamente registrados para os candidatos. Neste caso, vale para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que disputam a Presidência no domingo (25). O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou, conforme a mesma reportagem, que "os sistemas que acabamos de verificar estão prontos, autênticos e blindados contra qualquer ingerência indevida".
O que foi verificado na cerimônia
De acordo com a Gazeta do Povo, foram examinados cinco sistemas: Transportador de Arquivos, Transportador Web, Receptor de Arquivos de Urna (RecArquivos), Informação de Arquivos de Urna (InfoArquivos) e Sistema de Gerenciamento da Totalização (Sistot). Em termos simples, são os programas que recebem os dados que saem das urnas, os transmitem pela rede da Justiça Eleitoral e somam os votos para chegar ao resultado.
A reportagem informa que participaram da cerimônia representantes do Ministério Público Federal (MPF), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), além de observadores internacionais. Nunes Marques disse que, desde outubro do ano passado, foram abertas 40 oportunidades de fiscalização e auditoria dos sistemas, segundo o texto. A Midiamax, em texto da Agência Estado publicado às 14h35, registra a mesma fala do presidente do TSE e acrescenta que ele citou relatórios internacionais que reconhecem a capacidade operacional da Justiça Eleitoral.
O que é a zerésima
Zerésima é o nome dado ao relatório que mostra a contagem zerada antes de a votação começar. Segundo a Midiamax, o boletim sai com todos os valores em zero e faz parte da verificação do equipamento antes do uso pelos eleitores. Há mais de uma zerésima em uma eleição: a da totalização, emitida pelo TSE, e a de cada urna, impressa na seção eleitoral antes da abertura da votação, procedimento que também se repete a cada turno.
No primeiro turno, em 3 de outubro, o TSE fez uma cerimônia equivalente, como relatou a CNN Brasil. Na ocasião, o secretário de Tecnologia da Informação do tribunal, Júlio Valente, explicou que a zerésima garante a inexistência de votos prévios para presidente. A repetição do rito agora, com os dois candidatos do segundo turno, é parte do calendário normal da disputa.
O que muda para o eleitor no domingo
A cerimônia não altera nada na rotina de quem vai votar. A votação ocorre das 8h às 17h, horário de Brasília, como já informado na nota sobre a última semana do segundo turno. Quem tem dúvida sobre o endereço da seção deve conferir o local antes de sair de casa, pois o TSE informou que 4.352 seções mudaram de local. As regras dentro da cabine, incluindo o uso do celular, estão em outra nota sobre a ordem de votação no segundo turno.
Na seção, o mesário imprime a zerésima da urna antes da abertura, e a votação só começa depois disso. Ao final da votação, a urna emite o boletim com o total de votos, e é esse boletim que alimenta os sistemas que acabaram de ser lacrados no TSE.
Por que isso importa
O lacre e a assinatura digital dos programas existem para que qualquer entidade fiscalizadora possa comprovar que o código usado na totalização é o mesmo que foi auditado. Se um programa fosse alterado depois da inspeção, a assinatura deixaria de bater. Por isso a cerimônia ocorre sempre perto da votação, com representantes de instituições externas ao tribunal, como MPF e OAB.
Para o leitor, o efeito prático é de transparência do processo, e não de resultado: a cerimônia não antecipa vencedor nem altera regra. A fala de Nunes Marques sobre a confiança dos eleitores é a posição do presidente do tribunal, e este texto a registra como tal. Partidos, candidatos e entidades fiscalizadoras podem acompanhar os procedimentos e apresentar questionamentos pelos canais da Justiça Eleitoral, e eventuais contestações seguem o rito legal.
O tema da urna eletrônica é frequente em boatos nesta época. Mensagens que afirmam haver votos pré-gravados ou troca de urnas circulam em todas as eleições, e o caminho para verificar é buscar a fonte primária, como o TSE, os tribunais regionais e a imprensa identificada. A seção de checagem do site trata dos casos que aparecem, como o da urna trocada em Parnamirim. O que esta nota registra é apenas o que o TSE e os veículos citados informaram sobre a cerimônia de hoje.
O que observar a seguir
No domingo, a votação começa às 8h e termina às 17h. Após o encerramento, as urnas transmitem os boletins e a totalização começa. Os resultados são divulgados pelo TSE, e o painel Eleições 2026 será atualizado com a apuração do segundo turno, sempre com fonte e horário. Além da Presidência, o segundo turno inclui disputas por governo em alguns estados e no Distrito Federal, segundo a Gazeta do Povo, e o tema está detalhado na nota sobre o segundo turno para governador.
Uma ressalva de apuração: o site do TSE bloqueou o acesso automatizado nesta apuração, e por isso as informações da cerimônia vêm da imprensa. A reportagem da Gazeta do Povo é de 24 de outubro, às 15h48, e a da Midiamax, de 14h35 do mesmo dia. Os números de sistemas e de oportunidades de fiscalização são os informados por esses veículos, atribuídos ao presidente do tribunal, e podem ser conferidos na nota oficial do TSE sobre a cerimônia.
Fonte original
Gazeta do Povo
gazetadopovo.com.br
Perguntas frequentes
Quem escreveu
Equipe Política Diária
Redação da Política Diária
A equipe da Política Diária escreve para quem quer entender a política brasileira e internacional sem torcida. Cada texto parte de fontes primárias (Diário Oficial, Câmara, Senado, STF, TSE, organismos internacionais e veículos de imprensa identificados) e é escrito em português claro, separando fato de opinião.