Líderes do Senado miram 17 de dezembro para votar pautas prioritárias
Após reunião com Alcolumbre, governo e oposição listaram PEC da Segurança, MP das bets e CBS como urgentes; maioridade penal segue como ponto de divergência.

Lideranças do governo e da oposição no Senado se reuniram na manhã desta terça-feira (3), sob o comando do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), para definir as prioridades legislativas até o fim do ano. Segundo a Agência Senado, em texto publicado às 16h13, a líder do governo, Teresa Leitão (PT-PE), disse que a meta é concluir a votação dos textos prioritários até 17 de dezembro.
Ao deixar o encontro, ela afirmou: "Vamos aproveitar ao máximo as semanas que nos restam". De acordo com a agência, a oposição aceitou como urgentes a PEC da Segurança Pública (PEC 18/2025), a medida provisória do fim das bets (MP 1.394/2026), a regulamentação da CBS, a PEC da Tarifa Zero aos fins de semana (PEC 18/2026) e a apreciação de indicações de autoridades. A pauta orçamentária também foi tratada como prioridade pelos dois lados.
O que cada lado disse na reunião
Teresa Leitão afirmou que o foco em projetos ligados ao Orçamento é consensual. Ela acrescentou que o governo não se posicionará sobre projetos de iniciativa do Congresso, como os que tratam de voto distrital e do fim da reeleição, temas que, segundo a agência, estão em discussão, mas enfrentam um calendário apertado.
O senador Carlos Portinho (PL-RJ), que falou pela oposição, pediu que o governo deixe mais claras as suas prioridades. Ele reconheceu que a pauta orçamentária é prioritária, mas classificou a PEC da Tarifa Zero e a MP das bets como "eleitoreiras". Também manifestou preocupação com uma eventual atuação do Supremo Tribunal Federal sobre as bets e perguntou: "O que que o governo vai propor a respeito?".
O senador Marcelo Castro (MDB-PI) afirmou que as leis orçamentárias devem ser prioridade, diante do pouco tempo até o fim do ano. Cada posição está atribuída a quem a emitiu: a Agência Senado não informa que tenha havido votação ou acordo formal sobre a ordem dos itens.
PEC da Segurança e a maioridade penal
A PEC 18/2025 estava prevista para votação no Plenário nesta terça, conforme a própria agência. O texto foi aprovado pela Câmara e pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, e a votação havia sido retirada da pauta em 15 de outubro por causa de cinco emendas de Plenário, duas delas sobre a idade de responsabilização penal. A data de 3 de novembro foi marcada por Alcolumbre, como mostra a nota sobre a convocação da votação para esta terça.
Na reunião, o tema da maioridade voltou a dividir os lados. Portinho avaliou que há consenso sobre reduzir a maioridade penal, embora o governo prefira tratar do assunto em outra proposta, e disse que a oposição manterá o destaque para reduzi-la a 14 anos. Marcelo Castro defendeu votar a PEC como veio da Câmara e tratar do tema em separado: "Vamos votar a PEC sem essa redução e, posteriormente, votaremos uma PEC da redução da maioridade penal".
A diferença entre as posições tem efeito prático. Como a cobertura sobre as pautas antes da posse já registrou, se o Senado aprovar qualquer emenda ao texto vindo da Câmara, a PEC volta aos deputados, o que pode atrasar a promulgação. Sem mudanças de mérito, o caminho seria mais curto.
Contexto: um calendário que se fecha
O prazo de 17 de dezembro funciona como referência para um fim de ano em que o Congresso precisa votar o Orçamento de 2027 e outros itens. O segundo turno da eleição presidencial, em 25 de outubro, terminou com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo o resultado oficial reunido no painel de Eleições 2026, e a posse está marcada para 5 de janeiro de 2027. Parte da base governista defende aproveitar as semanas restantes para votar propostas do Executivo, segundo a reportagem do g1 reproduzida pelo Brasil 247, registrada na nota sobre a pauta antes da posse.
A regulamentação da CBS, a contribuição sobre bens e serviços criada pela reforma tributária, é outro item da lista. O Tribunal de Contas da União aprovou a alíquota de referência de 11,3% e enviou o cálculo ao Senado, como a cobertura do prazo no Senado descreve. Já a PEC da Tarifa Zero nos fins de semana é tratada em nota própria.
No caso das bets, a MP 1.394/2026, editada em 25 de setembro, proíbe a exploração de apostas de quota fixa no país. No mesmo dia da reunião, o ministro Luiz Fux, relator das ações no STF, conduziu uma audiência pública sobre o tema, assunto da nota sobre a convocação da audiência. Uma audiência pública não é julgamento e não decide o caso.
Por que isso importa
A reunião de líderes não vota nada, mas indica a ordem de trabalho da Casa. Quando oposição e governo concordam sobre o que é urgente, aumenta a chance de esses itens chegarem ao Plenário antes do recesso. A lista combina assuntos de naturezas diferentes: uma emenda constitucional sobre segurança, uma medida provisória, uma lei de regulamentação tributária e a escolha de autoridades.
Para quem acompanha o Congresso, há dois pontos de atenção. O primeiro é o tamanho da pauta diante de um calendário curto, citado pela própria líder do governo. O segundo é que a convergência sobre a lista não elimina a divergência sobre o conteúdo: a maioridade penal na PEC da Segurança e a avaliação política da MP das bets são exemplos, e cada lado apresenta argumentos distintos.
Também pesa o Orçamento. Em outro desdobramento do mesmo dia, o Senado anunciou o senador Eduardo Braga como relator-geral do projeto de lei do Orçamento de 2027, tema da nota sobre a relatoria.
O que observar a partir de agora
O primeiro acompanhamento é o desfecho da PEC da Segurança, que estava na pauta desta terça. A Agência Senado registrou nesta tarde a aprovação de outros itens, como o acordo de defesa entre Brasil e Guiana e o projeto sobre parentalidade positiva, mas esta nota não traz resultado da votação da PEC, porque nenhuma fonte aberta consultada informava placar ou novo adiamento até o fechamento. Quando houver registro oficial, a decisão será noticiada.
O segundo é o destino do destaque da oposição sobre a idade de responsabilização penal, e o terceiro é a ordem em que MP das bets, CBS e Tarifa Zero entrarão na pauta. As páginas do Congresso por dentro trazem os dados públicos dos senadores citados nesta nota.
Fonte original
Agência Senado
www12.senado.leg.br
Perguntas frequentes
Quem escreveu
Equipe Política Diária
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