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Lagarde anuncia saída da presidência do BCE em fevereiro de 2027

Presidente do Banco Central Europeu deixa o cargo em 7 de fevereiro, nove meses antes do fim do mandato. Líderes da UE abrem a escolha do sucessor antes da eleição francesa.

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Lagarde anuncia saída da presidência do BCE em fevereiro de 2027
Foto: Norbert Nagel (CC BY-SA 3.0) / Wikimedia Commons

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, de 70 anos, anunciou na quinta-feira (29) que vai deixar o cargo em 7 de fevereiro de 2027, nove meses antes do fim do mandato de oito anos, que terminaria em 31 de outubro de 2027. As informações são da Associated Press, publicada pela ABC News. O anúncio foi feito no mesmo dia em que o BCE manteve a taxa básica de juros em 2,5%.

Perguntada sobre o motivo, Lagarde disse que queria liberdade de expressão em temas que não são de política monetária e afirmou que não consegue mais "estar confortável" com a neutralidade exigida do cargo "neste momento", sem detalhar. Em vídeo publicado na rede X, ela disse deixar a instituição "com a sensação de trabalho bem feito", segundo a AP. A Agência Brasil, em texto da Reuters, relata que ela afirmou que não será candidata à Presidência da França, mas que defenderá valores pró-europeus no país.

Como será a escolha do sucessor

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, disse que o processo de seleção "será iniciado hoje" e seguirá "sem demora", de acordo com a Fortune. Além da presidência, há outras duas vagas na cúpula do banco: a diretora Isabel Schnabel deixa o posto em 3 de janeiro para integrar o Fundo Monetário Internacional (FMI), e o mandato do economista-chefe Philip Lane termina em 31 de maio.

A AP afirma que os líderes da União Europeia devem negociar um pacote para distribuir os três cargos entre países-membros. O economista Holger Schmieding, do banco Berenberg, estima que o acordo saia antes da cúpula europeia de 17 e 18 de dezembro. Ele cita como nomes mais fortes para a presidência o ex-presidente do banco central holandês Klaas Knot e Pablo Hernández de Cos, diretor-geral do Banco de Compensações Internacionais (BIS). São avaliações de analista: nenhum candidato foi oficializado.

O que é o BCE e quem decide

O BCE define os juros dos 21 países que usam o euro. A presidente comanda o Conselho do BCE, órgão que reúne os dirigentes do banco e os presidentes dos bancos centrais nacionais da área do euro. Lagarde, ex-diretora-gerente do FMI, assumiu em 2019, no lugar de Mario Draghi, segundo a AP. Em 2020, o banco lançou um programa de compra de títulos de 1,35 trilhão de euros durante a pandemia de covid-19.

Pelas regras da União Europeia, o banco central tem independência em relação aos governos. É por isso que o cargo pede neutralidade pública sobre temas políticos, e é a essa exigência que Lagarde se referiu ao explicar a saída. Segundo a Reuters, uma fonte ouvida pela agência disse que ela renunciou para poder se posicionar sobre questões políticas na França e no mundo. A informação é atribuída a essa fonte, e a própria Lagarde não detalhou o motivo.

O calendário político francês

A eleição presidencial da França está marcada para abril e maio de 2027, segundo Schmieding, citado pela AP. Analistas ouvidos pela agência veem na antecipação uma forma de os líderes europeus escolherem o sucessor enquanto o presidente Emmanuel Macron, pró-União Europeia, ainda está no cargo. A AP descreve Marine Le Pen, da extrema direita, como candidata cuja eventual vitória poderia influenciar a escolha. A reportagem não traz pesquisas de intenção de voto.

O alemão Markus Ferber, do Partido Popular Europeu, que integra a comissão que confirmará o sucessor, disse à Reuters que a saída enviou "o sinal errado", sobretudo com inflação alta e eleições próximas. O economista Marcel Fratzscher, do instituto DIW, elogiou o que chamou de "forte senso de responsabilidade" de Lagarde. Schmieding avalia que a saída antecipada não muda o rumo da política monetária do banco.

Por que isso importa

O euro é uma das principais moedas do mundo, e as decisões do BCE influenciam crédito, câmbio e preços na Europa, parceira comercial importante do Brasil. A troca no comando de um banco central desse porte costuma ser acompanhada por investidores. Segundo a Reuters, a reação do mercado ao anúncio foi pequena: analistas ouvidos pela agência dizem que a instituição tem reputação que vai além de seus dirigentes.

O pano de fundo econômico tem um ponto em comum com o brasileiro: o petróleo. A AP atribui a inflação anual de 3,8% na zona do euro, acima da meta de 2%, ao preço alto do petróleo ligado à guerra entre Estados Unidos e Irã. No Brasil, a alta do barril levou o governo a criar subsídios aos combustíveis, e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que eles devem continuar em 2027 se o petróleo seguir caro, como relatou o site em Durigan diz que governo deve manter subsídio a combustíveis em 2027. Já o boletim Focus mostra como o mercado brasileiro projeta inflação e Selic para o fim do ano.

Há também uma questão institucional. A saída de Lagarde para poder falar de política coloca em evidência a fronteira entre uma autoridade monetária independente e o debate público. A resenha de Como as Democracias Morrem apresenta a visão de dois cientistas políticos sobre o papel das instituições, tema que ajuda a entender por que a neutralidade do cargo é tratada como regra.

O que observar a seguir

O primeiro ponto é a negociação do pacote de três vagas entre os países, com meta de acordo antes da cúpula de dezembro. O segundo é quem o Conselho Europeu indicará e como será a confirmação do nome. O terceiro é a próxima reunião de política monetária do BCE, já que a AP informa que a taxa foi mantida em 2,5%, com a inflação ainda distante da meta.

Também será acompanhada a campanha presidencial francesa, que ocorre depois da data de saída de Lagarde. Outras disputas políticas europeias recentes foram cobertas pelo site, como a convocação de eleições antecipadas na Espanha e o impasse para formar governo na Suécia. Os comunicados oficiais do BCE, em ecb.europa.eu, e os do Conselho Europeu trarão os nomes e as datas definitivas.

Fonte original

Associated Press (via ABC News)

abcnews.com

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Perguntas frequentes

Segundo a Associated Press, Lagarde deixa o cargo em 7 de fevereiro de 2027, cerca de nove meses antes do fim do mandato, que terminaria em 31 de outubro de 2027. Ela disse querer liberdade para falar de temas fora da política monetária e não detalhou mais o motivo.
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