Wall Street despenca com ações de IA, Tóquio cai 6% e dólar fecha a R$ 5,49
Nasdaq recuou 5,5% e o S&P 500, 4,4% na quinta (5). A Ásia seguiu a queda na sexta (6), e o Ibovespa fechou em baixa de 0,82%, aos 166.191 pontos.

As bolsas de Nova York tiveram na quinta-feira (5) o pior dia desde abril de 2025, e a queda chegou à Ásia na manhã desta sexta-feira (6). Segundo a Associated Press, o S&P 500 caiu 4,4%, o Dow Jones perdeu 1.833 pontos (3,4%) e o Nasdaq Composite recuou 5,5%, ficando 11,9% abaixo da máxima histórica registrada em outubro. Uma queda acima de 10% em relação ao pico é chamada de correção.
Na sexta, o Nikkei 225, de Tóquio, caiu 6,1%, para 57.332,92 pontos, e ficou abaixo dos 60 mil pela primeira vez em quase seis meses. O Kospi, da Coreia do Sul, perdeu 6,3%, para 5.042,65. No Brasil, o Ibovespa fechou a quinta em baixa de 0,82%, aos 166.191,45 pontos, e o dólar comercial subiu 0,67%, a R$ 5,4876, de acordo com o Itabira Online.
O que derrubou as ações nos Estados Unidos
A venda se concentrou em empresas ligadas à inteligência artificial e a semicondutores. Conforme a AP, a Nvidia caiu 9,3% e a Advanced Micro Devices, 17,3%. A Revista Oeste informa que o índice de semicondutores da Filadélfia recuou mais de 12% e que a Tesla perdeu 10,77%.
Os veículos citam mais de uma explicação. A AP aponta a preocupação de que a construção de centros de dados para IA desacelere porque o crédito ficou caro, e a avaliação de críticos de que os preços das ações subiram demais. Também menciona que vitórias democratas nas eleições americanas de meio de mandato, realizadas na terça-feira (3), aumentaram a possibilidade de que governos pausem obras desses centros, em meio à resistência de eleitores à alta nas contas de energia.
A Revista Oeste atribui a análise a Jakub Rochlitz, da eToro, para quem o mercado passou a considerar que a expansão da infraestrutura de IA pode ficar mais lenta e mais cara. Jed Ellerbroek, da Argent Capital Management, afirmou, segundo o mesmo texto, que o mercado entrou numa fase de liquidação de ações beneficiadas pelos investimentos em centros de dados. São leituras de analistas, não um fato confirmado sobre a causa única do movimento.
Juros, petróleo e câmbio no início da sexta
Segundo a AP, o rendimento do título de 10 anos do Tesouro americano caiu para 4,84%, ante 4,90% na quarta-feira (4). Na noite da eleição americana estava em 4,95%, e no mês passado passou de 5,30%. No petróleo, o barril do tipo americano subia 1,3%, a US$ 91,67, e o Brent, referência internacional, avançava 1,7%, a US$ 99,93, com incerteza sobre a guerra com o Irã e sobre quando o setor de energia volta ao normal.
No câmbio, o dólar subia para 157,93 ienes, ante 157,68, e o euro custava US$ 1,1196, ante US$ 1,1219 da véspera, conforme a agência. O índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis moedas, subiu 0,09% na quinta, aos 101,560 pontos, de acordo com o Itabira Online.
O pregão brasileiro de quinta-feira
O Ibovespa chegou a se aproximar de 169 mil pontos no início do pregão, com máxima de 168.994,33, mas perdeu força e terminou perto da mínima, com volume financeiro de R$ 31,16 bilhões na B3, segundo o Itabira Online. Outros veículos registram o fechamento do índice com diferença: o Agrolink publicou, no começo da noite, queda de 0,58%, aos 166.595,71 pontos, número anterior ao dado final. Este texto usa o fechamento de 0,82%, apontado pela maioria das fontes.
O dólar à vista terminou em R$ 5,4876, de acordo com as duas publicações, e o contrato futuro para dezembro subiu 0,58%, a R$ 5,5180 às 17h05, conforme o Agrolink. Na terça-feira (3), a moeda havia fechado a R$ 5,4863, como registrou a cobertura do pregão de quarta-feira (4), que também mostrou o Ibovespa subindo 1,23% e encerrando seis quedas seguidas.
Contexto: juros altos e atividade fraca no Brasil
O Itabira Online lembra que o Copom manteve a Selic em 13,75% ao ano, interrompendo cinco cortes consecutivos, decisão que a Política Diária detalhou em Copom mantém a Selic em 13,75% por unanimidade. O mesmo texto informa que a produção industrial brasileira caiu 0,8% em setembro ante agosto e 2,5% frente a setembro de 2025.
As projeções do mercado para inflação, juros e câmbio depois da eleição estão no boletim Focus do período pós-eleitoral. Segundo o Itabira Online, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse após reunião com o presidente Lula que o governo pretende aprofundar as discussões sobre medidas econômicas e manter o compromisso com a sustentabilidade das contas públicas, sem anunciar novas medidas fiscais.
Por que isso importa
Para o leitor brasileiro, o efeito mais direto passa pelo câmbio. Um dólar mais caro encarece produtos importados, combustíveis e insumos, e entra no cálculo de inflação e de juros que o Banco Central acompanha. Quando investidores internacionais reduzem posições em ativos considerados mais arriscados, como bolsas de países emergentes, a moeda americana tende a se valorizar, movimento descrito pelos textos sobre o pregão de quinta-feira.
O petróleo também pesa sobre o Brasil por dois lados. Um barril perto de US$ 100 pressiona preços de combustíveis, tema ligado à discussão sobre subsídio a combustíveis em 2027, e ao mesmo tempo influencia o valor das ações da Petrobras, que já oscilou forte com o petróleo na quarta-feira (4). Cada fonte mostra uma parte do quadro, e nenhuma delas atribui a queda do Ibovespa a um fator doméstico específico.
Há, ainda, uma dimensão política. O governo tem na mesa medidas econômicas, como a Medida Provisória do Imposto Seletivo. Câmbio pressionado e juros altos podem reduzir a margem de manobra da área econômica, mas o tamanho desse efeito depende de quanto a turbulência externa durar, e isso ainda não está definido.
O que observar a seguir
O primeiro ponto é a abertura das bolsas de Nova York e do Brasil nesta sexta-feira (6), para saber se a correção do Nasdaq se aprofunda ou se há recuperação parcial. A AP lembra que, na quarta-feira (4), o S&P 500 teve o melhor dia em três meses, ganho que a quinta apagou, o que mostra a volatilidade do período.
O segundo é como o câmbio se comporta com a Selic em 13,75%, já que a cotação do dólar influencia as expectativas de inflação. O terceiro é a agenda de política econômica do próximo mandato, com o Congresso e o governo ainda definindo prioridades até o recesso, como mostra a pauta dos líderes do Senado até 17 de dezembro.
Todos os números citados acima têm a fonte indicada em cada parágrafo e correspondem aos fechamentos de quinta-feira (5) e à madrugada de sexta-feira (6). Valores de fechamento podem sofrer pequenos ajustes nas publicações finais da B3, do Banco Central e das bolsas asiáticas. Quando há diferença entre veículos, o texto aponta a divergência em vez de escolher um número sem base.
Cotações oficiais do dólar estão no Banco Central, e os índices da bolsa brasileira, na B3. O painel Eleições 2026 segue com os resultados oficiais do TSE, e esta notícia trata apenas do efeito dos mercados.
Fonte original
Associated Press
clickondetroit.com
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Equipe Política Diária
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