Lula diz que criará o Ministério da Segurança Pública por MP
Em live com o deputado André Janones, Lula anunciou que usará medida provisória para criar a pasta, dois dias depois da aprovação da PEC da Segurança no Senado.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou na quinta-feira (5) que vai criar o Ministério da Segurança Pública por meio de medida provisória (MP). Segundo a Agência Brasil, o anúncio foi feito durante uma transmissão ao vivo com o deputado André Janones (Rede-MG).
De acordo com a agência, o presidente defende a ideia desde fevereiro de 2026 e o tema ganhou força durante a campanha eleitoral. O objetivo declarado é ampliar o combate ao crime organizado. Lula elogiou a aprovação da PEC da Segurança Pública pelo Senado, na terça-feira (3), e disse que a MP é o passo seguinte. A reportagem registra esta frase atribuída a ele: "Alcolumbre cumpriu com a palavra dele e botou para votar a PEC da Segurança Pública". O presidente do Senado é o senador Davi Alcolumbre (União-AP).
O que muda em relação ao que já se sabia
Até aqui, a criação da pasta aparecia como promessa condicionada. Na reunião no Alvorada, segundo o Estadão, Lula pediu ao Senado a votação da PEC sem mudanças e prometeu criar o ministério depois da aprovação. No debate da Band, conforme a CNN Brasil, ele também disse que criaria a pasta se o Senado votasse a proposta, como registrou a cobertura do confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro. Agora, com a PEC aprovada, o presidente passou a falar no instrumento que usará: a medida provisória.
A Agência Brasil informa que Lula pretende enviar a MP para que a discussão sobre o financiamento dos investimentos em segurança possa começar. O ministério, segundo a reportagem, coordenaria as políticas nacionais de segurança pública com estados e municípios e reforçaria a cooperação entre União, estados e municípios contra organizações criminosas. A agência liga a iniciativa ao Programa Brasil contra o Crime Organizado, lançado em maio de 2026, cujas metas incluem combater o tráfico de armas, munições e explosivos, sufocar financeiramente o crime organizado e as milícias e fortalecer a segurança nos presídios.
Até a publicação desta notícia, a Agência Brasil não informa data para o envio da MP, nome do futuro ministro nem a estrutura prevista para a pasta. Também não detalha de que órgãos atuais sairiam as atribuições. Esses pontos só ficam definidos quando o texto for assinado e publicado no Diário Oficial da União.
Como funciona uma medida provisória
A própria Agência Brasil explica o instrumento. A medida provisória é uma norma com força de lei, editada pelo presidente da República e enviada ao Congresso Nacional, destinada a matérias de relevância e urgência. Ela produz efeitos jurídicos imediatos assim que é assinada, o que significa que o ministério passaria a existir formalmente a partir desse momento.
Para virar lei de forma permanente, a MP precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado. O prazo de vigência é de 60 dias, prorrogável automaticamente por igual período se o Congresso não concluir a votação. Se o texto não for votado dentro do prazo, a MP perde a eficácia. Um exemplo de tramitação em curso é o da MP 1.379, cujo relatório foi aprovado em comissão mista nesta quinta-feira, etapa que antecede a votação nos plenários.
A PEC que antecede a MP
A PEC 18/2025 foi aprovada pelo Senado em dois turnos na terça-feira (3), com 73 votos no primeiro turno e 75 no segundo, sem votos contrários, conforme a cobertura da votação. O texto inclui o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição, fixa regras para polícias municipais, cria um Sistema de Políticas Penais, amplia as atribuições da Polícia Rodoviária Federal e endurece o regime penal de integrantes de facções e milícias. A Agência Brasil informa que o texto é o mesmo já aprovado pela Câmara em março, razão pela qual segue para promulgação pelo Congresso Nacional.
O plenário também decidiu, por 38 votos a 36, separar as emendas sobre a redução da maioridade penal. O tema ficou para uma proposta própria, e o Senado informou que aguarda a análise da Câmara. A PEC aprovada, portanto, trata da estrutura e do financiamento da segurança, e não da idade penal.
Por que isso importa
A criação de um ministério por MP é uma decisão do Executivo, mas depende do Legislativo para se tornar definitiva. Isso coloca a nova pasta, desde o primeiro dia, dentro da negociação entre o Planalto e o Congresso. A base do governo tenta acelerar pautas antes da posse, marcada para 5 de janeiro de 2027, e a MP entraria nessa fila.
Quem pode ser afetado: o Ministério da Justiça e Segurança Pública, hoje responsável pela área, que pode ter atribuições redistribuídas; a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal, cuja subordinação dependerá do desenho da nova pasta; e os estados e municípios, que pela PEC passam a ter responsabilidades e repasses definidos na Constituição. A reportagem não informa como será feita essa divisão. Sem o texto da MP, qualquer afirmação sobre a estrutura é projeção.
O financiamento é o segundo ponto de atenção. Lula disse que enviará a MP para iniciar a conversa sobre recursos. A PEC protege o Fundo Nacional de Segurança Pública e o Fundo Penitenciário Nacional contra contingenciamento, mas os valores concretos para uma nova estrutura dependem de decisões orçamentárias, como as do Orçamento de 2027.
Por fim, o tema foi tratado na campanha: a criação da pasta foi citada por Lula no debate da Band, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) falou em declarar guerra ao narcoterrorismo a partir de janeiro, segundo a CNN Brasil. O resultado oficial do segundo turno, divulgado pelo TSE, está no painel de Eleições 2026. O anúncio em uma live não substitui a edição da MP: até a publicação no Diário Oficial, o ministério não existe juridicamente.
O que vem a seguir
O primeiro passo é a assinatura e a publicação da MP, ainda sem data. O segundo é a instalação de uma comissão mista no Congresso, etapa pela qual passam as medidas provisórias antes de seguirem aos plenários da Câmara e do Senado. O terceiro é a promulgação da PEC da Segurança Pública em sessão do Congresso, também sem data informada nas matérias consultadas.
Em paralelo, a proposta de redução da maioridade penal segue à espera da Câmara. As páginas de Congresso por dentro reúnem votos e dados públicos dos parlamentares citados.
Fonte original
Agência Brasil
agenciabrasil.ebc.com.br
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Equipe Política Diária
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